Espaço destinado a combater a insidiosa e multiforme cultura liberal, que tem entre as suas raízes mais daninhas: uma falaciosa noção de liberdade humana; a idolatria — implícita ou explícita — da consciência individual; a separação entre natureza e moral; a contraposição entre Estado e indivíduo; a dissolução da Religião em categorias morais sem fundamento metafísico; a perda da noção de bem comum político.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
"O tomismo é a doutrina comum da Igreja", pequeno texto do Nougué
Concurso “Santo palavrão”
Mande-nos qualquer texto com uma só obscenidade escrita por um Santo, e ganhe todos os livros da editora Sétimo Selo — assim como os “DVDs” da coleção A Síntese Tomista
Sidney Silveira
[Como há algo verdadeiramente cômico — embora com aspectos um tanto trágicos — na história que suscitou a presente série de textos, resolvi criar um bem-humorado concurso, que, não obstante, é à vera, ou seja: vale de fato se alguém o conseguir vencer]
Cristo disse, entre outras, as seguintes palavras ou expressões: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?” (Mt. XVIII, 33). Noutras passagens do Evangelho, apenas para dar alguns exemplos, vemos Nosso Senhor usar palavras como “porcos”, "cães" “hipócritas”, “malditos”, “impuros” e outras similares. Com isto, o Messias mostra o seguinte: contra a malícia, não há senão que usar de uma linguagem dura e direta. Mas nunca, jamais, em tempo algum, usou Ele de qualquer obscenidade em seu vocabulário — nem mesmo contra os que O mataram, a quem perdoou na Cruz. Também os Santos, muitas vezes, usaram de linguagem duríssima contra os adversários, com expressões típicas do vulgo, como por exemplo Santo Antônio de Lisboa, contra os cátaros; São Bernardo, contra Abelardo; São João Crisóstomo (o boca de ouro), contra o judaísmo; São Jerônimo, que chamava por nome de animais não só os seus inimigos, mas às vezes até os amigos, como o grande Santo Agostinho, a quem disse certa vez: “Cala a boca, seu burro!”; etc.
Retenhamos, pois, isto: uma coisa é usar de linguagem dura, ou mesmo duríssima e em tom zombeteiro, contra gente maldosa com quem não dá para entabular diálogo; outra, totalmente distinta, é usar de linguagem obscena, recorrendo a imagens sexuais ofensivas, algumas chegando a detalhes grotescos, ironias de baixo calão, alusões injuriosas à vida privada do oponente, metáforas com ofensas imorais à honra dele ou à de sua família, e outras coisas mais. Em suma, é quando a obscenidade e a maledicência dão-se um amplexo cheirando a enxofre e procuram denegrir a pessoa do próximo. Bem diz a Sagrada Escritura desse tipo de linguagem: Não terá duração na Terra a má língua (Sl. 139, 120); Aquele que profere uma linguagem iníqua não pode fugir de Deus; Sua justiça vingadora não o deixará escapar (Sab. I, 8).
Pois bem, feita esta distinção, digamos, conceitual entre a santa dureza e a maldade espiritual — deveras importante, porque muitas vezes a virtude e o vício são muito parecidos — frisemos agora: dizer que a linguagem de qualquer Santo contra os inimigos foi de palavrões (no sentido de jargões obscenos) pode acontecer em dois únicos casos: ou por ignorância, ou por malícia. Para quem conhece bem a história da Igreja e a dos Santos, qualquer terceira hipótese está absolutamente excluída, por evidência cabal — e o evidente, como os principiantes no estudo da lógica sabem perfeitamente bem, não se demonstra; mostra-se.
Demos, a título de procedimento dialético, que alguém, ao buscar o respaldo dos Santos para justificar um palavreado chulamente detratório, aja sem maldade alguma — ou seja, que a sua ação seja movida por “boas intenções” mescladas a uma candente ignorância na matéria. Também demos, ainda como procedimento dialético, que não haja nenhuma má-fé de sua parte, ao fazer insinuações e acusações infames. E, como corolário das premissas anteriores, demos ainda que a malícia é algo que passa longe dessa alma, com a graça do bom Deus. Por fim, arguamos em favor deste arquetípico opositor o seguinte: de acordo com os princípios da Teologia Moral, os pecados por malícia são sempre culpáveis, mas os praticados por ignorância (pressuposição da qual partimos, no caso) são perdoáveis. Isto posto, o enfezado oponente teria uma única e dolorosa culpa ao dizer que os Santos usaram de “palavrões” similares aos dele: uma ignorância, mais ou menos vencível.
Tragamos agora duas definições, extraídas ipsis verbis do Dicionário Aurélio:
Ø “Obsceno: Que fere o pudor. Impuro, desonesto. Diz-se de quem profere ou escreve obscenidades”.
Ø Obscenidade: Qualidade de obsceno. Palavra, gesto, ato ou imagem obscenos”.
Pois bem, dadas estas duas definições, a Sétimo Selo, da qual sou um hoje um mero representante no que tange à linha editorial, estatui o seguinte e breve regulamento do Concurso “Santo Palavrão”:
Parágrafo 1: O primeiro leitor do Contra Impugnantes que nos enviar um só texto em que haja uma obscenidade escrita (ou dita) por algum Santo contra seus inimigos, receberá de presente um exemplar de cada livro já editado pela Sétimo Selo, assim como um exemplar de cada DVD da coleção A Síntese Tomista até agora lançado. Pago com muito gosto do meu bolso!
Parágrafo 2: Para tanto, o leitor deverá enviar-nos a referência bibliográfica da obra em questão, dando-nos o direito de exigir, caso julguemos o índice catalográfico insatisfatório, que nos mande pelo Correio o exemplar físico do livro onde está o presumível dito obsceno do Santo. Comprometo-me, de público, a restituir o exemplar, juntamente com o prêmio, caso se comprove, de fato, a santa obscenidade.
Os produtos são os seguintes:
Ø “A Natureza do Bem” (De Natura Boni contra Maniqueus), de Santo Agostinho, edição bilíngüe (latim / português);
Ø “Sobre o Mal” (De Malo), Tomo I, de Santo Tomás, edição bilíngüe (latim / português);
Ø “A Inocência do Padre Brown”, de Chesterton;
Ø “A Política em Aristóteles e Santo Tomás de Aquino”, do filósofo argentino Jorge Martínez Barrera;
Ø “Sobre os Anjos” (Tratactus De Substantiis Separatis), de Santo Tomás, edição bilíngüe (latim / português);
Ø “Atualidade do Tomismo”, coletânea de artigos;
Ø “Raimundo Lúlio e As Cruzadas”, três obras do escritor catalão, numa edição trilíngüe (latim/catalão medieval/português);
Ø “A Candeia Debaixo do Alqueire”, do Pe. Álvaro Calderón, da FSSPX;
Ø “O Êxtase da Intimidade”, do filósofo espanhol Juan Cruz Cruz;
Ø DVD da coleção A Síntese Tomista – Tomo I. Aspectos da Gnosiologia e da Metafísica de Santo Tomás de Aquino, com este miserável escriba;
Ø DVD da coleção A Síntese Tomista – Tomo II. O Tempo e a Eternidade em Santo Tomás de Aquino, com o Nougué;
Ø DVD Bach e a Harmonia das Esferas, com o Nougué.
Parágrafo 3: A citação com as informações indicadas no item 2 devem ser enviadas para o email concursosetimoselo@gmail.com.
PARÁGRAFO 4: Obviamente, não valem as obscenidades ditas antes da conversão, ou o caso de mártires que só se santificaram exatamente com a sua morte.
PARÁGRAFO 5: A promoção é válida até o final de agosto.
APÊNDICE
Um gnosiólogo em ato.
Pois bem, feita esta brincadeira editorial — que não deixará de ser pedagógica —, transcrevo a seguir a fala do Prof. Olavo de Carvalho no seu talk show da noite desta quarta-feira (20/07), em que, num tom de surpreendente urbanidade, embora sem deixar de lado certa sarcástica maledicêndia (que, em vista dos espetáculos anteriores de zanga e feérico impetus detrationis, considero uma verdadeira maravilha) faz referência a esta aula minha, em que cito Husserl. Bem, como rir não é pecado, confesso que cheguei a chorar de tanto rir. O homem, quando quer, é um humorista de primeira! [trata-se aqui de um sincero elogio!]
Abaixo, eis o trecho da fala do Prof. Olavo. Perdoem-me se houver algum erro de digitação, mas não sou taquígrafo e fui simplesmente transcrevendo-a conforme ouvia, e preciso dormir daqui a pouco.
Os itálicos — a ser comentados depois — são meus:
“Ao contestar que possamos conhecer a essência de um objeto por intuição, ele [ou seja, eu] proclama que nada sabemos ao certo antes que o intelecto intervenha e classifica o que foi apreendido pelos sentidos. Com isso, ele dá um sentido de seqüência temporal ao que é com toda a evidência a hierarquia lógica e interna de um ato de cognição instantânea. É obvio que os sentidos não nos dão por si a essência de nada; apreender a essência é tarefa do intelecto, mas isto não quer dizer que entre a captação pelos sentidos e a entrada do intelecto em cena, decorra um intervalo de tempo, muito menos uma separação material, e não apenas formal, entre ver um gato e perceber que é um gato. O ato e reconhecimento instantâneo pelo qual o intelecto apreende um gato naquilo que os sentidos lhe apresentam como gato, é precisamente o que se denomina intuição. Então do que ele está falando? Prova suplementar da sua fulgurante inépcia, ele nos dá em seguida, ao fornecer como exemplo da impossibilidade de apreensão intuitiva de essências, o fato de que, se alguém, em segredo, depositasse um veneno no seu copo, ele não teria a apreensão intuitiva do copo envenenado. Raramente vi um professor de filosofia mesmo de ginásio descer tão baixo. De um lado, ninguém pode ter a intuição de algo que não chegou ao seu conhecimento nem pelos sentidos, nem por qualquer outra via de informação. Se o Sr. Silveira não tem a intuição do que se passou, não é por deficiência da faculdade intuitiva, mas por ausência do objeto. Qualquer criança de 5 anos entende isto num relance, mas na platéia do Sr. Silveira não havia aparentemente ninguém com a experiência e a erudição de uma criança de 5 anos, e por isso ninguém o contestou. Todos continuaram ouvindo a patacoada em respeitoso silêncio (...). Em segundo lugar, conter ou não conter veneno não faz parte da essência de nenhum copo; é um acidente. O cara não sabe distinguir uma essência dum acidente, meu Deus do céu. A intuição reconhece imediatamente um copo como copo, mas não distingue necessariamente a substância que o preenche, aliás pelo simples fato de que diferentes líquidos não se distinguem tão claramente uns dos outros pela sua simples forma visível, como objetos sólidos e espécies diversas, diferentes nesses e semelhantes naquele. Todo líquido tem a forma visível de líquido, não é? Não é como você distinguir um gato duma tartaruga, duma mesa, duma casa, tá certo? A objeção do Sr. Silveira à eficácia da faculdade intuitiva consiste apenas em alegar que ela não percebe no mesmo instante todos os acidentes, o que é o mesmo que não dizer absolutamente nada. Em terceiro lugar, um veneno depositado num copo com fins homicidas é por definição uma substância sem aparência distintiva que permita identificá-lo como tal. (...) O Sr. Silveira acredita que não tem intuição das essências porque não enxerga o invisível. Com toda a evidência o que lhe falta não é a apreensão intuitiva das essências, mas aquele mínimo de capacidade raciocinante que ele precisa ter para ser um mecânico de automóveis ou um caixa de banco, motivo pelo qual ele resolver escolher a profissão de porta-voz do magistério infalível. Por que desejaria eu conferir o estatuto de adversário filosófico meu a um sujeito tão obviamente despreparado e burro? Se à burrice e ao despreparo ele soma ainda a língua dupla e o hábito das insinuações veladas, pretendendo subir na vida na base da difamação e da intriga, que outro confronto posso ter eu com ele senão o de ordem jurídico-policial? (...) Nada mais sábio do que fugir ao vexame colossal de apanhar de um velho!”.
Ora, “o estilo é o homem”, dizia Buffon. Pois bem, assim que eu tiver um tempinho (se possível amanhã), vale passar um pequeno bisturi dialético no que vai acima.
Outra coisa engraçada no talk show desta noite: o Prof. Olavo usar daquilo que os medievais chamavam de argumento de autoridade (ou seria “otoridade”?) para dizer que o Nougué fugiu ao debate. “Eu publiquei tantas obras, e o Nougué não publicou nada, portanto, etc.”.
Muito boa! Isto me deu uma idéia de escrever no Contra Impugnantes, um pouco mais à frente, algo sobre o que seja o “argumento de autoridade”, e qual o seu real valor filosófico... Deixo por ora apenas uma frase de Sto. Tomás de Aquino, que tomo como parâmetro para os meus estudos:
“Não importa quem diz, mas a validade do que se diz”.
E depois chega, porque todos temos mais o que fazer!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Belo texto do Nougué
terça-feira, 19 de julho de 2011
Mártires tomistas argentinos (texto ampliado)
Jordán Bruno GentaSidney Silveira
No último domingo, tive enorme gosto em conhecer dois jovens argentinos estudiosos da obra de Santo Tomás que estavam a passeio pelo Rio de Janeiro. A agradável conversa girou em torno da forte tradição do tomismo na Argentina, que criou para o Catolicismo do país vizinho alguns anticorpos ao vírus letal do mordernismo que tomou conta da Igreja, com o Concílio Vaticano II. Na ocasião, eles me falaram sobre dois tomistas argentinos bastante combativos que foram assassinados por guerrilheiros de esquerda, no começo da década de 70: Carlos A. Sacheri e Jordán Bruno Genta, mortos em odium fidei por marxistas ensandecidos, no final 1974. Dois mártires. Sacheri foi alvejado por uma metralhadora quando fazia o sinal da cruz, ao sair da Missa ao lado de sua esposa e de seus sete filhos; Genta foi atingido por um balaço no momento em que saía de casa para ir à Missa, também diante da família.
A história de vida desses dois filósofos nos remete a qual é o papel do verdadeiro professor — sobretudo nos momentos de grande crise civilizacional: a de homem contemplativo e de ação, ao mesmo tempo. Mas com um detalhe: em se tratando de católicos, no que tange às atividades pedagógicas e filosóficas tem-se como vetor tanto as verdades assimiláveis pela luz da razão natural, por meio da qual se constrói a filosofia, como as verdades reveladas, fora das quais ninguém pode salvar-se. É, pois, totalmente equivocada a idéia (de cariz liberal, condenada de forma solene pela Igreja [e não por nós, pobres zé-ninguéns]) de que o católico pode ser uma espécie de livre-pensador que, em suas especulações solitárias de gabinete, erige uma obra filosófica à margem de qualquer verdade da fé, e apenas reza para não se afastar do Magistério. Para usar pedagogicamente de uma caricatura, seria como um pai levar o filho ao bordel para ensinar-lhe que a luxúria é pecado, rezando para o moleque não cair em tentação.
Depois do vendaval conciliar, passou a caber aos teólogos e filósofos católicos que não se deixaram levar pela entronização do modernismo uma dupla e inglória função: defender a Autoridade do Magistério e da Tradição contra as autoridades eclesiásticas, nas várias ocasiões em que estas tomam medidas contrárias à fé, apelando para o instituto do estado de necessidade, contemplado no Código de Direito Canônico; e apontar os erros filosóficos que, levados às últimas conseqüências, representam a demolição dos preambula fidei, ou seja, dos elementos de credibilidade dos quais sempre se valeu a Igreja — sabedora de que a fé, sem a razão, descamba no pietismo; e a razão, sem a fé, cai no orgulho suicida que leva as almas à perdição. Este último papel, até meados dos anos 60, cabia à hierarquia, que se valia instrumentalmente dos teólogos e Doutores como mestres auxiliares nesta defesa magisterial. Que tempos os nossos, Deus do céu!
Neste contexto, os tomistas Jordán Bruno Genta e Carlos Sacheri são exemplos notáveis do que seja o trabalho filosófico, para um católico: Genta, quando jovem, foi um marxista considerado como “grande promessa do ateísmo cultural argentino”, até converter-se a certa altura de sua trajetória intelectual e, depois disto, transformar-se no grande acicate da homicida ideologia comunista na Argentina, no plano das idéias, assim como do liberalismo — essa hidra de mil cabeças que rosna contra a Santa Madre Igreja há tempos, sob variadas formas e em distintas frentes de ação, algumas das quais levadas a cabo, nos últimos 200 anos, por grupos esotéricos ou secretos os mais doidos que se possa imaginar. Tentaram suborná-lo com o oferecimento de cátedras fora do país, mas Genta não se deixou levar por cantos de sereia e promessas de sucesso profissional, preferindo ficar na Argentina e combater.
Sacheri, por sua vez, começou como discípulo do Padre Júlio Meinvielle e teve ação efetiva como filósofo tomista e homem de luta no campo das idéias, em defesa da fé. Foi professor da Universidad Católica Argentina (UCA), convidado por seu fundador, o grande Octavio Nicolás Derisi, muito citado em vários de nossos textos; participou da Ação Católica naquele país; foi secretário da Sociedad Tomista Argentina, em um momento de grande revolução doutrinal e litúrgica da Igreja. É autor do livro El orden natural, que fala sobre a doutrina social da Igreja, obra que espero adquirir em breve.
Sacheri e Genta são apenas dois dentre tantos mártires assassinados pela fúria comunista no começo da década de 70. Quem tiver interesse em saber um pouco o que foi aquele dramático momento em nosso país vizinho, para os católicos, pode ler o livro Cuatro Mártires Argentinos de los 70, que possui alguns pequenos extratos encontráveis na intenet.
EM TEMPO: Não duvido nada que o nosso contendor, a quem dei um salvo-conduto para me xingar por meses (prazo que, a propósito, estendo para toda a vida, se assim lhe aprouver) insinue que estamos querendo passar por "mártires", apenas porque mencionamos os dois belos exemplos acima... Tudo é possível para uma alma tão grandemente apaixonada, e pelo seguinte e "nobre" motivo: porque teve um trecho de uma obra sua criticada nominalmente, e no tocante a um tópico em particular.
Pois bem, quanto ao filósofo boca-suja, que tanto parece tê-lo deixado "magoado", a ponto de o sujeito dizer claramente, por escrito e em vídeo, que o engoliu a seco e em silêncio por dois anos, digo o seguinte: tratou-se de um bem-humorado exercício dialético, e a respeito de uma questão nada desprezível (a saber, de que linguagem deve fazer uso um filósofo, em seu ofício?). Texto no qual, no entanto, ficou demonstrada a força que tinha a disputatio — o extraodinário procedimento levado por Santo Tomás de Aquino a uma inaudita perfeição. Quanto aos demais textos em que o caro Prof. "pescou" no Contra Impugnantes alusões à sua obra (mostrando-se um atentíssimo leitor deste miserável blog), na verdade apenas apontam para uma posição doutrinária consagrada pelo Magistério bimilenar da Igreja. Somente isso. Ocorre o seguinte: alguma dessas objeções foi respondida a não ser com palavrões, acusações e detrações ferinas? Aqui, relembro o seguinte: no caso do "boca-suja", não se tratava de um texto sobre o uso do palavrão em todos os casos, mas sim de sua absoluta ineficácia como instrumento filosófico, pelas várias razões apontadas: gnosiológicas, antropológicas, metafísicas, morais e escriturísticas (estas últimas, no SED CONTRA). A propósito, para quem não leu o texto, o seu título é: QUESTÃO DISPUTADA SOBRE O USO DE PALAVRAS TORPES POR PARTE DO FILÓSOFO).
Será que o nobre Prof. considera que o uso de palavrões propugnado por ele é matéria não-opinável? Doutrina revelada? Lembro que a "matéria opinável', do ponto de vista da teologia católica, é aquela acerca da qual o Magistério não se pronunciou solenemente, ainda que alguns santos ou Doutores o tenham feito. Ora, tenha santa paciência!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Nougué responde com brevidade
domingo, 17 de julho de 2011
O limite moral das contendas (e alguns avisos)
“O vangloriar-se que causa a contenda não é outra coisa senão a defesa indevida, desmesurada, do próprio parecer”.
Sidney Silveira
Para ser lícita e não degenerar em ódio interior — e nos atos exteriores maus que se lhe seguem —, toda divergência deve ter como critério a busca sincera da verdade, sem a qual irá gerar contendas, rixas, escândalos, detrações. Quando digo aqui a palavra verdade, tomando-a como critério inalienável das divergências levadas a cabo de forma justa e honesta, não a estou usando em abstrato, ou seja, referindo-me ao conceito de verdade, e sim fazendo alusão às verdades objetivas implicadas na divergência mesma. Um pequeno desvio no que tange a essas verdades, e a divergência se transforma em ações injustificáveis contra o próximo; no habitat espiritual propício para os acusadores de má-fé, que fazem do vale-tudo imoral uma espécie de tática desesperada, que diz mais deles próprios do que de seus adversários.
O fato é que se nós, humanos, tivéssemos a intuição direta das essências das coisas, como imaginava Husserl, não haveria divergências nem disputas: a verdade assimilada por todos num flash intuitivo se imporia como esteio da paz social — sendo possível divergir apenas por malícia proveniente de uma corrupção na vontade. Este é, a propósito, o caso de Lúcifer e dos seus desgraçados anjos: neles a verdade apreendida pela inteligência não pode ser o pilar da paz apenas porque a sua vontade obstinou-se, quer dizer, perverteu-se irreversivelmente, mas isto não implica dizer que, numa situação em que não haja essa obstinação perfeita (a qual só se dá nos demônios), a verdade não seja vínculo da paz entre as criaturas inteligentes, ou seja, os entes dotados de potência para os inteligíveis. Em suma, como o nosso acesso aos inteligíveis é dificultoso, dada a humana forma de conhecer, que é a partir da essência das coisas materiais (quidditas rei materialis), é natural que, no transcurso da vida, nos vejamos em situações propícias a ocasionar contendas, controvérsias, querelas.
Isto postulado, podemos dizer que há duas formas principais de considerar moralmente uma contenda. Mas, antes de tudo, o que seria uma contenda? Sabemos, com Santo Tomás, que a contenda é uma das filhas da vanglória, e mais ainda: nas palavras precisas deste grande gênio filosófico, o vangloriar-se que causa a contenda não é outra coisa senão a defesa indevida, desmesurada, do próprio parecer. Noutras palavras: é quando o que é buscado na ação é apenas prevalecer sobre os demais, ser visto como “melhor” aos olhos dos demais (algo parecido com a insustentável teoria do desejo mimético, de René Girard).
Seja como for, uma coisa é certa: tal situação espiritual gera uma quantidade infindável de conflitos, seja de uma pessoa com outras, seja dela consigo mesma. Neste último caso, porque até mesmo uma consciência narcotizada pela vanglória — a qual faz um homem perder totalmente o senso de perspectiva — em algum momento acusará o golpe, pois a sindérese (o hábito inato da captação dos primeiros princípios da razão prática) é infalível em nós. Ou seja: nesta vida ou na outra, haverá o momento em que cada um de nós se deparará com as próprias ações, diante do espelho da consciência (termo que os liberais de todas as colorações, como já mostramos em vários artigos do blog, usam de forma absolutamente equívoca). Ocorre que, para a consciência estar de fato iluminada, ou seja, para rebrilhar em nossas ações pelo selo da reta razão, é preciso evitar a todo custo a vanglória, o que se pode fazer de várias maneiras (mas não é o caso de abordá-las aqui). Fiquemos, por ora, com o seguinte: o vanglorioso será necessariamente um detrator, assim como também um praticante da contumélia, que nasce da ira.
Mas voltemos à contenda, deixando consignada outra definição que toca o aspecto prático da questão: contenda é a divergência conceitual transformada em rixa pessoal. E vamos às duas formas — a que se fez alusão acima — de avaliar a contenda no tocante ao aspecto moral:
Ø Se a contenda é instrumento da impugnação da verdade, será moralmente má. Acontece que alguém pode impugnar a verdade por erro ou ignorância na ação, e neste caso a contenda será má, sim, mas desculpável em algum grau; e também pode impugná-la de caso pensado, e então a contenda será não apenas má, mas verdadeiramente abominável. Este é, literalmente, o pecado contra o Espírito Santo, cuja remissibilidade, de acordo com o grande tomista Santiago Ramírez, é um dos maiores milagres que pode haver;
Ø Se a contenda é instrumento da impugnação da mentira ou de erros, será lícita, mas isto não quer dizer que o seja em todos os casos. Um exemplo: se da disputa com o contendor se presume uma conseqüência nefanda para ele, como por exemplo o induzi-lo ao ódio espiritual, que é sempre pecado, então até mesmo a contenda justa deve ser evitada. Aqui, ela só será moralmente lícita se for levada a cabo em legítima defesa. É aquela história que contava a minha avó: dá-se um boi para não entrar numa briga, mas, dependendo das circunstâncias, dá-se uma boiada inteira para não sair dela. É quando a situação obriga à ação, e depor as armas se transforma em omissão grandemente culpável.
Em resumo, em toda contenda há um limite moral, pois a vitória justa não se consegue com táticas escusas, e muito menos deixando prevalecer as paixões do apetite irascível, o que a propósito ocorre deveras quando o ambiente da contenda é de palavrões, insultos, ironias infames, xingamentos e coisas que tais (e não o da boa ironia da maiêutica socrática, é claro).
No caso de um inimigo desleal que acuse de forma insana o seu oponente, inventando teorias sofisticadíssimas sobre as suas supostas más intenções do coração (pelo amor de Deus, nem mesmo a Igreja julga o foro íntimo!), a coisa é tremenda, e o conselho prudencial é o seguinte: jamais usar dos mesmos expedientes, para não sucumbir à contenda má — que é um verdadeiro preâmbulo do inferno nesta vida.
Pois muito bem, não sou professor de malícia. Mas isto não implica dizer que não tenha a clara visão dela, quando se apresenta à minha frente, num espetáculo aterrador. Portanto, digo algumas coisas a propósito da discussão recente que gerou este texto:
1ª. Ela não se transformará em contenda má, simplesmente porque não vou deixar, ainda que a outra parte espume de raiva, invoque os demônios para fazer uma infestação local aqui em casa, etc. Para tanto, peço uma modesta contribuição a pessoas que (talvez por simpatia para comigo) me têm mandado mensagens com conteúdos das “lições” recentes do professor acerca da minha minúscula pessoa: não façam isto! Entre outras coisas, porque o seu “apostolado dos palavrões” (atividade chulíssima para a qual apresentou um padroeiro oficial, no vídeo em que faz carícias no meu ego, com insultos) interessa-me tanto quanto as conseqüências deletérias da eructação dos cangurus australianos para a camada de ozônio. Repito: o meu interesse por esses conteúdos e por qualquer opinião sobre a minha pessoa é, matematicamente, o seguinte: zero menos nada. Até porque prefiro confiar na Providência Divina, em lugar dos estratagemas humanos.
2ª. Por um desses emails fiquei sabendo que sou um “pérfido inconsciente”, conceito autocontraditório com o qual fui agraciado, idéia que, por decoro, prefiro não destrinchar por aqui. Basta apenas dizer que a perfídia, conforme aprendi numa prova cabal extraída da obra do Aquinate, pressupõe a plena consciência do malefício na ação. Logo, um pérfido inconsciente é algo tão possível quanto um círculo quadrado. Seria melhor, portanto, chamar-me de “homem dos infernos”, “pérfido diabólico” ou de coisa até pior, mas não disso aí — que é uma impossibilidade lógica e ontológica, e eu não me sinto nem um pouco lisonjeado por ser chamado de uma coisa que não existe. Ademais, nada disso me interessa, portanto não enviem mais esses conteúdos “filosóficos” para mim. Não vivo disso, tenho mais o que fazer, várias atividades profissionais que me tomam tempo, pessoas que dependem de mim, etc. E não tenho o menor interesse em obter informação de qualquer ordem sobre a vida ou as atividades desse professor, a quem pessoalmente não desejo nenhum mal. E não tenho o menor interesse sobretudo depois da forma desleal, mesquinha, feia, desproporcional e tola como agiu comigo. Por isso reitero: não me mandem mais essas coisas! Se não as indico a outras pessoas, por que eu mesmo iria contemplá-las?
3ª. Continuaremos o modesto trabalho do Contra Impugnantes; da editora Sétimo Selo (que acabou de lançar seu último livro, e está finalizando o próximo); do Instituto Angelicum (com os DVDs); do SPES; etc. E não digo “modesto” por falsa modéstia, mas porque é isso mesmo: um quase nada que oferecemos como uma espécie de serviço teológico, neste momento de crise eclesiástica. Se é de fato um trabalho bom ou ruim, meritório ou demeritório, entregamos ao julgamento do Pai do céu.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Exercício de resposta em “sermo rusticus” — ou: chamando às falas um blasonador
Corrige o estulto, e ele te odiará.
Sidney Silveira
Se alguém fizer uma pesquisa por palavras neste blog, verá que, nos últimos três anos, o vocábulo “eu” (ego) quase não se encontra, graças a Deus. Ele é percentualmente não identificável. Peço no entanto vênia ao leitor para hoje abusar da tal palavrinha (ainda quando oculta por elipse), e os porquês já se verão. E também peço vênia ao leitor para descer momentaneamente o nível vocabular dos textos do Contra Impugnantes, pois a pessoa a quem me dirijo, o Prof. Olavo de Carvalho, mostrou-se um moleque, embora já entrado em anos, ou seja: os seus fios de cabelo branco não foram acompanhados da mais ínfima sabedoria prática e de bom senso. Só não vou chegar ao nível dos palavrões, porque patologias como esta não se curam com eles (seria como o médico receitar cachaça ao bêbado), mas só com um milagre, constato agora. E também por uma questão de princípios. Mas vou tratar o sujeito, sim, de acordo com o que exige a ocasião e com o que ele mostrou do seu caráter. Ninguém me contou. Eu vi.
Disse aqui eu que não partiria para o ataque pessoal contra o Prof. Olavo de Carvalho, mas vejo-me compelido a me defender; portanto, vai ter osso lascado. E digo que vou apenas me defender não para fingir histrionicamente uma superioridade moral, que ademais não tenho, pois decerto sou uma pessoa bem pior do que ele, devido aos meus tão reiterados pecados. Tampouco me cabe posar de coitadinho, pois quem me conhece sabe o quanto o sangue quente me corre nas veias — com a graça do bom Deus! —, e que a afetação é, para mim, coisa de emasculados espirituais, ou seja, de “mariquinhas”. Sou do tempo em que um molecote, ao brigar na rua, cuspia no chão e dizia ao outro: “Pisa aqui, se ‘tu é’ homem!”. A propósito, eu nunca quis posar de Santo, como o pobre retórico me acusou, pois isto seria ridículo, embora sempre peça a Deus que me dê a santidade (da qual disto infinitamente) e Lhe suplique para me livrar da condenação eterna, dando-me a graça da perseverança final. Sim, porque se eu pegar um Purgatório bem sofrido, já será um enorme lucro.
Muito bem, fui dormir ontem tranqüilo, após assistir à vitória da seleção brasileira de futebol na TV, e também depois de ter mandado uma mensagem direta ao Prof. Olavo avisando cavalheirescamente que responderia a este seu texto, e que não me quissesse mal, porque se tratava de objeções doutrinárias, e não pessoais, como ele presumira. E o sujeito foi dizer ontem à sua platéia que eu lhe fui puxar o saco. Pindamonhangaba! Ah, dizia-lhe eu na tal mensagem que, no tocante ao desbaratamento da esquerda no Brasil (e só quanto a este aspecto, e nenhum outro mais! o que ele entenderia facilmente se conhecesse a linguagem da cortesia e não tentasse adivinhar o coração alheio), eu lhe reconhecia os méritos e a coragem. Revelo isso aqui porque recebi, pela manhã, a mensagem de um amigo que descreve o espetáculo do programa de rádio do qual o Prof. Olavo é apresentador, um talk show de opiniões políticas proclamadas na língua adequada aos conceitos mentais ali veiculados. Pois bem, no talk show da noite de ontem ele leu a minha mensagem pessoal, para induzir os seus ouvintes a crer que eu o “admiro” indiscriminadamente, ou seja, simpliciter. Que pena, Olavo, a admiração que eu tinha quanto ao tópico isolado que tomava por louvável em sua ação (com várias ressalvas que não enumero agora, para não mudar de assunto) perdeu-se totalmente com esta atitude lamentável, seu mal-educado!
No tal programa — em que, dizem, habitualmente se “roga” à Nossa Senhora para que não se cometam injustiças (Santa Margarida Maria!) —, o apresentador mostrou-se um verdadeiro ledor das intenções ocultas do meu maligno coração. Bem, façamos um raciocínio disjuntivo: ou o Prof. Olavo tem a intuição direta da essência da maldade das almas alheias, como se contemplasse os entes a partir de espécies infusas por Deus em sua inteligência, ou é um acusador leviano, que, para se defender dos vários moinhos de vento que a sua prodigiosa imaginação cria, fere os outros porque a sua dolente alma não consegue agir de outro modo. Ora, nenhum ente humano possui a intuição direta das essências; logo, etc.
Seria decerto sucumbir a uma fraqueza humana partir para a “inguinorança” depois dos xingamentos dele à minha pessoa no último talk show, frisando que, se o Prof. Olavo tivesse 20 anos a menos, e eu ouvisse dele pessoalmente tais insultos, eu lhe daria uma santa surra de mão aberta. Ora, fazer isto com um homem uns 20 anos mais velho seria pura covardia, embora eu saiba muitíssimo bem que a velhice não pode abusar de suas imunidades. Lembro-me agora de uma passagem da vida de Olavo Bilac em que o parnasiano, escondido em Ouro Preto da fúria dos florianistas cariocas que o queriam literalmente pegar de pau, deu uns pedagógicos tapinhas num velho que o interpelou no saguão do hotel de forma caluniosa. Mas este certamente não será o meu caso com o venerando Prof. Olavo, pois, embora eu tenha, como ente humano, uma potência enorme para o pecado, é verdade que nem toda tentação pecaminosa passa da potência ao ato. E não será o caso desta vez, tenham certeza...
O fato é que tão elevado filósofo — cuja inteligência parece haurir sua força de uma luz beatífica gloriosa — não consegue receber uma objeçãzinha sequer à sua imaculada obra sem, patologicamente, acusá-la no ato como intenção maligna, quiçá diabólica, do objetor. Santo preparo! Imaginemos um Sto. Tomás de Aquino mandando o herege Siger de Brabante, ou outros piores, ir tomar naquele lugar, só para termos uma imagem em mente, e elevemo-la agora à enésima potência... É mais ou menos este o método “controversista” do Prof. Olavo.
Algo assim:
Premissa maior: Eu xingo a tua mãe. Premissa menor: Eu xingo a tua avó. Conclusão: Sou um gênio! Clap, clap, clap!
Sem dúvida, uma verdade em particular que ele costuma repetir é de fato absolutamente irrefutável. Ei-la: o Prof. Olavo afirma (toda vez que há uma ocasiãozinha para se auto-elogiar) que o Brasil é uma perdição intelectual de dar dó, dado ser ele o único filósofo nesta parte do continente esquecida por Deus e pelos homens. Bem, esta verdade possui uma prova apodítica, cabal, definitiva: ela está em alguns o tomarem por grande sábio! É uma inequívoca evidência, embora concedamos, com certa má-vontade, que seja ele um curioso comentador das efemérides políticas (em sentido maquiavélico)... Bem, tinha eu apresentado ontem um florete e avisado diretamente ao contendor da arma escolhida; de repente o sujeito, julgando-me um covarde adulador, aparece com pedregulhos e os atira sem aviso prévio... Agora, sim: após ler este texto, o insolente Olavo terá todos os motivos para me xingar durante meses, e com palavrões muito mais feios que os de ontem.
O Prof. insinuou na tal rádio que eu não estava sendo sincero ao escrever-lhe particularmente ontem, logo depois que li o seu arremedo de artigo-resposta, e foi dar o seu showzinho de quinta categoria no talk show, mostrando no ato como é péssimo leitor de almas, ou seja: não tem nem sombra daquilo que os místicos chamam de "discernimento dos espíritos". Sou um desgraçado, sim, Prof. Olavo, um pecador horrível — aliás estou dando provas inequívocas disto neste exato momento, ao adotar o seu modus mentis, por pura ira (embora, a meu ver, bem justa). Não obstante os meus pecados, caríssimo, tenho o hábito mental da sinceridade para com os outros, coisa que o Sr. ali mostrou não ter para consigo mesmo. Aliás, é com esta mesma sinceridade habitual que expresso agora o que vejo cristalinamente da sua pessoa, como intelectual. E que Deus me perdoe se nisto eu estiver agindo mal, e me mostre. Mas não é esta a minha sensação, por razões óbvias.
Ao final da tarde de hoje, quando tive um tempo para escrever, meu querido irmão, que conhece a têmpera com que papai do céu me fez, disse: "Calma, rapaz! Não vá perder a razão". E o Prof. Carlos Nougué, companheiro de blog e grande amigo, não apenas telefonou-me, como mandou vários emails pedindo: "Não desça o nível. Pense, isto não é linguagem de um tomista” (ao que lhe dou toda a razão, mas não é como estudioso da obra de Santo Tomás que respondo aqui, e sim como alguém que não tem sangue de barata para ouvir um maledicente profissional referir-se a mim da forma como ele o fez). Vários alunos do próprio Olavo, chateados com a sua "caridosa" reação ao “evitar chamar-me de palhaço”, e também com os impropérios do tal programa, apesar de habituais, disseram-me por meio de mensagens particulares, certamente imbuídos de boas intenções, o seguinte: "Cuidado com o que você vai falar, pois ele irá persegui-lo". Peço perdão ao nobre amigo Carlos e ao meu irmão Ricardo, pois faço agora o que manda o meu coração e o que me parece muito acertado, não sem alguma dor na alma, porque não era este o espírito com que eu escreveria esta resposta — mas o sujeito exorbitou no seu programa e não tenho, definitivamente, espírito de múmia.
Com relação ao último conselho (o dos alunos do Prof.,) respondo serenamente que, depois de passar por uma situação vexatória há alguns anos, em que minha vida foi exposta ao ridículo diante de colegas de trabalho, de familiares e de amigos, perdi totalmente os chamados respeitos humanos. O meu medo maior, como cristão, não é o de ser perseguido por “A”, “B” ou “C”, mas o de ir para o inferno, do qual nos livre Deus — inclusive a mim e ao Prof. Olavo.
Volto às minhas tarefas profissionais. E às publicações da editora que esperam a minha revisão.
P.S. A propósito, este texto foi tão-somente uma resposta ao homem Olavo. Ou seja: conversa de homem para homem. Quanto ao que ele imagina serem tanto o “tomismo” como o “neotomismo”, falo depois, para não misturar os canais neste momento. Tenho mais o que fazer, por ora.
