quinta-feira, 7 de abril de 2011

O evento deste sábado, 09/04

Sidney Silveira

Passo hoje aqui apenas para informar aos interessados que as inscrições para o evento deste sábado (09/04) se encerram nesta nesta sexta-feira; para tanto, basta mandar uma mensagem de confirmação para o endereço eletrônico que consta da postagem do link acima.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Raimundo Lúlio: “Maomé foi um enganador que fez um livro chamado Alcorão"

"Nessa iluminura de um manuscrito italiano do séc. XIV (possivelmente de Gênova), Virgílio (70-19 a.C.) e Dante (c. 1265-1321) (à esquerda, com uma veste azul) encontram-se no nono abismo do Inferno. Horrorizado, o poeta abre os braços e vê os “semeadores de escândalo e cismáticos”, percorrendo eternamente a vala onde, a cada volta, são cortados ao meio por um diabo com uma enorme espada (à direita). Antes de fecharem suas feridas, na volta seguinte, eles são novamente cortados. Por toda a eternidade. No centro da cena, Maomé, o principal semeador de escândalos, mostra a Dante as suas entranhas, seu “ascoso saco no qual em fezes se torna o que é tragado”. À sua esquerda (direita da cena), está Ali, com o corpo roxo, fendido, caminhando em direção do diabo (Inferno, Canto XXVIII, 22-63). MS. Holkham misc. 48 (Norfolk, Holkham Hall, MS. 514), p. 42". [por Ricardo da Costa]

Sidney Silveira

No IX EIEM - Encontro Internacional dos Estudos Medievais, a realizar-se em Cuiabá entre os dias 04 e 07 de julho de 2011, sob coordenação da Associação Brasileira de Estudos Medievais - ABREM, o Prof. Ricardo da Costa, meu querido irmão, apresentará um paper intitulado "Maomé, um enganador que fez um livro chamado 'Alcorão': a imagem do Profeta na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)". O título (com uma expressão retirada de uma obra do filósofo catalão) é de arrepiar os delicados e ecumênicos ouvidos dos que hoje propugnam a tese falaciosa de que Lúlio é o pai do chamado "diálogo inter-religioso". Em muitos casos, trata-se de professores e filósofos financiados com milhões de euros espraiados por institutos na Europa e, também, nos EUA — com testas-de-ferro no Brasil e outros países periféricos. Na prática, estes homens nos brindam com mais um cavalo de Tróia do modernismo católico-liberal: a tentativa de tornar o ecumenismo "acadêmico", "filosófico" e historicamente defensável. Um absurdo! Tudo a serviço de uma Igreja tão fundamentalmente antiapostólica, como a atual.

Na Apresentação do livro "Raimundo Lúlio e As Cruzadas", denunciamos quão mentirosa é essa tese, com base nos textos explícitos e inequívocos do próprio autor catalão, o que provocou murmúrios de lulianos no Brasil, alguns inclusive dedicados à detração de pé-de-ouvido deste insignificante escriba, chamado de nomes não muito agradáveis, palavras às quais dou, pessoalmente, a mesma importância que possui o espirro de uma formiga — embora se deva dizer que, na verdade, se trata de formigas desimportantes em si, mas ecumenicamente endinheiradas, o que lhes dá grande escopo de ação e difusão das idéias do neocatolicismo, tão açucarado como uma fruta envenenada.

A seguir, leia-se o abstract desta comunicação do Prof. Ricardo da Costa:

"Resumo: O trabalho analisa como o filósofo Ramon Llull tratou pejorativamente de Maomé (c.570-632) e do Alcorão em seus escritos, apresentando o Profeta como um homem impuro, endemoniado, epilético e enganador, e o Alcorão como uma obra confusa, enganosa e recheada de falsidades e canções luxuriosas. Para tal, valho-me dos tratados O Livro da Intenção (Llibre d’intenció, c. 1274-1283) e a Doctrina pueril (Doutrina para crianças, c. 1274-1276), dedicados ao seu filho Domingos, mas também do Liber de Passagio (O Livro da Passagem, 1292), do Liber de fine (O Livro Derradeiro, 1305) e do Liber de acquisitione Terrae sanctae (Livro sobre a aquisição da Terra Santa, 1309), obras cruzadísticas em que Llull analisou como a Cristandade poderia – e deveria necessariamente – recuperar a Terra Santa e converter os infiéis (muçulmanos); caso contrário, todos prestariam contas no Dia do Juízo Final. Para contextualizar historicamente o pensamento teológico-escatológico do filósofo catalão, apresento um afresco do pintor Giovanni da Modena (c. 1379-1455) e uma iluminura italiana do século XIV, imagens influenciadas pela passagem da Divina Comédia em que Dante (c. 1265-1321) coloca o Profeta Maomé no nono abismo do Inferno, junto com Ali, dilacerado por um demônio, entre os “semeadores de escândalo e cismáticos” (Inferno, Canto XXVIII, 22-63)".

Lido este resumo do Prof. Ricardo da Costa, vale ainda dizer que, na verdade, Lúlio não faz outra coisa senão repetir o que dizia a Igreja do Islã, assim como os seus grandes Doutores, como Santo Tomás, que, numa famosa passagem Suma Contra os Gentios, afirma com todas as letras que Maomé adulterou o Antigo e o Novo Testamentos, proibiu os seus primeiros seguidores de ler a ambos, fez a sua religião crescer à força da espada e com promessas de prazeres carnais (a história das virgens no céu que serviriam como um harém para os justos era, para o Aquinate, assombrosamente absurda). Tudo bem: viva o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O filme sobre os Cristeros



Sidney Silveira

Um amigo acaba de mandar-me um link com o trailer do filme sobre os Cristeros — verdadeiros mártires mexicanos —, lançado recentemente. Tomara Deus que o enfoque da obra seja de molde a mostrar o que foi esta luta pelo Reinado Social de Jesus Cristo, sobre o qual tanto o Nougué já falou aqui no Contra Impugnantes e tanto engulho causa aos católicos liberais, amantes da deusa democracia, do capital especulativo (ao qual dão os mais sofisticados nomes), da liberdade política para o erro, etc. É pagar para ver!

domingo, 3 de abril de 2011

Evento tomista no próximo sábado (09/04): 0800



Sidney Silveira

No próximo sábado (09/04), haverá novo evento tomista no Rio, ocasião em que se dará continuidade ao tema dos Anjos, em Santo Tomás, e também se apresentarão os Princípios Metafísicos da Ordem Moral. Desta vez, o encontro acontecerá na sede da Aberj, no Centro do Rio, localizada na Rua do Ouvidor, nº 50, 12º andar, sala C, quase esquina com 1º de Março.

A programação é a que segue:

De 9h às 12h

1- OS ANJOS

De 14 às 17h

2- PRINCÍPIOS METAFÍSICOS DA ORDEM MORAL

Como da última vez, o evento é custo zero! Portanto, todos os amigos do Rio de Janeiro ou de cidades próximas que quiserem participar estão, desde já, convidados. Pedimos apenas que confirmem presença pelo email r.angelorum@gmail.com, do Grupo de Estudos Regina Angelorum, que me convidou para este dia de aulas com enfoque na doutrina de Santo Tomás de Aquino. Ah, e assim como ocorreu na última ocasião, serão vendidos aos interessados DVDs da série A Síntese Tomista e alguns livros da editora Sétimo Selo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A infernal metodologia da desordem

Sidney Silveira


Chegou-me ontem o novo número da revista Le Sel de La Terre, dos dominicanos contemplativos de Avrillé, na França. Simplesmente sensacional! Se tivéssemos entre nós publicações periódicas com esta qualidade, certamente formaríamos uma elite de católicos não contaminados pelos liberalismos político, econômico e, o pior de todos, religioso — ou seja, o que engendrou o modernismo condenado na Pascendi e, aos poucos, foi tomando conta da Igreja até ser “consagrado” nos documentos Concílio Vaticano II. Digo mais: se tivéssemos entre nós publicações periódicas como esta, formaríamos católicos preparados para lutar, cada qual em seu âmbito restrito, pela civilização cristã, que ao fim e ao cabo não é outra coisa senão a conformação das sociedades à lei sublime do Evangelho. Formaríamos uma elite filosófica e teologicamente preparada para lutar pela recatolicização da Igreja, hoje tão secularizada, mundanizada, naturalizada, sexualizada, infantilizada. Tão amiga do mundo, em todos os níveis hierárquicos.


Li ontem mesmo os dois primeiros artigos deste número de Le Sel de la Terre. Num deles, assinado por Philippe Girard, é mostrada com toda a clareza (e farta documentação histórica) a trajetória da política francesa desde 1879 — quando Jules Grévy, primeiro presidente franco-maçon, assume o poder — até 1905, ano em que é aprovada a lei da separação entre a Igreja e o Estado, prontamente condenada por São Pio X. Neste período, governado por uma sucessão de maçons de diferentes lojas, foram sendo aprovadas leis que:


1- retiraram os representantes da Igreja do Conselho de Ensino Superior do país (1879)[1];


2- deram ao Estado o monopólio dos diplomas universitários (1880);


3- desbarataram a Compania de Jesus, sob o argumento de que a congregação, tão presente no ensino, precisaria passar por regulamentação (1880);


4- organizaram o ensino secundário para as mulheres (1880), com vistas a criar condições favoráveis para a retirada das mães de seus lares e, por conseguinte, para a eclosão do movimento feminista, anticatólico por excelência;


5- tornaram o ensino primário (que se laicizava) obrigatório dos 6 aos 13 anos (1881);


6- suprimiram a lei de imobilidade dos magistrados (1883), com o intuito de que o Estado dominado por presidentes e ministros maçons pudesse mudar os magistrados de um lugar a outro do país, ao seu bel-prazer, de acordo com as conveniências da nova política laicizante;


7- retiraram os religiosos do ensino primário (1886), para não “contaminar” as crianças com o Catecismo;


8- instituíram sanções penais para os religiosos que criassem estabelecimentos de ensino privados sem autorização do Estado (1901). Neste tópico, para se ter uma vaga idéia do sistemático ataque à Igreja, no ano de 1904, em apenas uma semana (!), 2.200 pequenos estabelecimentos de ensino católico privados foram fechados;


9- enfim, separaram na forma da lei a Igreja do Estado (1905).


Ora, o que hoje sucede intra Ecclesiam (ou seja, desde os seminários até o Magistério dos Papas), naquele período aconteceu extra Ecclesiam (ou seja, no plano político): nos dois casos, a tsunami da secularização liberal veio precedida e, depois, acompanhada de um metódico desmantelamento legislativo, ou seja, da aprovação de um conjunto de leis cujo propósito era pôr fim à conformação católica da sociedade — primeiro, leis políticas, com o objetivo de dessacralizar o mundo; depois, leis eclesiásticas, que foram dessacralizando o próprio Corpo Místico e, na teoria e na prática, transformando a Igreja, como diz o Pe. Calderón no livro Prometeo, na Religião do Homem, doutrinal, pastoral e liturgicamente. O resultado imediato desta última revolução, a católico-liberal, foi o seguinte: falta de vocações, multiplicação das seitas pseudocristãs em progressão geométrica, redução drástica das conversões, imoralidade crescente, liturgia protestantizada, etc. Estes são os frutos da infernal metodologia da desordem.


Mas voltemos à França de antanho, naquele momento crucial da história recente. Nas palavras de Jules Ferry, franco-maçon adepto do positivismo — e que foi o ministro da Instrução Pública na França naquele período de grande ataque à Igreja —, “o propósito [do seu grupo] era organizar uma humanidade sem Deus”. E hoje podemos dizer que ele e os seus asseclas maçons conseguiram, no primeiro momento. Mas, para completar o serviço era ainda necessário vencer, num segundo momento, as resistências da Igreja, infiltrando-se nela para maquiavelicamente corroê-la por dentro. E assim foi feito.


Em resumo, ninguém ataca frontalmente uma sólida fortaleza; é preciso, em primeiro lugar, ir aos pontos mais fracos e minar o adversário aos poucos. Primeiro foi necessário transformar o Estado em um monstro opressor dos indivíduos; depois, para “melhorá-lo”, propugnar a sua separação da Igreja e de suas leis; por fim, infiltrar esta última a ponto de fazê-la defender ela própria a separação formal entre os planos material e espiritual.


Assim age o demônio: com persistência e método na disseminação do mal. Graças à Deus, a sua derrota final é certa, assim como a de todos os seus servos inúteis.


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1 - É claro que, para um liberal católico dos dias de hoje, a simples existência de um Conselho Superior de Ensino Público é um verdadeiro non sense, pois ele identifica univocamente o público com as estruturas do Estado, e vê neste quase uma desnecessidade — justamente por ter perdido a noção de que o bem comum público é transpolítico, ou seja: há uma ordenação do bem comum político ao fim último do homem: Deus. Reiteremos: esse católico modernista perdeu a noção de que, como diz Jorge Barrera no livro A Política em Aristóteles e Santo Tomás, o homem busca politicamente fins transpolíticos. Era com isto em vista, justamente, que Leão XIII dizia que, dentre os bens a ser protegidos pelo Estado, em primeiro lugar estão os da alma.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A grande arte de tocar violão (III)

Sidney Silveira

Desta vez, com John Williams, acompanhado de orquestra, tocando o famoso Concierto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo. Ouça-se aqui. Biscoito fino, com sabor ibérico. Assim como este aqui, com a prodígio Ana Vidovic interpretando Albeniz — ela que já havia sido indicada em outro post que fazia referência a este link.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Veiculação postergada

Sidney Silveira

Terminei hoje um texto intitulado "Os modos da calúnia", composto a propósito de uma celeuma em que me vi envolvido, em virtude de uma Srª. de uma associação católica de São Paulo, num juízo para lá de temerário, ter-me atribuído um ato — com patente intenção difamatória — que não pratiquei, pois, como se frisou noutro texto, não me julgo articulador dos destinos espirituais alheios, sobretudo naquilo que os melhores teólogos chamam de "matéria opinável", ou seja: aquela em que há margem razoável para discussões. No entanto, dada a incomensurável quantidade de emails que recebi ontem e hoje (alguns de pessoas que pareciam trazer pendente nos lábios a sanguinolenta baba de Caim e gostariam que eu fosse o vingador de suas feridas passadas), decidi não publicá-lo, pelo menos no calor do momento, para não incorrer no pecado de rixa. Fica mais para frente a sua veiculação no Contra Impugnantes, até porque, relendo-o agora, vejo que se aproveita.

Em tempo: Aos que me escreveram encomendando os DVDs da aula do Nougué "Bach e a Harmonia das Esferas", prometo responder até sexta.