Espaço destinado a combater a insidiosa e multiforme cultura liberal, que tem entre as suas raízes mais daninhas: uma falaciosa noção de liberdade humana; a idolatria — implícita ou explícita — da consciência individual; a separação entre natureza e moral; a contraposição entre Estado e indivíduo; a dissolução da Religião em categorias morais sem fundamento metafísico; a perda da noção de bem comum político.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A virtude não é natural no homem — e a virtude da Prudência, etc.
O cristianismo norte-americano
Sidney Silveira
No breve porém instigante artigo veiculado no blog do SPES intitulado Judeu-Calvinismo contra Catolicismo, assinado por D. Curzio Nitoglia, lê-se a certa altura que o cristianismo norte-americano foi modelado pela corrente mais radical do puritanismo clássico europeu, o que está corretíssimo. A propósito, como se afirma ali, o puritanismo tinha o objetivo de purificar a igreja anglicana de alguns de seus excessos e incongrências radicais, e para tal empresa assumira os princípios do calvinismo.
De tal fonte surgiram, por exemplo, os movimentos moralizantes que nos EUA se lançaram, em meados do século XX, numa cruzada contra as bebidas alcoólicas, diz Curzio Nitoglia. De tal fonte surgiu, por exemplo, a moral naturalista que hoje se mescla ao Catocilismo modernista e se lança numa cruzada contra o aborto** — o que, a princípio, parece assemelhar a Igreja ao protestantismo (no Brasil, tal consórcio acidental se dá com várias seitas evangélicas, que a propósito defendem publicamente com mais vigor a lei natural do que a Igreja representada pela marxista CNBB. É um dentre tantos retratos de como a Igreja Católica, fechando-se ao sobrenatural, primeiramente se naturalizou e depois simplesmente se desnaturou).
Diz mais o ótimo D. Nitoglia:
“Temos de admitir que, em geral, o Catolicismo norte-americano, mesmo o pré-conciliar, é rico em [ecumêmica] tolerância por princípio e em uma excessiva integração que tornou o ambiente católico muito similar ao da maioria protestante”.
Ocorre que, do ponto de vista católico tradicional, a única e verdadeira Igreja de Cristo, a vera religio, é a católica, razão pela qual só podemos chamar de “cristãs” as seitas desgarradas, desligadas ou afastadas da Santa Sé por uma muito forçosa analogia.
Por estas e outras razões, o cristianismo predominante nos EUA (ponho-o em minúscula propositadamente), devido a ser uma mescla de puritanismo calvinista e modernismo católico, não é outra coisa senão o monumental instrumento para o estabelecimento do governo mundial do anti-Cristo.
Uma perguntinha: porventura poderá haver no céu algo semelhante à anticatolicíssima Primeira Emenda norte-americana? Bem, eximo-me aqui de mencionar uma avalanche de citações do Magistério solene da Igreja contra esse tipo peculiar de “liberdade” de expressão de idéias e — dada a natureza das relações entre o poder espiritual e o poder material — contra a separação entre o Estado e a Igreja, na forma da lei positiva humana...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Madeleine-Claudine (um conto)

Madeleine-Claudine
No parecer do vulgo, deve haver um brutal equívoco na placidez com que Madeleine-Claudine se mantém de olhos fechados, alheia ao céu ameaçadoramente nublado e à fúria da multidão. Naquele instante, ela sente como se a felicidade fosse o esgotamento das possibilidades humanas que, no final das contas, faz uma pessoa apartar-se de tudo, beco sem saída onde a alma encontra a liberdade.
Madeleine-Claudine e suas companheiras entoam cânticos durante todo o acidentado percurso da Conciergerie à Praça da Concórdia, onde em Paris as vozes discordantes vêm sendo higienicamente silenciadas, pelo bem da nova ordem política. Ao vê-las passar, algumas moças às lágrimas lhes atiram flores, enquanto outras, as “lambedeiras de guilhotina”, praguejam terrivelmente, insultam, xingam a plenos pulmões [Fanáticas desgraçadas! Cadelas! Daqui a pouco veremos as suas cabeças num cesto. Vocês merecem, traidoras. Porcas imundas! Estão pagando pelo que fizeram, malditas]. Ela ouve estes e outros impropérios de olhos baixos e sem dizer palavra, sabedora de que não pode haver convicção na eloqüência maledicente porque só a verdade ata o espírito. Geralmente, ofender é uma fabulação de imagens ou conceitos pela qual alguém falsifica a própria consciência, e aquele palavreado acusatório era vazio, típico de quem não sabe o que diz, embora diga-o de caso pensado. Madeleine-Claudine aprendera em suas meditações e na experiência cotidiana que na malícia há sempre uma radical dose de ignorância, e escolheu manter-se calada.
No último e supremo esforço para dizer algo, monseiur Lavelle entreabre os lábios e diz algumas palavras ininteligíveis, mas expira antes de revelar a secreta ligação existente entre o ódio e a omissão.
sábado, 3 de dezembro de 2011
As virtudes teologais
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Sobre os certificados do evento "Santo Tomás, médico da alma".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
"De Institutione Musica", de Boécio: tradução do Livro 1 na rede
Sidney Silveira quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Dois textos no SPES: pitagorismo e arte