sábado, 5 de março de 2011

Da série "Pelos frutos conhecereis a árvore": o que a imprudência acarreta

Sidney Silveira
Sem entrar, por falta de tempo, no mérito do caráter não-magisterial de mais essa opinião privada do Papa (caso análogo ao da "
camisinha do prostituto" e outros tantos), chamo atenção para o seguinte: a imprudência absoluta mostra os seus frutos na reação que já está suscitando. Até quando vamos assistir a isto? Ou melhor, sabemos (por promessa de Cristo) que este jogo será virado espetacularmente... Mas quando, Deus? Estamos, todos os que amamos a Tradição, cansados de parecer mais realistas que o rei, de ser a formiguinha insignificante que enfrenta o poderoso paquiderme. Que Deus não nos permita perder a Fé, com exemplos tais.
ADENDO: Recebi um email do Nougué com uma advertência que não me parece ociosa. Tendo-a como parâmetro, observo o seguinte: quando digo sabermos que haverá uma virada "espetacular", apenas refiro-me à vitória final, ao fim que será posto ao atual estado de coisas (que, a propósito, ainda prenuncia piorar muito, de forma crescente e devastadora!), e não a uma suposta restauração temporal da Cristandade, crença de sabor milenarista de que não partilho.

sexta-feira, 4 de março de 2011

"O Êxtase da Intimidade - Ontologia do Amor em Tomás de Aquino", novo livro da Sétimo Slo


Sidney Silveira
Finalmente está no forno o próximo livro da Sétimo Selo, que começará a ser vendido neste mês de março: O Êxtase da Intimidade - Ontologia do Amor Humano em Tomás de Aquino, do filósofo espanhol Juan Cruz Cruz. Trata-se de uma abordagem do fenômeno do amor a partir de uma perspectiva metafísica. Num próximo "post", trarei novas informações sobre a obra.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A culpa dos que crucificaram a Cristo (e a dos seus descendentes), segundo a doutrina tradicional e hoje

Sidney Silveira
Num conhecidíssimo Sermão, Gregório Magno, último dos Padres Latinos e também Papa (e Santo!), escreveu não menos que o seguinte:

“Nós, por nossa Fé, nos tornamos filhos de Abrahão; os judeus, por sua perfídia, deixaram de sê-lo”.

Quem percorre a história do Magistério da Igreja acha, sem o menor esforço**, incontáveis sentenças no tocante à posição eclesiástica quanto à situação espiritual e histórica dos judeus. O sentir comum é unânime e atravessa os séculos — desde a Tradição, passando pelos Padres Gregos e Latinos, pela Idade Média, os períodos da Reforma e da Contra-Reforma, os séculos que assistiram ao nascimento das Revoluções liberais, até... Pio XII!!!! É o seguinte:

a) culpa pessoal daqueles judeus cuja perfídia levou Cristo à crucificação. Isto é um dado de Fé com base na Sagrada Escritura, pois diz Nosso Senhor a Pilatos: “Quem te entregou a mim tem maior pecado” (Jo. XVIII, 11).
b) culpa coletiva dos judeus por negarem o Messias anunciado pelos Profetas. Ademais, como vários Doutores e Santos sempre frisaram ao longo de séculos sem fim, referendados pelo Magistério da Igreja, pesa sobre o povo judeu nada menos que um deicídio. Isto é o que se ensinava.

Não à-toa, até as reformas trazidas pelos ventos modernistas, rezava-se pela conversão dos judeus na Santa Missa. Isto mudou, como também mudaram o Código de Direito Canônico, o Catecismo, a liturgia, os ordenações sacerdotais, o modo de ministrar os sacramentos, etc.

Penso que, da mesma forma como logo encontraram um teólogo para justiticar as palavras do Papa Bento XVI com relação ao uso de preservativos por prostitutos, logo aparecerá um dos chamados “hermeneutas da continuidade” para
justificar isto aqui...

** Não vou enumerar as citações, até porque elas são incontáveis; busque-as quem puder (e quiser) no Denzinger, pois estou sem tempo para isto no momento.
Em tempo: O diálogo interreligioso com os judeus pode resultar numa revisão do texto evangélico, mais dia menos dia...
A começar no trecho que diz: "E o povo todo [judeu] respondeu: 'Caia sobre nós o seu sangue e sobre os nossos filhos'. (Mt. XXVII, 25).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

"TV" Contra Impugnantes: O pecado de Lúcifer (I)

Sidney Silveira
Enquanto sigo sem tempo para escrever, disponibilizo o primeiro de dois trechos de uma aula em que se fez menção ao pecado de Lúcifer, ou melhor, à indagação de Santo Tomás acerca de como foi possível a uma inteligência tão elevada (como a angélica) errar, querendo ser como Deus. Ou por outra: a) como tal inteligência pôde supor ser possível ser como Deus; b) e, supondo isto, qual a característica de Deus que o anjo caído quis para si...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Evento de fundação do SPES

Sidney Silveira
Meu querido amigo e companheiro de blog Carlos Nougué participará, neste final de semana, do encontro que demarcará a fundação do Seminário Permanente de Estudos Sociopolíticos Santo Tomás de Aquino - SPES. Infelizmente, desta vez não poderei estar presente em BH com os amigos do Index Bonorvm, que capricharam na organização do evento e na escolha do local, como se pode ser neste link. Quem puder, compareça porque as palestras prometem...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Uma imagem de Santo Tomás no Museu do Vaticano


Sidney Silveira
Um amigo meu acaba de chegar de Roma, e, em visita ao Museu do Vaticano, tirou a foto acima. Como se trata de imagem pouco conhecida, eu a compartilho com os nossos leitores. Entre outras coisas, vemos a Virgem Maria e, acima dela, a pomba do Espírito Santo. Mais abaixo, Santo Tomás de Aquino e, ao pé dele, Aristóteles...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A contemplação das causas

Sidney Silveira

Em seu estupendo Comentário ao Prólogo do Evangelho de S. João, o Aquinate diz que a contemplação do evangelista para escrever aquelas reveladas palavras lidas ao final de toda Missa no rito tridentino (in principio erat Verbum et Verbum erat apud Deum et Deus erat Verbum) foi ampla e perfeita. Ampla porque a contemplação é ampla quando alguém considera todos os efeitos da causa na própria causa. A saber: quando conhece não apenas a essência da causa, mas também a sua virtude, pela qual a causa se estende a muitas coisas. A contemplação joanina foi também perfeita, de acordo com Santo Tomás, porque a contemplação é perfeita quando o que contempla é conduzido e elevado à altura da realidade contemplada. Assim, se João permanecesse em seu ínfimo nível humano, por muito altas que fossem as realidades contempladas por ele, não haveria contemplação perfeita.

Podemos dizer, em sentido análogo, exatamente para o que serve uma grande filosofia: para elevar-nos à contemplação das causas universais do ser e tentar ver tudo nelas, ou a partir delas. Neste sentido é que reiteradas vezes frisamos no Contra Impugnantes a importância da metafísica, sem cujo estudo continuado a filosofia acaba transformando-se numa má gnosiologia, numa antropologia capenga e numa lógica esquizofrênica. E mais: numa teologia abstrusa, como é o caso de todos os modernismos que há 50 anos dominam a cena eclesial. Neste contexto, toda vez que vou a Tomás e volto à nossa realidade, sou tomado por um sentimento de tristeza, ou melhor: pela triste compreensão da situação atual...