terça-feira, 14 de dezembro de 2010

“A Síntese Tomista”; agradecimento

Sidney Silveira

Agradeço às pessoas que enviaram emails elogiando o conteúdo dos dois primeiros DVDs da coleção “A Síntese Tomista”. Não há como responder a todos, por absoluta falta de tempo. Faço-o aqui pelo Contra Impugnantes e reitero que o propósito maior deste trabalho é resgatar um tomismo hoje relegado a bolorentos manuais considerados ultrapassados pelos próceres daquilo que o Pe. Garrigou-Lagrange ironicamente chamava de Nouvelle Théologie — que devastou a doutrina católica de forma insidiosa.

No próximo ano esperamos conseguir não apenas tocar este projeto, mas também continuar as edições da Sétimo Selo, cuja linha é absolutamente a mesma. Prometo algumas novidades a partir de janeiro com relação a livros que, infelizmente, embora prontos, não conseguimos lançar neste segundo semestre de 2010.

Por isso, com relação aos DVDs, continua valendo o que se afirmou aqui.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A necessidade da oração

Sidney Silveira

Depois de ver a que deploráveis condições pode levar o pecado, indico dois breves e belos textos sobre a necessidade da oraçãoaqui e aqui, no sítio Regi Saeculorum.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O demônio no corpo e na alma: reflexos do inferno na cultura atual

Piercings, tatuagens e operações cirúrgicas feitas com o objetivo de deformar o corpo são estimulados pela Church of Body Modification.


Fãs de Marilyn Manson* que se diz “cidadão do inferno” — renunciando publicamente ao Céu e se consagrando a Lúcifer, durante um show do roqueiro.


Sidney Silveira

O demônio luta para apartar de Deus o maior número possível de almas. Com as suas tentações, obsessões ou possessões, o Maligno age em todos os âmbitos da vida humana com o sistemático propósito de deformar as almas conformando-as a si — e, por conseguinte, apartando-as da religião fundada por Cristo em pessoa, hoje tão combalida pelo modernismo que corrompe a sua doutrina em nível até então inimaginável. Esta é, a propósito, a grande luta que serve como sombrio pano de fundo de absolutamente toda a história humana, desde o paraíso edênico até o Juízo Final. Sendo assim, por trás de todas as filosofias errôneas, por trás de toda deformação do bem comum político, por trás de todo esfriamento da fé que as almas tíbias experimentam, por trás de todas as distrações pecaminosas que o mundo oferece, por trás de toda maldade, direta ou indiretamente, está o inimigo da nossa salvação.

Como não poderia deixar de ser, a deformidade de uma alma que se deixa seduzir pelo mal sempre acarreta reflexos para o corpo: seja o indolente abatido pela acídia; seja o descontrolado que não teve a fortaleza para reprimir os impulsos da ira má; seja o lúbrico cuja luxúria se deixa entrever no olhar e, também, na tensão de certos movimentos corporais; seja o murmurador que destila a sua inveja contra aqueles cuja excelência, espititual ou material, odeia; seja o comilão que chafurda porcinamente na gula; seja o ganancioso deprimido pela própria avareza, que o torna tão infeliz; seja o pretensioso que por sua vaidade faz malabarismos para colocar-se acima das demais pessoas; em suma, em todos esses casos, o corpo (ao qual a alma está indissociavelmente ligada como princípio superior) dá sempre algum sinal das patologias anímicas.

Mas diga-se que deformar o espírito é o propósito maior do demônio, sendo as deformidades corporais um acidente, em sentido metafísico. A sua meta é tornar o espírito humano canhestro, mesquinho, desmedidamente autoconfiante, soberbo, ganancioso, invejoso, distraído dos valores espirituais, avaro, vanglorioso, fantasmagoricamente sensual, refém de uma eriçada escrupulosidade, pusilânime no cumprimento dos deveres morais mais elementares, etc. Por essas e outras, ensina Santo Tomás na Suma Teológica que não pode haver amizade entre homens e demônios, pelo seguinte: em sentido próprio, a amizade é a comunicação objetiva de bens espirituais, e uma criatura cuja inteligência seja obcecada pela soberba e a vontade esteja obstinada no mal não pode comunicar esse tipo de bens de ordem superior.

Ora, toda vez que comunicamos a alguém um conteúdo inteligível qualquer, antes desconhecido por aquela pessoa — uma notitia veritatis —, diz-se por analogia que a estamos ‘iluminando’. Iluminar, pois, é manifestar a verdade e, manifestando-a, mostrar a fundamental relação dela com o fundamento de todas as verdades: Deus. Mas não podem os demônios fazer isto justamente por causa de sua perversidade supina, que adere ao mal sem paixões e com plena ciência, razão pela qual o Doutor Angélico afirma que o objetivo do demônio é diametralmente oposto a essa iluminação que culmina em Deus: é subtrair as pessoas da ordem divina, manipulando o pior tipo de mentiras — aquelas que usam de verdades isoladas para levar os homens ao erro com relação aos bens espirituais. Daí ser ele propriamente o ‘pai da mentira’, o pater mendacii.

Pois bem: começou-se dizendo que o mal da alma afeta o corpo. Ora, num mundo em que a Igreja depõe, a olhos vistos, o Magistério que custodia as verdades ensinadas por Cristo, nada mais conseqüente e lógico do que a multiplicação das deformidades espirituais e, também, das corporais. Hoje assistimos a uma satanização em massa, algo sem precedentes na história humana — por intermédio daquilo a que os idiotas chamam ‘cultura’ —, sob a omissão sumamente culpável das autoridades eclesiásticas, que, não raro a pretexto de defender a ‘liberdade’ de expressão, deixam de condenar publicamente os erros e as barbaridades mais gritantes que afastam o homem de Deus. Assim, vemos grandes hordas de pessoas moral e fisicamente deformadas caminhar loucamente para o Inferno, muitas vezes sem o saber, amputando em si não apenas a semelhança divina, mas também deformando o corpo de forma impressionante.

Na música, no cinema, no teatro, na literatura, na política, e, enfim, na filosofia, vemos claros sinais de práticas e idéias que literalmente fecham o homem ao influxo da graça. Ora, em qual época poderíamos conceber a existência de uma Church of Satan, como a que foi fundada nos EUA? Nem mesmo entre os pagãos! Em qual época poderíamos conceber ‘artistas’ que são claramente adoradores do Maligno, como por exemplo o roqueiro Marilyn Manson, que rasga bíblias em seus shows e pede aos centenas de milhares de jovens que o assistem que renunciem publicamente a Cristo e aceitem a Lúcifer como seu ‘mestre’ (cfme. foto acima)? Em qual época poderíamos conceber uma Igreja da Modificação do Corpo (Church of Body Modification), na qual os adeptos materializam no próprio corpo — consciente ou inconscientemente — os sinais mais gritantes de ódio a Deus?

Por isso digo, amigos: nunca a omissão da Igreja foi tão culpável, pois hoje, com a Internet, com um sistema de informações quase instantâneo em nível global, seria muito fácil não apenas evangelizar ex cathedra, como condenar solenemente essa cultura dos infernos. Ao escrever isto acabo de me lembrar de um padre neoconservador aqui do Rio de Janeiro — um desses afogados no superficialismo formalista — que me disse, para assombro meu, que a Igreja não pode anatematizar nada no plano da cultura, para não fazer publicidade das coisas más... Ao que respondi dizendo que a causa final do anátema não é haver ou não publicidade no mundo de determinada obra ou mentira, mas trabalhar para salvar as almas da perdição por meio de uma clara e magisterial defesa da verdade cristã e conseqüente condenação dos erros. A continuar nesse compasso, periga acabar bispo esse padre!

O fato é que a Igreja prefere hoje dizer que não canoniza nenhuma filosofia em detrimento das demais (como na mencionada Fides et ratio); prefere pregar o ecumenismo, em detrimento do discurso apostólico de conversão a Cristo e ataque aos falsos cultos e às falsas religiões. Alguém porventura imagina São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, dizendo aos romanos que gostaria de manter com eles um frutuoso diálogo inter-religioso e crescer em comunhão na verdade e no aprendizado com os seus deuses pagãos? Porventura Cristo pode aprender algo com Nicodemos ou, o que é pior, com os mitólogos gregos ou romanos? Ora, pensemos nos mártires que cristianizaram o mundo dando o seu sangue, e teremos noção do tamanho da absurdidade do ecumenismo, em qualquer das suas sofísticas formulações...

Encerro este breve texto observando que, de todas as maldades coordenadas pelo Maligno e por seus malditos servidores humanos, as mais sutis são as que se infiltram na filosofia e, também, na teologia, pois impedem a formação de uma elite espiritual sem a qual nenhuma sociedade pode tonar-se sã. Invertem a ordem das verdades e inoculam entre elas um conjunto de erros tão metodicamente perpetrados, que a sua ação impressiona a quem se colocou em situação capaz de testemunhá-la. Noutro texto, falaremos de algumas dessas idéias difundidas no mercado ínfero-brasileiro das pseudofilosofias liberais.

* Onde estava escrito o nome de outro satanista, Charles Manson, leia-se Marilyn Manson. Na hora de escrever troquei os nomes, por distração... De toda forma, seja um ou outro, o que importa é que são odiosas tais criaturas, assim como todas as que lhes prestam um diabólico culto idolátrico — e ter contato voluntário com elas, procurando saber amiúde ou com riqueza de detalhes o que fazem e como fazem, implica por si só um enormíssimo pecado que clama aos céus. Basta saber que são publicamente contra Cristo e a favor do demônio para que as odiemos com todas as nossas forças e nos apartemos delas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A “Fides et Ratio”, de JP II, segundo o Pe. Calderón

Sidney Silveira

Alguns estudiosos contemporâneos da obra de Santo Tomás insistem em dizer que a Carta Encíclica Fides et Ratio, do Papa João Paulo II, é ‘tomista’. Ou, como já li e ouvi de alguns, é a prova da 'formação tomista' do Papa JP II. Abstenho-me de comentar os porquês de tais assertivas — que vão do simples dolo contra a verdade a uma espécie de ignorância culpável —, mas, em prol da verdade, deve-se dizer que o conteúdo doutrinário da referida Encíclica absolutamente nada tem de ‘tomista’ — nem que, para aplicar tal designativo, usássemos de uma forçosa analogia de atribuição.

A prova cabal, apodítica, do que afirmo está em um dos apêndices do livroA Candeia Debaixo do Alqueire”, do Pe. Álvaro Calderón, no qual todas as principais proposições da referida Encíclica são colocadas sob uma lupa dialética que põe a nu toda a visão modernista que tal documento ecleciástico embute, desde o começo do texto até as palavras finais.

Diz o Papa JP II no início de sua famosa Encíclica:

“A Fé e a razão (Fides et ratio) são como as duas asas com que o espírito humano se eleva à contemplação da verdade”.

Comentando o proêmio papal, diz o Pe. Calderón que tal figura metafórica das asas expressa muito bem como se entendem as relações entre a Fé e a razão:

“A Fé aparece [ali] cooperando com a razão numa função paralela e de certo modo exterior, como a de uma asa com respeito à outra, diferentemente da imagem tradicional de uma fé que ilumina a razão, que atua por meio dela penetrando sua ação de modo interior, como a luz ao cristal”.

Depois desta arguta observação acerca da visão que a metáfora inicial da Encíclica embute, Calderón vai apontando em cada capítulo da Fides et ratio, para assombro dos leitores, a forma do pensamento moderno que subjaz ao texto e que inverte até mesmo as relações entre teologia e filosofia — deformando, por conseguinte, o tomismo. Diz Calderón, ao final desse apêndice: “O tomismo deve ser [na visão liberal] necessariamente novo, neotomismo, renovando-se a começar de suas raízes segundo as exigências e contribuições das recentes filosofias modernas. É ridículo pretender ser hoje tomista pura e simplesmente [simpliciter]! O problema do ser, ‘sem sombra de dúvida’, deve ser ressuscitado à luz dos neotons do cartaz modernista...

P.S. Aos interessados, o livro do Pe. Calderón pode ser encomendado pelo email rosangela@edsetimoselo.com.br.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Breve interstício lúdico

Sidney Silveira

Há quem, ao nos conhecer, se surpreenda por encontrar pessoas bem-humoradas, malgrado o teor da luta em que estamos e a situação dramática que a suscita. Ocorre que jamais nos esquecemos do seguinte: somos felizes porque lutamos pela Igreja e por sempre nos lembrarmos de que em Deus vivemos e somos. Ademais, sem o aspecto lúdico a vida perde muito do seu sabor cotidiano, e o próprio Santo Tomás dizia que o fastidium, ou seja, o tédio, é um impedimento formal para a aquisição do conhecimento. Daí que uma cota mínima de alegria despojada deva fazer parte de nossa vida, para o espírito não se tornar tenso ao extremo.

Assim, imbuído de uma alegria lúdica que me remete a uma paixão de infância, quando eu saía do estádio do Maracanã nos ombros do meu pai após cada vitória futebolística, deixo o registro de que o meu clube de coração, o Fluminense, o pó-de-arroz, tradicional tricolor das Laranjeiras (bairro da zona sul carioca), conquistou ontem, após 26 anos de espera, o título de campeão brasileiro de futebol.

Aqui, pois, remeto-nos ao hino mais bonito de todos os clubes brasileiros, tendo como pano de fundo um lindo sobrevôo sobre o Cristo Redentor, na minha cidade natal de São Sebastião do Rio de Janeiro; e, neste outro link, uma versão — dissonante, mas também bela — do mesmo hino tocado por um dos grandes pianistas brasileiros, igualmente torcedor do Flu. Hino que diz num trecho:

“Vence o Fluminense/com o verde da esperança/pois quem espera sempre alcança”.

P.S. E, ao meu amigo Angueth, torcedor do Cruzeiro de Belo Horizonte, segundo colocado deste ano, deixo o meu abraço de campeão!

P.S. 2. Vou "dedurar" o meu companheiro de blog e amigo Nougué: embora bem mais timidamente do que eu, é ele também um torcedor do Fluminense...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"TV" Contra Impugnantes: hábitos virtuosos e felicidade

Sidney Silveira
Veja-se neste trecho de aula algo da doutrina de Santo Tomás referente aos hábitos virtuosos, os quais por sua vez são conducentes à felicidade, que, na minha definição, é a "posse habitual do bem". Lembro que todas estas aulas integrarão a coleção "A Síntese Tomista".

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O liberalismo que se travestiu de 'católico': Nougué em grande forma!

Sidney Silveira
Veja-se neste link, do blog da Associação Cultural Santo Tomás, tocada pelo valente amigo Marcel Assunção Barboza, um trecho da palestra do Prof. Carlos Nougué ministrada em meados deste ano — no Mato Grosso do Sul — sobre o liberalismo cujo espírito enviesado invadiu a doutrina católica. Observa-se ali um Nougué em grande forma! E, a seu lado, D. Tomás de Aquino, prior do Mosteiro da Santa Cruz, em Friburgo. Imagem para mim cara de duas almas nobres e combatentes, cada qual em sua trincheira. Já salvei o vídeo no meu computador.
Em tempo: Chamo a atenção para as considerações finais do vídeo sobre a chamada hermenêutica da continuidade (e seu fundo hegeliano), e, também, acerca de uma verdade que para mim é pétrea: o principal problema da Igreja contemporânea em crise inaudita não é litúrgico, embora este seja tremendo, mas o problema litúrgico é que decorre de uma gravíssima devastação doutrinal estimulada pelas autoridades eclesiásticas...