segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A virtude existe?


Sidney Silveira

CURSO "PSICOLOGÍA DE LA TEMPLANZA"

O título desta postagem é a questão "an sit" pressuposta nas aulas do curso "Psicología de la Templanza" — comigo e com o Prof. Martín Echavarría, psicólogo e filósofo tomista. Trata-se do transfundo dos problemas a serem apresentados.

Por sua vez, a questão "quid sit" dará resposta efetiva à pergunta sobre "o que é" a virtude da temperança. Por fim, esperamos deixar claro qual é o modo próprio ("quomodo sit") da referida virtude.

Assim eram os escolásticos: mestres do método e da organização; assim hão de ser quaisquer apreciadores deste notável hábito filosófico. Portanto, para não escaparmos a um procedimento muito caro ao filosofar do Aquinate, apresentaremos primeiramente a virtude da temperança (parte do Prof. Martín), e somente depois mostraremos as principais características do seu vício contrário, a intemperança (parte que me caberá).

O nosso intuito é não deixar margem a dúvidas no tocante aos BENEFÍCIOS PSÍQUICOS provenientes da aquisição da virtude da temperança, e, no vetor contrário, pincelar com diferentes argumentos a enorme desgraça que é descambar no vício da intemperança — o qual não deve ser confundido com um aparentado seu: a incontinência.

As aulas começarão a ser postadas no próximo dia 10/08, E AS INSCRIÇÕES CONTINUAM ABERTAS EM:


O prof. Martín já me mandou todas as aulas referentes à sua parte, e agora me dedicarei a legendar cada uma delas.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Santo Tomás x Freud - O Aquinate explica!



PREMISSA ANTROPOLÓGICA:

"Doer é próprio da alma quando não está na posse efetiva do bem".
(Sidney Silveira)

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CURSO "Psicología de la Templanza", comigo e com o filósofo e psicólogo tomista Martín Echavarría, em:

domingo, 26 de julho de 2015

O daltonismo moral dos brasileiros


Ao amigo Vítor Pereira

Sidney Silveira

Passei recentemente por situações pessoais, profissionais e familiares que reiteraram em minh’alma a certeza absoluta de que o brasileiro médio — refiro-me a pessoas de presumível boa formação — desconhece por completo a natureza do ato moral. E mais, ele tem flagrante incapacidade de aplicar a casos particulares normas gerais preceptivas, o que denota gravíssima mutilação da inteligência e da vontade e explica, em boa parte, a tragédia política nacional. Deste miserável desconhecimento dos mais rudimentares princípios reitores da ação humana provém o fato de as pessoas ainda não contaminadas por tão dantesca pandemia se encontrarem — incansáveis vezes — na contingência de explicar o óbvio. Sim, o Brasil exaure psicologicamente os bons.

Alguém diz que “x” é permitido, e a pessoa a quem tal proposição é formulada transforma “x” em realidade absoluta, sem considerar as circunstâncias que podem transformar “x” em “y” ou em “z”. Recorro à caricatura porque ela é bastante eficaz para explicitar fatos desta natureza: é permitido jogar futebol, mas deveria ser evidente que não o é dentro do centro cirúrgico onde um paciente cardíaco está sendo operado. É proibido usar esta escada, mas deveria ser evidente que não o é se, num prédio em chamas, ela se torna a única saída possível. Em suma, alguém diz a uma pessoa que “y” não deve ser feito, e ela não concebe que “y” pode transmudar-se em “a” ou “b”, dada a natureza volátil das situações humanas. Ora, que a busca do próprio bem seja a tendência universal do ser humano não implica que o bem possa ser logrado de qualquer maneira.

A total ausência no corpo social da virtude da epiquéia,[1] que Santo Tomás considerava como parte subjetiva da justiça, vai tornando as pessoas incapazes de interpretar circunstâncias não explicitadas numa norma geral. Esta perda coletiva do bom senso já fez com que, no Brasil, as últimas gerações deixassem de saber que qualquer norma geral é vetor da ação, mas não um princípio categórico intocável. Se entre nós, contemporaneamente, as leis na prática deseducam e induzem vários tipos de conflito social, isto é porque já havíamos transposto o umbral da falta de ética que tornou possível esta realidade dramática.

No país em que, no metrô, apenas os assentos de cor laranja são preferencialmente destinados a idosos, gestantes, deficientes e pessoas com crianças de colo, não se pode esperar outra coisa senão que as pessoas, cedo ou tarde, passem da indiferença ao ódio. Noutra época, sem nunca ter havido legislação em tal matéria, as pessoas sabiam que, nos transportes coletivos, todos os assentos eram preferencialmente destinados a idosos, gestantes, etc. E aqui entramos noutra prova material da desgraça brasileira: a multiplicação “ad infinitum” de leis, regras e normas é o retrato cabal de como a nossa sociedade está doente, ou melhor, de como padece de câncer em estado terminal. Já Aristóteles e Platão sabiam muitíssimo bem que, num país, o número de leis não deve ser excessivo, pois isto gera o caos. 

Se Moisés fosse brasileiro, ao descer do Monte Sinai teria revogado as 10 leis que Deus lhe entregara e colocado no lugar delas outras 666.

A perda de percepção dos matizes relativos ao bem e ao mal nos atos humanos inviabiliza as relações entre as pessoas, e acaba acarretando um efeito funesto: o padrão médio do caráter dos indivíduos vai, aos poucos, tendendo à velhacaria, a vícios travestidos de correção. Entre nós, não é por obra do acaso que sempre se encontram brechas para justificar o moralmente injustificável — arte na qual o brasileiro tornou-se grão-mestre. Inseguras e moralmente cegas, as pessoas precisam apoiar-se num número de casos materialmente impossíveis de ser abarcados pelos preceitos comuns. Mas o fazem com notável descaro, sempre que a necessidade de detalhamento da parte do próximo, ou do Estado, se apresenta como algo conveniente para justificar a má ação levada a cabo.

Isto é daltonismo moral, incapacidade de perceber matizes, sutilezas nas ações ou circunstâncias humanas. É o que está prestes a fazer de nós a sociedade na qual o devaneio de Thomas Hobbes se transformou em princípio universalíssimo: “bellum omnium contra omnes”.

A guerra de todos contra todos, camuflada por hediondas máscaras de boas intenções.

P.S. O Brasil atual precisa de inteligência, com certeza, mas precisa ainda mais de bondade, de virtude e de senso ético — ou, noutras palavras, precisa de que as pessoas purifiquem a sua vontade dos vícios. Por isso, um curso como “Psicología de la Templanza” — no qual tenho a honra de coadjuvar o grande psicólogo e filósofo tomista Martín Echavarría (a propósito, as inscrições para esta iniciativa pedagógica continuam abertas em: http://contraimpugnantes.com/cimoodle/course/index.php?#9) — é um inestimável bem. Pena que a maioria das pessoas, chafurdadas num ódio fantasiado de "cultura", não está em condições de dar testemunho desse bem.

P.S.2 A educação para a virtude é a única possibilidade de salvar o Brasil, a longo prazo. 

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1- Trata-se da virtude da eqüidade, que, valendo-se da prudência, preenche interpretativamente as lacunas duma lei ou duma norma de caráter moral, a partir do bom senso — já que as circunstâncias humanas podem multiplicar-se ao infinito.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Psicologia tomista para quem precisa...


Sidney Silveira

É COM ESTE AUTOR — o filósofo e psicólogo Martín Echavarría — que tenho a honra de partilhar o curso "Psicología de la Templanza".

FREUD
(...) Um defeito muito importante é a quase absoluta ausência, na teoria freudiana, da mente ("mens"), ou seja, dos aspectos racionais que tão evidentemente têm parte na vida psíquica humana, como a capacidade de pensar conceitos universais, de emitir enunciados e raciocinar. Não que Freud diga que entre este nível intelectivo e o sensitivo haja apenas diferença de grau, como no empirismo; o fato é que ele não dá absolutamente nenhuma explicação de sua existência, nem a tem em conta em sua explicação global da vida humana, exceção feita ao obscuro conceito de "representação de palavra".
("Corrientes de Psicología Contemporánea")


O VÍDEO DE APRESENTAÇÃO DO CURSO está aqui:

AS INSCRIÇÕES podem ser feitas no seguinte link (é possível parcelar o pagamento EM ATÉ 12 VEZES no cartão de crédito):

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Boletim Contra Impugnantes



Sidney Silveira
Se você quiser receber os nossos informes, vá ao endereço eletrônico http://contraimpugnantes.com/cimoodle/ e, abaixo de onde está escrito "Junte-se a nós no Facebook", insira o seu e-mail na área em que se lê "Assine o Boletim do C.I."

Assim, passará a receber informações periódicas sobre cursos, livros, parcerias, hangouts, etc.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dos delitos contra a amizade: a ingratidão


Sidney Silveira

A ingratidão é o atestado de óbito da amizade por lesão gravíssima, seja qual for o grau de intencionalidade com que é levada a cabo: da fraqueza moral chamada comumente de “covardia” à cegueira da mente pura e simples — por cujo intermédio os benefícios recebidos vão esmaecendo, vão desaparecendo de maneira culpável da consciência do ingrato. Para este, o esquecimento mais ou menos voluntário dos bens com os quais foi aquinhoado serve de ferramenta para as mais sofisticadas autojustificativas, maligna indulgência relativa ao seu imoral proceder. Trata-se de muletas psíquicas pelas quais uma pessoa tenta desculpar-se a si própria e acaba por inculpar a quem lhe fez o bem. Como se pode adivinhar, o fim da carreira do ingrato é se transformar num mau-caráter de estrita observância.

À luz do que se disse acima, é importante prestar atenção a um detalhe: não é que o ingrato deixe de enxergar os benefícios auferidos nalgum momento de sua relação com um amigo, mas tende a minimizá-los acalentando a imagem de que ou não eram tão excelentes, ou de alguma maneira já estavam devidamente retribuídos. Esta radical incapacidade de ajuizar objetivamente os bens permutados numa amizade faz da ingratidão um pecado contra a ordem da justiça, ars boni et aequi. Na prática, o ingrato tende a desespiritualizar a amizade e sucumbe a diferentes tipos de materialismo, em geral camuflados. A propósito, não nos custa lembrar que Judas Iscariotes, o ingrato-mor, era administrador da bolsa comum dos apóstolos.

O ingrato não emerge do nada, nem surge por partenogênese. No Brasil contemporâneo — no qual a ingratidão é multitudinária —, não me parece ocioso lembrar que ninguém dorme São João e acorda Stalin: o ingrato começa a se desencaminhar a partir de mecanismos sutis que, aos poucos, o levam a perder o senso de proporções, a enfraquecer a capacidade de aquilatar a hierarquia de bens e males que há na realidade. O nutriente básico desta sua atitude desagradecida é um secreto complexo de inferioridade moral, permeado da conseqüente sensação errônea de ser injustiçado porque imagina dar mais do que recebe. Como se vê, o ingrato é péssimo psicólogo e instintivamente propenso a se aproximar dos medíocres. Propenso a tornar-se medíocre. Um escolástico diria que o pecado capital da acídia o fez recusar a excelência.

Outra nota distintiva do caráter do ingrato é a eriçada susceptibilidade, capaz de fazê-lo, por exemplo, jogar fora uma amizade por circunstâncias provenientes das mazelas humanas. Em síntese, ele é implacável nas miudezas e relapso nas coisas mais importantes; não por outro motivo, uma palavra dita em qualquer contexto um pouco mais tenso pode fazer esta criatura gelatinosa sentir-se mortalmente atingida, razão pela qual quem lida com gente assim não pode esquecer as luvas de pelica para o trato habitual. Ora, em vista desta invencível prontidão para se ofender, compreende-se porque o ingrato é, o mais das vezes, vingativo. Ou melhor, é o vingador das ofensas imaginárias ou superdimensionadas que o desequilibram, e este seu obscuro universo onírico é o samsara do qual não consegue livrar-se. Não exageraria quem dissesse o seguinte: o ingrato tem morte psíquica ao apaixonar-se pela própria dor.

Vale ainda dizer que o arrependimento não é algo normalmente observável nas pessoas ingratas. Por quê? Bem, a explicação é simples: arrepender-se, e por conseguinte pedir perdão, implicaria extirpar os mecanismos de autovitimização com os quais o ingrato alimenta a sua alma. Seria, literalmente, curar-se. Ocorre que o vetor moral do ingrato é no sentido do remorso, realidade psíquica distinta — em gênero — do arrependimento. Em breves palavras, digamos que ao remordido de consciência falta a coragem de ir às causas do seu dramático estado; ele se condói porque os efeitos de alguma maneira o atingem. Por sua vez, o arrependido abre os olhos para as causas e busca removê-las, suportando com grande dificuldade a dor de contemplá-las. A dor de um mata; a dor de outro cura.

É atribuída a Alexandre Dumas a seguinte frase: “Grandes favores só podem ser pagos com a ingratidão”. Ela reflete, de maneira perfeita, o complexo de inferioridade moral que carcome a alma do ingrato, ao qual se fez alusão acima.

Não recorramos a circunlóquios e encerremos este breve texto sem dar margem a dúvidas de nenhum tipo: o ingrato é, sim, covarde, e a sua covardia é uma picada de escorpião.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Curso "Psicología de la Templanza"



Sidney Silveira

Enfim, o vídeo de apresentação desta iniciativa, com o Prof. Martín Frederico Echavarría e comigo.

AS INSCRIÇÕES ESTÃO ABERTAS EM: 


Quem quiser PODE PARCELAR NO CARTÃO DE CRÉDITO EM ATÉ 12 VEZES.

O público brasileiro poderá ter contato com um tomista de nível internacional.

P.S. Quem puder compartilhar esta informação saiba de uma coisa: NÃO É UM FAVOR FEITO A MIM, mas aos brasileiros que, hoje talvez mais do que nunca, precisam ser educados para a virtude — a começar pelas virtudes cardeais. O Prof. Martín é talvez o único filósofo no mundo que aplica a obra de Santo Tomás à clínica psicológica com grande consistência teorética.

Por aí se pode perceber a assombrosa atualidade deste gigante que foi o Aquinate.