segunda-feira, 28 de julho de 2014

O "comunismo" dos infantes

Sidney Silveira
AO COMENTAR uma passagem da "Política" de Aristóteles, Tomás de Aquino frisa que o homem afastado das coisas da Pólis é:

> INSOCIAL, porque não consegue estabelecer verdadeiros vínculos de amizade;
> ILEGAL (ou anômico), porque não consegue sujeitar-se de maneira nenhuma aos ditames da lei; e
> INFELIZ, porque não se rege pela regra da reta razão, e sim por paixões desgovernadas.

Poderíamos acrescentar que, em contrapartida, o meter-se na política sem mínima base intelectual e moral — e também sem a maturidade que só a idade e a experiência acumulada podem trazer — também é catastrófico, pois implica reunir, em sumo grau, a insociabilidade, a aversão à lei e a infelicidade. 

Se esses jovens que têm a fada Sininho como líder carismática (no sentido mais canhestro do termo) fossem sabatinados por verdadeiros intelectuais, a sua total incompreensão acerca do que seja a natureza da política seria desnudada, e eles perderiam parte da projeção que hoje possuem. 

A propósito, tal projeção retrata o quanto a nossa vaca está atolada no brejo das almas, mugindo num idioleto maluco que do português guarda certas semelhanças sintáticas, mas possui um vocabulário limitado e, por conseguinte, conceitos mentais paupérrimos repetidos como um mantra narcótico.

A nossa vocação metafísica para o fundo do poço civilizacional atualiza-se a cada dia. Quem duvida, ouça a musiquinha entoada ao final deste vídeo pelos novos "heróis" nacionais.

Enquanto isso, na falta de cicuta, vou ali tomar um arsênico.