quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Quando o saber ordena-se às más ações



Sidney Silveira

A educação do caráter deve vir antes da educação da inteligência, no que tange aos saberes mais abstratos.

Nada mais grotesco do que contemplar gente com algum conhecimento especulativo e quase nenhum prático. É simplesmente monstruoso: certa clareza de raciocínio sucumbe a caprichos duma vontade desgovernada, a qual vai sendo, aos poucos, vencida pelos vícios.

Nos melhores casos, tais pessoas tornam-se criaturinhas pedantes e vazias; encarecem o seu saber de maneira ridícula — numa espécie de macabro ostensório feito de material pútrido. Nos piores, tornam-se parasitas das modas e dos gurus do momento, sempre a buscar migalhas de reconhecimento.

Estes últimos são capazes não apenas de monumentais atos de ingratidão; a sua volubilidade faz com que mudem de lado torpemente, de acordo com a maré.

A inconstância torna-os incapazes de real amizade. Se pudessem ver a própria alma no espelho, morreriam de susto.