quarta-feira, 6 de março de 2013

O mérito sobrenatural: é lícito desejar que Hugo Chávez vá para o inferno?


Sidney Silveira
Compreendo perfeitamente o meu amigo Carlos Nougué, quando diz — a propósito da morte de Hugo Chávez — que não são nada católicas expressões como “esse desgraçado vai arder no inferno”, “o capeta veio resgatar sua alma”, entre outras do mesmo tipo, que temos visto aos milhares pela internet, ditas por freqüentadores de Missa.
Para um católico, a salvação e a perdição são um grande mistério. Todos os que, ao longo dos séculos, tentaram resolvê-lo de forma definitiva acabaram caindo em alguma heresia. Ademais, nada menos caridoso do que desejar que alguém vá arder no inferno, mesmo sendo o pior dos homens. O contrário, sim, é católico: desejar a salvação mesmo dos maus, para que se manifeste gloriosamente a misericórdia divina.
Aos que, portanto, estão imbuídos de tão malignos votos, lembramos: teologicamente, ninguém merece o céu. O mérito do sangue de Cristo na cruz resgatou-nos, e não os nossos méritos. O Bom Ladrão recebeu a graça de morrer em amizade com Deus, não obstante a sua vida de crimes confessados na hora final.  
Desejar que alguém vá para o inferno é desejar o mesmo que o demônio, inimigo da nossa salvação; matéria de confissão, muito mais do que os pecados da carne. É lícito, isto sim, desejar que seja feita a justiça humana, mesmo com a pena de morte. Mas não é coisa digna de um católico algo tão contrário ao que configura a vida verdadeiramente cristã.
Lastimável!