terça-feira, 22 de abril de 2014

Brasil, conhece-te quem te viu nascer



Sidney Silveira

22 de ABRIL DE 1500: DESCOBRIMENTO 
26 de ABRIL DE 1500: ATO ESSENCIALMENTE FUNDANTE DO BRASIL

Diferentemente do que dizem alguns livretos de história, o ato fundante do Brasil foi a Missa celebrada por D. Henrique de Coimbra, no domingo 26 de abril de 1500, numa praia situada no (atual) sul do Estado da Bahia. 

Imagino o impacto, a estupefação dos índios perante o belíssimo o sacrifício ritual da Santa Missa, sucedido pela primeira vez entre nós na então chamada Terra de Vera Cruz. 

Tiremos uma idéia mais ou menos aproximada disso pelo que escreve Pero Vaz de Caminha, em sua Carta a El-Rei D. Manuel I: 

"Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo".

O famoso quadro de Victor Meirelles intitulado "Primeira Missa no Brasil" está aqui no Rio, no Museu Nacional de Belas Artes. Ao vê-lo pela primeira vez, não pude conter a comoção. Foi como se estivesse ali, de joelhos, ao lado daqueles que seriam cristianizados tempos depois pelos jesuítas.

Chorei pelas nossas potencialidades malogradas.

Mas, em bom português, agradeci a Deus, que tudo dispõe (o bem e o mal) em ordem à excelência, ainda quando não estamos capacitados a enxergá-la.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: desmascarada a vergonha


Sidney Silveira

Nesta segunda-feira (21/04) gravei uma breve entrevista com o filólogo Sergio De Carvalho Pachá, que, em 2009, era Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras (ABL) e conheceu os bastidores da reforma ortográfica mais absurda de que se tem notícia entre nós. 

Pachá foi defenestrado da ABL por ter uma opinião privada (de caráter absolutamente técnico!) contrária ao acordo. Ele viu o gramático Evanildo Bechara transformar-se, num passe de mágica, de grande crítico da reforma em seu principal garoto-propaganda — para depois, com aparente sã consciência, editar um pequeno manual da nova ortografia, trazendo para as próprias algibeiras certamente mais do que as trinta moedas com que Judas vendeu Cristo.

O ridículo argumento da "união política entre os países lusófonos", como sabíamos previamente, não se cumpriu. Quem ganhou com a coisa no Brasil foram as editoras apaniguadas da "corte", que recebem milhões do governo para imprimir livros paradidáticos.

Trata-se de um depoimento histórico, dado por pessoa abalizada tanto pelo apuro do seu conhecimento lingüístico como pelos cabelos brancos e os alquebrados olhos, que a terra há de comer. Olhos de quem, como Gonçalves Dias no "I-Juca Pirama", pode muito bem dizer:

— Meninos, eu vi. 

Reitero: entrevista concedida por uma autoridade em língua portuguesa que exercia papel importante na ABL quando da concepção do acordo ortográfico. Iniciativa esta chamada por Pachá de "fraude", sem meias palavras. 

O material será apresentado ao público em breve.

O mesmo vídeo traz um tira-gosto das questões vernáculas de que o Prof. Sergio Pachá tratará no curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, imperdível para todos os que precisamos usar bem da língua, ou seja, expressar conteúdos inteligíveis aproveitando as magníficas possibilidades do idioma de Camões. 

Aguardem! 

Enquanto isso, não percam esta oportunidade única: façam as suas inscrições na Escola Virtual do Instituto Angelicum, no seguinte link:


A língua portuguesa agradece pelo serviço que quixotescamente lhe prestamos, com o curso do Prof. Sergio Pachá.

domingo, 20 de abril de 2014

Afogados na imanência


Sidney Silveira

O DEVIR É a mais débil epifania da verdade, pois não fixa propriamente nada além do movimento. No devir a realidade liquefaz-se na imanência dos fenômenos — os quais não podem encontrar explicação suficiente em si mesmos. Dissolvido, pois, no devir que coincide com um pragmatismo suicida, não resta ao homem pós-moderno senão perder a consciência histórica. 

A razão é muito simples: a historicidade não é outra coisa senão o vislumbre de pontos estáveis em meio à torrente dos fatos.

Duns Scot contra Santo Tomás


Sidney Silveira
COM O LENTO OCASO DA IDADE MÉDIA, a reviravolta que culmina no humanismo e na filosofia moderna, com a conseqüente refundação da política em bases que, tempos depois, resultarão na funesta e assassina Revolução Francesa, tem o principal ponto de apoio na obra do frade franciscano Duns Scot, no começo do século XIV. E mais: naquilo que este pensador tem de contrário à obra do mais profundo e complexo filósofo de todos os tempos: Tomás de Aquino. 

É como diz Josep-Ignasi Saranyana, na sua (em linhas gerais péssima) obra "La Filosofía Medieval", citando a Étienne Gilson: 

"O verdadeiro destinatário das críticas do Doutor Sutil era, em última análise, Tomás de Aquino". 

Esta lição é o beabá da história da filosofia e das idéias políticas. Mas, para entendê-la, é necessário conhecer os principais vetores de ambas as obras...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mentira, morte lenta da alma


Sidney Silveira

A MENTIRA É A DISSONÂNCIA voluntária e consciente entre palavras e conceitos. Quanto mais um homem mente, mais fragmenta e deforma a própria inteligência. E sendo, pois, deformidade de uma apetência natural (a da inteligência pela verdade), a mentira jamais poderá ser enobrecida. 

Alguém pode explicá-la, compreendê-la, mas jamais conseguirá dar-lhe ares de coisa elevada e boa. Porém o mentiroso, enganando-se, passa a vida a tentar.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Vocação coletiva ao brejo das almas


Sidney Silveira

A genuína estupidez é espontânea, espécie de incompreensão instintiva com que um homem não vê as mais gritantes obviedades. Mas no Brasil contemporâneo as pessoas se tornam estúpidas por cálculo, numa crescente e misteriosa adesão macunaímica, em massa, à obtusidade estimulada pelos slogans dos donos do poder, aos quais vendem o voto e a débil consciência por um prato de lentilhas. O brasileiro tornou-se estúpido por preguiça moral, esse atávico "jeitinho" que o inviabilizou civilizacionalmente. Tolerante com o intolerável, indulgente para com a quebra de todos os princípios éticos sem os quais a vida em sociedade é quase impossível, ele tem tido notável afinco em fazer da estupidez um carnavalesco dever cívico. Caso "sui generis" na história dos povos... 

Na verdade, merecemos o PT e a oposição que temos. Merecemos os nossos governadores (escapa algum?). Merecemos todos os políticos que entronizamos, pois eles são a lídima expressão da estupidez à qual aderimos como nação — fato cujo signo-mor é ter a Srª. Dilma Rousseff como presidente da República, criatura incapaz de articular meia dúzia de frases seguidas num mesmo período sem afundar em pungentes anacolutos.

Pois bem: se há conserto para um país com tantas riquezas naturais mas também tanta miséria humana, tanta pobreza intelectual e moral, é coisa que deixo para os adivinhos, os taumaturgos ou os vagabundos resolverem. 

Enquanto isso, viva a Copa do Mundo e o Maracanã de dois bilhões de reais! Viva o recorde de assassinatos! Os desvios de verbas nos Ministérios! O mensalão! 

Mil vezes etc.!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A luz da Cruz

Sidney Silveira

A SEMANA DA PÁSCOA é o interlúdio espiritual entre a rememoração de que neste mundo as vitórias, mesmo as legitimamente conquistadas, são efêmeras (Domingo de Ramos) e a contemplação do estandarte triunfante da Cruz (Domingo da Paixão).

Em breves termos: o Domingo de Ramos é a expressão litúrgica da consciência de que as glórias outorgadas pela instabilidade do coração humano são como vento, vêm e vão; o Domingo da Paixão, por sua vez, expressa a estabilidade do verdadeiro amor, excruciante porque pressupõe entrega total, inabalável perante a dor e as traições humanas.

Trata-se de uma passagem mística de ciclo: da via iluminativa à via unitiva; das verdades assimiladas às verdades praticadas; da luz recebida à luz que se dá. 

Áspero mistério do amor que se afirma como única realidade necessária a uma vida verdadeiramente humana — pois sem amor o homem é incapaz de triunfar sobre as suas próprias debilidades.

Desejo, pois, aos amigos católicos uma Semana Santa de muita paz.