quinta-feira, 10 de abril de 2014

Gramática e história pessoal

Sidney Silveira

A gramática é, fundamentalmente, o conjunto de normas inferidas do uso da língua por parte das pessoas que conhecem as ricas potencialidades de um idioma. Se um homem despreza a gramática, despreza o lastro histórico-cultural que culminou na sua própria existência.

Inscreva-se já no curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, em: 

http://institutoangelicum.edools.com/curso/a-lingua-absolvida--3

Por que buscar conhecer as ricas virtualidades do próprio idioma?

Sidney Silveira

Vejamos se persuade esta citação de um grande clássico:

"Para a língua chamo 'uso comum' ou 'costume' o consenso entre as pessoas instruídas, como para a vida chamo 'costume' o consenso entre as pessoas de bem".
(QUINTILIANO, De Institutione Oratoria, I, 6, 44-45)

Não deixem de se inscrever no curso "A Língua Absolvida — Questões Vernáculas do Português", com o prof. Sergio De Carvalho Pachá! Trata-se de inestimável serviço prestado a um país em estado de verdadeira agonia pedagógica. 

Procure fora da universidade brasileira o que nela, hoje, se tornou pura e simples inviabilidade pedagógica. 

Faça agora a sua INSCRIÇÃO no site do Instituto Angelicum, em:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pensamento de um final de noite, após ler São Francisco de Sales



Sidney Silveira

INDIFERENÇA, ANTE-SALA DO ABISMO

A indiferença para com o próximo que passa por dificuldades — a começar pelos amigos e pela família, que são os próximos mais próximos, por assim dizer — é o primeiro sintoma de fadiga moral. Ultrapassado esse ponto, o passo seguinte é acusar o próximo pelo infortúnio que sofreu, maneira eficiente de não lhe estender a mão sem sentir culpa nenhuma, num total alheamento.

Cedo ou tarde, a indiferença transforma-se em delito espiritual irreversível, pois vai destruindo aos poucos o que um homem tem de mais excelente: a possibilidade de amor verdadeiro. Possibilidade que essencialmente o constitui.

Ser indiferente é despersonalizar-se, nadificar-se sem o saber.

Curso "A Língua Absolvida": INSCRIÇÕES ABERTAS no Instituto Angelicum


Sidney Silveira

O curso "A Língua Absolvida - Questões Vernáculas de Português", com o lexicógrafo e filólogo Sergio de Carvalho Pachá, tem por objetivo dar a conhecer as principais questões atinentes à norma culta da língua portuguesa, recorrendo para tanto aos principais gramáticos do idioma e aos grandes escritores brasileiros e portugueses.

Além de resolver dúvidas dos alunos no que diz respeito à escrita em português — assim como retirar-lhes eventuais vícios no falar que vão contra a índole do idioma —, a presente iniciativa pedagógica tem o intuito de ir além da correção gramatical e trazer dicas relevantes de estilística e do uso virtuoso da língua. 

Neste módulo inicial, o curso terá 8 meses de duração (12 de maio a 12 dezembro de 2014). O material disponibilizado aos inscritos será dividido em duas partes:

A) Uma aula semanal em vídeo gravado;

B) Textos de teoria gramatical da língua portuguesa e de estilística escritos pelo Prof. Sergio Pachá, que ficarão disponíveis no site do Instituto Angelicum no decorrer do curso.

Os alunos se comunicarão com o Prof. no Fórum do curso, onde poderão fazer perguntas que serão respondidas por escrito ou nos vídeos das aulas seguintes.

As demais informações informações no site do Instituto Angelicum, em:

sábado, 5 de abril de 2014

Chamada para o curso "A Língua Absolvida"


Sidney Silveira

Este meu bate-papo com o amigo Sergio De Carvalho Pachá, filólogo, lexicógrafo, escritor, dicionarista, gramático, poeta e tradutor é um pequeníssimo tira-gosto do curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, que terá início em maio deste ano.

Todas as informações a respeito do conteúdo pedagógico a ser oferecido — assim como as atinentes a matrículas, mensalidades e outras questões administrativas — estarão disponíveis, a partir da próxima segunda-feira, no site do Angelicum (www.institutoangelicum.com.br).

Não se tratará propriamente de gramática expositiva, e sim de uma iniciativa voltada à resolução de problemas vernaculares da língua portuguesa — tratados por um notabilíssimo estudioso. 

Serão vídeos semanais em que servirei, com muita honra, de coadjuvante do prof. Sergio Pachá, trazendo-lhe questões e tecendo comentários à sua exposição. Além dos vídeos, haverá um espaço no site em que o lexicógrafo publicará textos e responderá às perguntas dos alunos.

Esta iniciativa é de PROVEITO DE TODOS, independentemente de idade, sexo, ideologia ou profissão. Em síntese, este é um projeto de resgate do instrumento básico de coesão social e identidade nacional que décadas de teorias construtivistas destruíram no Brasil: a língua portuguesa — ilustre desconhecida da imensa maioria das pessoas abaixo da faixa dos 45 anos. Entre estas, mesmo as com certo pendor para a escrita acabam por cair ou num coloquialismo fácil, que confundem com simplicidade, ou na triste postura do arrogante, em geral jovem, que envolto em cueiros enfezados pontifica sobre assuntos acerca dos quais não tem a mínima noção.

A partir de agora, apresentamos-lhes a língua sinfônica e pictórica com a qual se pode ir ao céu do pensamento abstrato, mas também às regiões abismais onde a alma freme — na alegria ou na desdita.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Amor e conhecimento



EM CLAVE TOMISTA, o amor não é impulso natural cego, mas conhecimento pletórico que arrebata a vontade. E quem poderia amar tanto o homem, ao ponto de perdoar a hediondez dos seus crimes, senão Aquele que conhece perfeitamente, desde sempre, o caráter sublime da sua criação, os bens sublimes que lhe integram natureza e o fim divinal a que ela se destina?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Inteligência, razão, lógica


"A lógica deve ser estudada para a filosofia, ou seja, para pensar-se com adequação ao real. A lógica estudada por si mesma só forma charlatães ou o pior dentro deste gênero: ideólogos".
Pe. Álvaro Calderón
("Los Umbrales de la Filosofía")
Sidney Silveira
Se o sujeito não conhece a diferença entre razão e inteligência, e mesmo assim pretende embrenhar-se nos problemas de lógica, chegando a pontificar a respeito deles como se fosse o Papa a ensinar as verdades da fé do alto de sua cátedra romana, o mínimo que podemos dizer dele deve soar como benevolente elogio: trata-se de um consumado boçal. Seria como alguém querer compor uma sinfonia sem conhecer o dó-ré-mi-fá-sol-lá-si — e isto denota, a um só tempo, elevado grau de obtusidade e uma pretensão que raia os píncaros da soberba. Acontece corriqueiramente com pessoas vocacionadas ao horizonte asnático das pedagogias feitas de encomenda para impedir que a inteligência realize a operação que lhe é própria: chegar à região dos conceitos universais, compondo e dividindo raciocínios.
O intelecto humano é três coisas: antes de tudo, potência para os inteligíveis; depois, forma imaterial da realidade entendida; por fim, operação, que é o ato de entender propriamente dito.[1] O nome dado por Tomás de Aquino ao ápice dessa operação interior da alma intelectiva é verbo, ponto de tangência por meio do qual a nossa inteligência escarafuncha a realidade naquilo que ela tem de propriamente inteligível. O verbo está para a inteligência assim como o caminhar está para as pernas, ou como o ato está para a potência. Seja como for, porque o homem não pode expressar todos os conceitos que extrai da realidade com um só verbo perfeitíssimo que os abarcasse a todos (pois neste caso seria Deus, cujo Verbo único esgota toda a inteligibilidade das coisas e todas as operações da ordem do ser), ele precisa servir-se de muitos verbos imperfeitos,[2] pelos quais expressa o que apreende por diferentes atos da inteligência e atribui predicados às coisas.
Em resumidas contas, a nossa inteligência é imaterial do começo ao fim: na radical potência para os inteligíveis, que a constitui; na assimilação da forma entendida; e no ato mesmo de entender, cujo núcleo é o verbo. Neste contexto, vale dizer que a inteligência não se identifica com o cérebro nem com os neurônios, pois estes são o substrato de que ela se vale instrumentalmente para alcançar o seu ato próprio. Materialistas e imanentistas de todos os matizes têm enorme dificuldade de compreender isto porque lhes falta o domínio dos conceitos de ato e potência, e não raro identificam a atividade da inteligência com funções neuropsíquicas — por meio das quais ela, entre outras coisas, se torna apta a resolver problemas com algoritmos. É quase impossível que vejam algo óbvio para um metafísico: pensar não é entender, raciocinar não é inteligir, entrar na posse duma verdade qualquer não é ato radicado na matéria. Neste contexto, sejamos breves: a razão é o meio de que se vale a inteligência humana para identificar-se formalmente com o ser.
Embora a razão seja o modo próprio de atuar da inteligência humana, ambos não se confundem. Por este motivo, nem todo raciocínio conduz à inteligência do real, visto ser possível racionar bem e concluir mal. Voltemos ao Aquinate, que esclarece a questão com meridiana clareza: inteligir é o ato de apreender a verdade inteligível; raciocinar é passar de um tópico a outro, com o intuito de chegar a inteligir.[3] Daqui podemos muito bem inferir que entender é o fruto maduro de uma razão que opera retamente. Não entremos na distinção tomista entre “razão superior” e “razão inferior”, pois para o esclarecimento que temos em vista basta assinalarmos a subsidiaridade da razão com relação à inteligência.[4]
Digamos por fim o seguinte: a lógica é ciência auxiliar, subalterna, na medida em que está a serviço de todas as demais. Trata-se da arte do bem raciocinar, mas que também não se confunde formalmente com o raciocínio, pois há raciocínios verdadeiramente ilógicos, ou seja, mal ordenados em suas premissas. A lógica é, pois, um ponto de apoio da razão para que labore sem grandes impedimentos, mas jamais percamos de vista que não cabe à lógica abstrair os conceitos, chegar ao verbo mental, ao conceito universal, pois este é o papel razão, servindo-se da lógica. Em suma, a inteligência humana é essencialmente abstrativa, e o meio dessa abstração é racional.
Noutras palavras: o homem intelige a realidade raciocinando ordenadamente. A partir desta imagem, podemos refazer todo o quadro dos três conceitos elementares aqui implicados, para ter a noção da funcionalidade teleológica entre eles, ou seja, verificar como um está em função de outro:
>  a lógica ordena-se à razão;
>  a razão ordena-se à inteligência; e
>  a inteligência ordena-se ao ser, que provém de Deus.
Com relação a esta proveniência metafísica (a saber: dos entes em relação ao Próprio Ser, que é Deus), vale escrever outro breve texto. Por ora fiquemos com a elementar distinção entre inteligência, razão e lógica — na falta da qual muitas vocações filosóficas perderam-se funestamente.
Ao passo que a metafísica, malgrado os seus detratores, continua de pé, iluminando inteligências.
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1- Cfme. Tomás de Aquino, Comentário ao Prólogo de João, Cap. I, Lectio I, n.25.
2- Cfme. Tomás de Aquino, Comentário ao Prólogo de João, Cap. I, Lectio I, n.27.
3- Cfme. Tomás de Aquino, Suma Teológica, I, q.29, a. 3, ad.4).
4- Aqui não está em tela a inteligência que é potência para os inteligíveis, porém sem raciocinar, visto que é intuitiva (a dos Anjos); nem a Inteligência pura, da qual procedem todos os inteligíveis (a de Deus).