segunda-feira, 7 de abril de 2014

Curso "A Língua Absolvida": INSCRIÇÕES ABERTAS no Instituto Angelicum


Sidney Silveira

O curso "A Língua Absolvida - Questões Vernáculas de Português", com o lexicógrafo e filólogo Sergio de Carvalho Pachá, tem por objetivo dar a conhecer as principais questões atinentes à norma culta da língua portuguesa, recorrendo para tanto aos principais gramáticos do idioma e aos grandes escritores brasileiros e portugueses.

Além de resolver dúvidas dos alunos no que diz respeito à escrita em português — assim como retirar-lhes eventuais vícios no falar que vão contra a índole do idioma —, a presente iniciativa pedagógica tem o intuito de ir além da correção gramatical e trazer dicas relevantes de estilística e do uso virtuoso da língua. 

Neste módulo inicial, o curso terá 8 meses de duração (12 de maio a 12 dezembro de 2014). O material disponibilizado aos inscritos será dividido em duas partes:

A) Uma aula semanal em vídeo gravado;

B) Textos de teoria gramatical da língua portuguesa e de estilística escritos pelo Prof. Sergio Pachá, que ficarão disponíveis no site do Instituto Angelicum no decorrer do curso.

Os alunos se comunicarão com o Prof. no Fórum do curso, onde poderão fazer perguntas que serão respondidas por escrito ou nos vídeos das aulas seguintes.

As demais informações informações no site do Instituto Angelicum, em:

sábado, 5 de abril de 2014

Chamada para o curso "A Língua Absolvida"


Sidney Silveira

Este meu bate-papo com o amigo Sergio De Carvalho Pachá, filólogo, lexicógrafo, escritor, dicionarista, gramático, poeta e tradutor é um pequeníssimo tira-gosto do curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, que terá início em maio deste ano.

Todas as informações a respeito do conteúdo pedagógico a ser oferecido — assim como as atinentes a matrículas, mensalidades e outras questões administrativas — estarão disponíveis, a partir da próxima segunda-feira, no site do Angelicum (www.institutoangelicum.com.br).

Não se tratará propriamente de gramática expositiva, e sim de uma iniciativa voltada à resolução de problemas vernaculares da língua portuguesa — tratados por um notabilíssimo estudioso. 

Serão vídeos semanais em que servirei, com muita honra, de coadjuvante do prof. Sergio Pachá, trazendo-lhe questões e tecendo comentários à sua exposição. Além dos vídeos, haverá um espaço no site em que o lexicógrafo publicará textos e responderá às perguntas dos alunos.

Esta iniciativa é de PROVEITO DE TODOS, independentemente de idade, sexo, ideologia ou profissão. Em síntese, este é um projeto de resgate do instrumento básico de coesão social e identidade nacional que décadas de teorias construtivistas destruíram no Brasil: a língua portuguesa — ilustre desconhecida da imensa maioria das pessoas abaixo da faixa dos 45 anos. Entre estas, mesmo as com certo pendor para a escrita acabam por cair ou num coloquialismo fácil, que confundem com simplicidade, ou na triste postura do arrogante, em geral jovem, que envolto em cueiros enfezados pontifica sobre assuntos acerca dos quais não tem a mínima noção.

A partir de agora, apresentamos-lhes a língua sinfônica e pictórica com a qual se pode ir ao céu do pensamento abstrato, mas também às regiões abismais onde a alma freme — na alegria ou na desdita.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Amor e conhecimento



EM CLAVE TOMISTA, o amor não é impulso natural cego, mas conhecimento pletórico que arrebata a vontade. E quem poderia amar tanto o homem, ao ponto de perdoar a hediondez dos seus crimes, senão Aquele que conhece perfeitamente, desde sempre, o caráter sublime da sua criação, os bens sublimes que lhe integram natureza e o fim divinal a que ela se destina?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Inteligência, razão, lógica


"A lógica deve ser estudada para a filosofia, ou seja, para pensar-se com adequação ao real. A lógica estudada por si mesma só forma charlatães ou o pior dentro deste gênero: ideólogos".
Pe. Álvaro Calderón
("Los Umbrales de la Filosofía")
Sidney Silveira
Se o sujeito não conhece a diferença entre razão e inteligência, e mesmo assim pretende embrenhar-se nos problemas de lógica, chegando a pontificar a respeito deles como se fosse o Papa a ensinar as verdades da fé do alto de sua cátedra romana, o mínimo que podemos dizer dele deve soar como benevolente elogio: trata-se de um consumado boçal. Seria como alguém querer compor uma sinfonia sem conhecer o dó-ré-mi-fá-sol-lá-si — e isto denota, a um só tempo, elevado grau de obtusidade e uma pretensão que raia os píncaros da soberba. Acontece corriqueiramente com pessoas vocacionadas ao horizonte asnático das pedagogias feitas de encomenda para impedir que a inteligência realize a operação que lhe é própria: chegar à região dos conceitos universais, compondo e dividindo raciocínios.
O intelecto humano é três coisas: antes de tudo, potência para os inteligíveis; depois, forma imaterial da realidade entendida; por fim, operação, que é o ato de entender propriamente dito.[1] O nome dado por Tomás de Aquino ao ápice dessa operação interior da alma intelectiva é verbo, ponto de tangência por meio do qual a nossa inteligência escarafuncha a realidade naquilo que ela tem de propriamente inteligível. O verbo está para a inteligência assim como o caminhar está para as pernas, ou como o ato está para a potência. Seja como for, porque o homem não pode expressar todos os conceitos que extrai da realidade com um só verbo perfeitíssimo que os abarcasse a todos (pois neste caso seria Deus, cujo Verbo único esgota toda a inteligibilidade das coisas e todas as operações da ordem do ser), ele precisa servir-se de muitos verbos imperfeitos,[2] pelos quais expressa o que apreende por diferentes atos da inteligência e atribui predicados às coisas.
Em resumidas contas, a nossa inteligência é imaterial do começo ao fim: na radical potência para os inteligíveis, que a constitui; na assimilação da forma entendida; e no ato mesmo de entender, cujo núcleo é o verbo. Neste contexto, vale dizer que a inteligência não se identifica com o cérebro nem com os neurônios, pois estes são o substrato de que ela se vale instrumentalmente para alcançar o seu ato próprio. Materialistas e imanentistas de todos os matizes têm enorme dificuldade de compreender isto porque lhes falta o domínio dos conceitos de ato e potência, e não raro identificam a atividade da inteligência com funções neuropsíquicas — por meio das quais ela, entre outras coisas, se torna apta a resolver problemas com algoritmos. É quase impossível que vejam algo óbvio para um metafísico: pensar não é entender, raciocinar não é inteligir, entrar na posse duma verdade qualquer não é ato radicado na matéria. Neste contexto, sejamos breves: a razão é o meio de que se vale a inteligência humana para identificar-se formalmente com o ser.
Embora a razão seja o modo próprio de atuar da inteligência humana, ambos não se confundem. Por este motivo, nem todo raciocínio conduz à inteligência do real, visto ser possível racionar bem e concluir mal. Voltemos ao Aquinate, que esclarece a questão com meridiana clareza: inteligir é o ato de apreender a verdade inteligível; raciocinar é passar de um tópico a outro, com o intuito de chegar a inteligir.[3] Daqui podemos muito bem inferir que entender é o fruto maduro de uma razão que opera retamente. Não entremos na distinção tomista entre “razão superior” e “razão inferior”, pois para o esclarecimento que temos em vista basta assinalarmos a subsidiaridade da razão com relação à inteligência.[4]
Digamos por fim o seguinte: a lógica é ciência auxiliar, subalterna, na medida em que está a serviço de todas as demais. Trata-se da arte do bem raciocinar, mas que também não se confunde formalmente com o raciocínio, pois há raciocínios verdadeiramente ilógicos, ou seja, mal ordenados em suas premissas. A lógica é, pois, um ponto de apoio da razão para que labore sem grandes impedimentos, mas jamais percamos de vista que não cabe à lógica abstrair os conceitos, chegar ao verbo mental, ao conceito universal, pois este é o papel razão, servindo-se da lógica. Em suma, a inteligência humana é essencialmente abstrativa, e o meio dessa abstração é racional.
Noutras palavras: o homem intelige a realidade raciocinando ordenadamente. A partir desta imagem, podemos refazer todo o quadro dos três conceitos elementares aqui implicados, para ter a noção da funcionalidade teleológica entre eles, ou seja, verificar como um está em função de outro:
>  a lógica ordena-se à razão;
>  a razão ordena-se à inteligência; e
>  a inteligência ordena-se ao ser, que provém de Deus.
Com relação a esta proveniência metafísica (a saber: dos entes em relação ao Próprio Ser, que é Deus), vale escrever outro breve texto. Por ora fiquemos com a elementar distinção entre inteligência, razão e lógica — na falta da qual muitas vocações filosóficas perderam-se funestamente.
Ao passo que a metafísica, malgrado os seus detratores, continua de pé, iluminando inteligências.
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1- Cfme. Tomás de Aquino, Comentário ao Prólogo de João, Cap. I, Lectio I, n.25.
2- Cfme. Tomás de Aquino, Comentário ao Prólogo de João, Cap. I, Lectio I, n.27.
3- Cfme. Tomás de Aquino, Suma Teológica, I, q.29, a. 3, ad.4).
4- Aqui não está em tela a inteligência que é potência para os inteligíveis, porém sem raciocinar, visto que é intuitiva (a dos Anjos); nem a Inteligência pura, da qual procedem todos os inteligíveis (a de Deus).

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Esperança, virtude teologal



Sidney Silveira

O homem só conhece verdadeiramente o caráter dadivoso da confiança em Deus chamada esperança quando perdeu muito de tudo: amigos, trabalho, saúde, família. Ele então se torna apto a compreender que a esperança é presente do céu, e não um vislumbre adquirido pela argúcia humana.

Não se trata de nenhum cálculo probabilístico favorável, mas da entrega absolutamente cega a algo superior.

A esperança cristã brilha na escuridão porque é luz vinda do alto; a esperança meramente humana — deixada no fundo da caixa de Pandora —, ainda que se alimente de alguma luz nascida das aspirações dos homens, é treva.

O cristão tem plena convicção de que recebeu a esperança de presente quando ela resiste a todas as perdas. Quando se mostra como poderosa força contra tudo e contra todos.

As outras esperanças são esperas mensuradas; a esperança cristã é espera mensurante. As primeiras são medidas pela cupidez humana; a segunda mede a estatura espiritual de quem a possui porque se ampara n'Aquele que não pode ser medido.

Daí dizer São Paulo que a mensagem da Cruz, ou seja, essa inabalável espera a partir do sofrimento e da agonia, é loucura para os gentios. E de gentios podem muito bem ser chamados hoje todos os que esperam no mundo, com o mundo e para o mundo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Professor da USP é calado por militantes após criticar comunismo



Sidney Silveira

Supor que uma opinião é imutável significa transformá-la em DeusA coisa é simples: na perspectiva psicológica, opinião é justamente o estado intermédio entre a dúvida e a certeza, daí dizer Tomás de Aquino que "opinião indica o ato do intelecto que dá assentimento a uma proposição com temor de que a sua contraditória seja a verdadeira".

Ocorre que há um tipo de opinião despótica: é aquela que, nas sábias palavras do Prof. Carlos Nougué, se quer verdade sem deixar de ser opinião. Trata-se duma espécie de auto-flagelo com que alguém destrói a própria alma e costuma, por extensão, tentar destruir a de todos os que não compartilham de sua opinião. 

Meu conselho a quem mantém uma opinião durante muito tempo é básico, cristalino: mude de opinião, meu filho! Mas não a mude para colocar outra no lugar, pois isto seria estultícia. Eleve-a ao patamar de ciência — que é hábito mental da verdade e tem como efeito conseguinte a certeza. Portanto, não faça como estes jovens esquerdistas da USP do vídeo ilustrativo desta postagem, que com a agressividade típica dos imbecis munidos de iniciativa própria interromperam uma aula de Direito do Prof. Eduardo Lobo Botelho Gualazzi cantando um velho samba de Zé Kéti: 

"Podem me prender. Podem me bater. Podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião". 

Nem imaginam essas criaturinhas com muito hormônio no corpo e quase nenhum neurônio no cérebro que manter a mesma opinião e ainda por cima ficar sem comer seria, na prática, manter-se duplamente faminto: na alma, necessitada do alimento da verdade, e no corpo, sempre carente de vitaminas, proteínas, etc. Dá nisso tomar como lema de vida a tosca metáfora dum samba composto com intenções "políticas". A propósito, se perguntassem ao pobre Zé Keti o que é a política, e qual o sentido teleológico do bem comum, talvez a sua voz do morro emudecesse e ele ficasse de cócoras e atônito como um sagüi diante do enigma da Esfinge...

Por todas essas razões, respeite a sua opinião. Transforme-a em certeza epistêmica. E aceite a opinião contrária enquanto não decantar a sua. Noutras palavras, antes de querer consertar o mundo, limpe o cocô das suas próprias cuecas, cagão! Se não fizer isto, só nos restará a certeza de que você não se alçou sequer ao patamar da opinião. Mantém-se numa dúvida aflitiva que pretende impor como verdade absoluta. 

Ora, a ditadura da dúvida ou da opinião que se quer impor como verdade é totalitária e assassina. Mais dia menos dia ela destrói, no grito e a sangue frio, toda e qualquer oposição. 

Prévia da grande chamada do curso "A Língua Absolvida"





Sidney Silveira

Hoje (31/03) estive com Sergio De Carvalho Pachá na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, para gravar a primeira grande chamada do curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum. Todos os que acompanham o blog poderão ver em breve este agradável bate-papo informal sobre coisas elevadas.

A erudição generosa do amigo Pachá tornou a conversa agradabilíssima. A propósito, este será o tom de todo o curso: ele a explanar, e eu ao seu lado, a fazer comentários, perguntas, etc. 

À parte dos vídeos haverá textos da lavra do mestre, que é gramático, dicionarista, lexicógrafo, filólogo, poeta e tradutor.

Nos próximos dias, as novidades!


P.S. Agradecimento especial a Monik Moreth e a Juliana Vieira, que filmaram e tiraram as fotos. Profissionais de primeira linha!