quinta-feira, 13 de março de 2014

Curso "A Beleza na História Cultural": está chegando a hora!


"A beleza é quando entender e amar identificam-se formalmente com o ser"

Sidney Silveira

As inscrições para este curso de extensão internacional continuam no site do Instituto Angelicum, onde há todas as informações referentes à ementa, certificado, cronograma de aulas, mensalidade, etc.:

quarta-feira, 12 de março de 2014

Corrosão da personalidade, sintoma de morte da inteligência


Sidney Silveira

Todo processo de despersonalização implica uma corrupção maior ou menor do ato próprio da inteligência: conhecer. Em síntese, quanto menos uma pessoa conhece de si mesma e do mundo à sua volta, mais o caráter torna-se híbrido, mais a sua personalidade esfuma-se e mais se reduz a possibilidade de que enxergue a dimensão dos seus próprios atos. Por conseguinte, decai ao mínimo a chance de arrepender-se do que quer que seja. 

A razão é simples: o arrependimento não é outra coisa senão a luz da inteligência que põe a nu os erros cometidos no passado. Mas há precondições psicológicas e espirituais para que ele se dê, sendo a primeira delas a inteligência não estar depauperada por conceitos obscuros ou errôneos nem a vontade desgovernada por paixões sem freio, sobretudo as que afetam as instâncias superiores da alma — como o desespero e o medo, por exemplo.

A realidade que os cristãos sempre chamaram de “pecado contra o Espírito Santo” é o signo eloqüente de que a inteligência se perdeu decisivamente e só um verdadeiro milagre poderá restaurá-la, pois, chegada este ponto dramático, a sua tendência é cair numa espiral interminável de autojustificações. E mais: ambientada ao novo estado mental criado de maneira artificiosa e culpável, a inteligência há de tornar-se crescentemente maliciosa — ao ponto de projetar em tudo a maldade à qual sucumbe. Afogou-se no mundo das mentiras em que escolheu acreditar.

Ora, crer nas próprias mentiras é apenas o ponto intermédio de uma personalidade que perdeu a bússola da luz do intelecto natural, como chamava Santo Tomás ao conhecimento espontâneo dos primeiros princípios da razão especulativa. Daí às patologias mais graves é um salto automático, pois a alma vai perdendo o sentido de unidade e se pulveriza em átomos dispersos pelos quais a leitura dos dados provenientes do mundo real se torna problemática, ou mesmo impossível. O homem então vê o que quer, e não o que é: entre o seu universo psicológico interior e o mundo exterior criou-se um abismo, e o primeiro efeito disso é ele tornar-se incapaz de dar testemunho seguro de si mesmo, ou seja, enxergar os motores dos seus próprios atos. 

A isto chamamos corrosão da personalidade, geradora de transtornos os mais aflitivos. O indivíduo chegado a este estágio despersonaliza-se porque se tornou incapaz de contemplar-se no espelho da consciência. O drama desta doença pode ser mensurável pelo seguinte: fazer o caminho de ida às coisas e volta a si mesma é a propriedade básica de toda inteligência sã — a “reditio completa” pela qual o homem orienta-se à transcendência e retorna enriquecido à imanência do seu próprio ato de ser. É, em sentido análogo, como o “torna-te o que tu és” do poeta grego Píndaro, repto no qual vem embutida a premissa de que conhecer a si próprio e conhecer o mundo, no caso do homem, são realidades simultâneas e complementares. 

Ocorre que o doente do espírito ao qual este breve texto faz referência perdeu a capacidade de descrever-se com mínimo realismo, assim como de descrever o que está à sua volta. Toda a sua vida a partir deste ponto implicará uma espécie de forçosa auto-santificação e de demonização das demais pessoas, tendo por causa central a corrupção da inteligência. 

O fato de que esta doença do espírito hoje seja coletiva — e esteja espraiada indiscriminadamente pelo mundo ocidental — indica-nos o seguinte: a inteligência não está mais em perigo de morte, como escrevera o filósofo belga Marcel De Corte no último quartel do século XX. Ela está morta à espera da ressurreição, e se esta ainda for possível passará necessariamente pelo tesouro da filosofia de Tomás de Aquino. 

Filosofia esta que não é outra coisa senão o melhor anticorpo para preservar o senso comum imune aos ataques mais insanos de doutrinas filosóficas  indignas deste nome.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Como validar no Brasil o certificado internacional do Curso de Extensão "A Beleza na História Cultural"


EXPLICAÇÃO INSTITUCIONAL 

Aos que perguntaram no Instituto Angelicum como revalidar o certificado do curso "A Beleza na História Cultural" que será emitido com o selo de IVITRA (Institut Virtual Internacional de Traducció, da Universitat d'Alacant, UA), é simples. 

O aluno interessado na convalidação e que esteja ainda na sua graduação deve entrar com um pedido na secretaria de seu curso, munido da ementa (com o programa e a bibliografia, disponíveis no site do Instituto). O chefe do Colegiado do curso do aluno analisa o pedido, emite um parecer que depois é votado em reunião departamental. Esse é o mesmo procedimento do aluno que faz uma disciplina de outro curso e quer que ela seja "contabilizada" em seu histórico escolar.

Como a carga horária de nosso curso é maior (90h) que uma disciplina "normal" na universidade brasileira (60h) e IVITRA é, por sua vez, um projeto de excelência (DIGICOTRAM) aprovado pela União Europeia — vocês podem consultar essas informações em http://www.ivitra.ua.es — e, por fim, os proponentes acadêmicos são os Profs. Drs. Vicent Martines (UA) e Ricardo da Costa (UFES) — este que vos escreve — não creio que os respectivos colegiados das graduações dos estudantes inscritos em nosso curso criem empecilhos para isso. 

Para dar um "peso" ao pedido, além do programa, podem anexar o meu currículo — disponível em http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=B727344

Verão que gosto de trabalhar. 

Espero que tenha esclarecido todas as dúvidas institucionais. 

Atenciosamente,
Prof. Dr. Ricardo da Costa (www.ricardocosta.com)

P.S. As inscrições para este curso continuam abertas no link abaixo, onde há todas as informações referentes a ele:



domingo, 9 de março de 2014

Só a inteligência vê o Belo


"A beleza é tanto mais bela quanto maior é a vitória da inteligência sobre os sentidos, da forma sobre a matéria, da alma sobre o corpo, da contemplação sobre a captação sensitiva". (Sidney Silveira)

Curso de Extensão Internacional "A BELEZA NA HISTÓRIA CULTURAL".

TÁ CHEGANDO A HORA, PESSOAL! 
As inscrições continuam abertas no link abaixo:

sexta-feira, 7 de março de 2014

Os grupos secretos que agiram na Igreja antes do Vaticano II


Sidney Silveira

PARA AQUILATAR o caráter insidioso do modernismo condenado por São Pio X na Encíclica Pascendi, cujas premissas teológicas e filosóficas foram literalmente consagradas no Concílio Vaticano II, convém ler o documento posterior a ela intitulado Sacrorum Antistitum, de 1º de setembro de 1910, no qual se lêem as seguintes palavras do grande Papa Giuseppe Sarto: 

"Com efeito, estas pessoas não cessaram de buscar e reunir em associação SECRETA novos adeptos, e de inocular com eles, nas veias da sociedade cristã, o veneno das suas opiniões".

A organização notável desses grupos denunciados pela autoridade máxima da Igreja, como diz o teólogo e historiador italiano Ernesto Buonaiuti no livro Il modernismo cattolico, teve por objetivo programático transformar a Igreja num protestantismo gradual. Para tanto, era necessária a melhor camuflagem possível e uma triste capacidade de agir duplamente: minimizar a posição diante das autoridades, porém exacerbá-la nos encontros secretos (ou discretos).

A coisa foi urdida de maneira planificada até os mínimos detalhes. Roberto de Matteitraz à luz, em seu fundamental livro "O Concílio Vaticano II - Uma História Nunca Escrita", uma confissão do ex-beneditino francês Albert Houtin, que revela sem o menor constrangimento o seguinte: o objetivo do modernismo previa que os inovadores não saíssem da Igreja mesmo se perdessem a fé, a fim de disseminar as suas idéias no decorrer das décadas seguintes à época da Pascendi.

E conseguiram. Mas sabemos que não venceram a guerra.

P.S. Na imagem que ilustra esta postagem, entre outros encontram-se sentados Henri De Lubac, Urs von Balthazar, Yves Congar, Jean Daniélou, Maurice Blondel, Alfred Loisy e Teilhard de Chardin...

As Tábuas da Lei, espelho da natureza humana


Sidney Silveira

Os 10 Mandamentos encerram todos os princípios universalíssimos da moral natural. Não obstante a fórmula proibitiva de algumas dessas leis entregues por Deus a Moisés no Sinai ("Não matarás", "Não roubarás", etc.), o pressuposto delas é algo atinente à essência de todas naturezas intelectivo-volitivas, ou seja: diz respeito às suas tendências e aptidões mais fundamentais. Noutras palavras, são indicativas do bem e do mal nas ações praticadas pelas criaturas dotadas inteligência e vontade, e também preceptivas, ou seja, contêm a proibição do mal e o mandato do bem.

Não por outro motivo, Vásquez, estudioso da obra de Santo Tomás pertencente ao Século de Ouro espanhol, dizia que a lei natural tem o fundamento de sua força obrigatória na própria natureza humana.

Vamos a um exemplo do que se está a dizer:

"Homem, és constituído de tal forma, que não matarás"; 
"Homem, és constituído de tal forma, que não roubarás";
"Homem, és constituído de tal forma, que  não prestarás falso testemunho"; etc.

Ou seja, exatamente por ser capaz de discernir o bem e o mal nos seus próprios atos — o que, em si, já é um extraordinário bem —, tudo o que o homem faça de mal contraria a sua natureza intelectivo-volitiva.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Procedimento apofático de investigação do belo





Sidney Silveira

O que a beleza NÃO É

> Ela NÃO É um conceito arbitrário da inteligência;
> Ela NÃO É produto da vontade;
> Ela NÃO É fruto da imaginação;
> Ela NÃO É um acaso na natureza;
> Ela NÃO É a forma exterior dos entes;
> Ela NÃO É algo sem finalidade tangível.

Estas proposições implicam premissas metafísicas, gnosiológicas e psicológicas a serem apresentadas durante o curso “A BELEZA NA HISTÓRIA CULTURAL”, a ser ministrado por mim e pelo Prof. Ricardo da Costa, cujas inscrições continuam abertas no link do Instituto Angelicum, a seguir: