segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Camisetas do Angelicum (Latim) à venda!




Sidney Silveira
Ajudem-nos a ajudar o Brasil — ainda que em modestíssima escala — a pôr a cabeça para fora do lodo civilizacional em que se encontra: comprem as camisetas do Instituto Angelicum e contribuam com os nossos projetos do ano de 2014 (que incluirão a realização de cursos de idiomas, filosofia, teologia, etc., além da edição de livros).

Encomendem a bela blusa Latine loquor. Et tu?, no link abaixo do site do Angelicum: 

http://www.institutoangelicum.com.br/#!venda-de-camisa/c16cz

Aguardem: em breve daremos notícias sobre cursos de grego e de Direito Canônico — e traremos novos detalhes sobre o curso de extensão A Beleza na História Cultural - do Mundo Clássico ao Proto-Humanismo, que terei a honra de ministrar com o meu irmão Ricardo da Costa.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

“Summum ius, summa iniuria”: o Dr. Ives Gandra e o futebol



A Ricardo Dip

Sidney Silveira

“Sumo direito, suma injustiça”, diz o brocardo latino referindo-se ao formalismo legalista que, dando excessiva ênfase à letra, deixa totalmente de lado o espírito da lei. 

Por melhor formulada e por mais afim à lei natural que seja, nenhuma lei humana é perfeita ao ponto de materialmente abarcar a totalidade dos casos possíveis, o que segundo Tomás de Aquino acontece não por deficiência dos princípios norteadores da lei, mas devido ao caráter contingente e imprevisto das relações humanas. De acordo com o grande mestre medieval, o legislador humano, ao contrário do divino, não tem como prever todos os casos singulares, razão pela qual o cumprimento da lei deve ser levado a cabo à luz dos bens a que ela visa, ou seja, deve-se sempre buscar, acima de tudo, a intenção do legislador para que a justiça não corra o risco de se perder.

Uma lei pode ser deficiente em si mesma, seja por má-formulação, seja pela dificuldade intrínseca das questões acerca das quais versa; ou acidentalmente, pela inconveniência ou injustiça que a sua estrita aplicação pode gerar. No primeiro caso, conforme costumava salientar o grande tomista da Escola de Salamanca Domingo de Soto, é necessária a interpretação, a ser feita pelas autoridades judiciárias; no segundo caso, é necessário aplicar a virtude da epiquéia, forma superior de equidade que discerne as excepcionalidades para realizar a justiça, mesmo quando seja necessário dispensar alguém do cumprimento da lei. 

Vejamos o que diz o Aquinate sobre a falibilidade das leis humanas:

“Embora em alguns casos possa haver um defeito proveniente da observância da lei, isto por si não faz com que ela deixe de ser reta. Tal defeito não provém da lei razoavelmente formulada, nem do legislador que atuou conforme a matéria de que se trata, mas de uma deficiência proveniente da natureza das coisas. Assim é a matéria dos atos humanos, a qual não se dá universalmente de um só modo, visto que em alguns casos se diversifica. Portanto, devolver um bem é lícito em si e na maioria dos casos é bom, porém pode eventualmente ser algo mau, como quando se devolve a espada a um louco furioso”.[1]

Todo bom direito deve, pois, fugir ao legalismo estrito e ao literalismo, duas pragas que corroem os atos da justiça devido ao automatismo de caráter formalista na observância da lei. Digamos isto de outra maneira: as palavras são o corpo da lei; a intenção do legislador é a alma. Pôr ênfase no corpo em detrimento da alma é tentar fazer viver um cadáver. Quando, pois, as decisões judiciais se desvinculam da intenção do legislador, invariavelmente acontecem injustiças.

Voltaremos a isto.

No recente e notório caso futebolístico em que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) cumpriu o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, retirando os pontos de Flamengo e Portuguesa na última rodada do campeonato brasileiro, por atuarem irregularmente com jogadores suspensos, a aplicação das penas estava totalmente de acordo com a letra e também com a clara intenção do legislador (no caso, de quem formulou o Código). A unanimidade nas duas instâncias do STJD ilustra de maneira cabal a insustentabilidade das teses dos advogados de Flamengo e Portuguesa. Quanto ao Flamengo, particularmente, vazaram na imprensa e-mails do seu advogado no âmbito interno do clube, cujo teor era nada menos que a confissão expressa do erro de escalar um jogador sem condições de jogo.

Agora, o jurista Ives Gandra Martins aparece na grande imprensa para defender a tese de que o STJD “errou”, como em recente entrevista ao canal Sportv. A justificativa usada por ele é de um simplismo atroz — além de passar ao largo das irregularidades cometidas, como se estas fossem uma abstração totalmente alheia aos fatos. O Dr. Gandra menciona a subordinação do regulamento do Brasileirão (o referido Código Brasileiro de Justiça Desportiva) ao Estatuto do Torcedor, sob a alegação de que este último é lei federal. O problema de sua “tese” não reside nesta afirmação, em si correta, mas nas premissas ocultas e nas omissões espetaculares que contém. Sejamos econômicos nos exemplos.

Uma omissão:

> A Constituição Brasileira, em seu artigo 217, garante a “AUTONOMIA das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto à organização e funcionamento” de suas atividades. Em breves palavras, no caso de que se trata, a subordinação do Código de Justiça Desportiva ao Estatuto do Torcedor não é por assim dizer "automática" pelo fato de este último ser lei federal, visto que a CBF e o STJD gozam de AUTONOMIA para organizar torneios (como o campeonato brasileiro de futebol) e torná-los exeqüíveis por meio de regras próprias, as quais, no caso em tela, foram aceitas por todos os participantes da competição.

Tal autonomia só se perderia — de acordo com o que se depreende do próprio artigo 217 da Constituição Federal, num de seus incisos —, se o Poder Judiciário decidisse em caráter definitivo algo contrariamente à decisão do STJD. Mas isto ainda não aconteceu! Foram concedidas liminares na Justiça Comum, que, a propósito, em sua imensa maioria, já foram cassadas. Reiteremos isto com outras palavras, a título de mero procedimento mnemônico: a competência da Justiça Desportiva para o caso de que se trata está garantida pela Constituição Federal, a menos que a Justiça Comum decida definitivamente o contrário. 

Mas, Dr. Gandra, onde está mesmo o “erro” do STJD ao aplicar o regulamento

Outra omissão:

> Na prática, não houve propriamente conflito entre o Estatuto do Torcedor e o Código de Justiça Desportiva no assunto de que se trata. Isto porque, ao falar de “publicidade”, o Estatuto do Torcedor não se refere à publicação dos fatos julgados, mas se refere, sim, ao fato de as sessões serem públicas, sem segredo de justiça. E não nos esqueçamos de que, no artigo 133 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, está definida a total desvinculação entre os efeitos IMEDIATOS da decisão e o ato de notificação. Mas reiteremos: em momento algum o Estatuto do Torcedor diz que a punição só vale a partir duma publicação. Apenas diz que a decisão do tribunal tem de ser tornada pública. 

Aqui, a má-formulação do texto leva-nos a um dos casos acima citados em que uma lei pode ser deficiente, pois abre uma brecha; daí a necessidade de buscar-se a intenção do legislador. Mas esta, certamente, não é a de sobrepor-se aos atos dos órgãos desportivos competentes ao seu bel-prazer e indiscriminadamente, pois se assim fosse a Constituição Federal não garantiria a autonomia acima citada.

A opinião do Dr. Ives Gandra não tem respaldo nos textos e pressupõe uma colisão onde na verdade ela não existe

Se valesse a sua tese, cairíamos no formalismo legalista que dá total razão ao ditado: 

“Summum ius, summa iniuria”.

Em tempo: O Fluminense deve ficar atento a quaisquer manobras de "virada de mesa", como as que teses semelhantes à do Dr. Gandra acabam por incentivar, direta ou indiretamente.  

Os amantes do velho esporte bretão agradecem se isto não acontecer.
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1- Tomás de Aquino, Sententia Libri Ethicorum, V, cap. 10, lec. XVI, n. 76.

A nova plataforma onde será ministrado o curso "A Beleza na História Cultural"

Sidney Silveira
Entre no link abaixo e garanta já a sua vaga neste Curso de Extensão Internacional:

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

INSCRIÇÕES ABERTAS: curso de extensão "A Beleza na história cultural — do mundo clássico ao proto-humanismo"

Sidney Silveira
Temos o prazer de convidar os interessados em Arte, Filosofia e História a participar deste Curso de Extensão online. Nossa proposta é oferecer um panorama introdutório do conceito de Belo e a importância civilizacional da beleza enquanto transcendental do ser, com narrativa cronológica da História da Arte nos períodos clássico, medieval e primórdios do humanismo.

O Curso de Extensão terá carga horária de 90 horas; integram o corpo docente o Prof. Dr. Ricardo da Costa, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Sidney Silveira, há anos dedicado ao estudo da obra de Santo Tomás de Aquino e de outros autores medievais.

As aulas acontecerão todas as terças-feiras, a partir de 18/03, e ficarão disponíveis na área do aluno no site do Instituto Angelicum, enquanto durar o curso. 

Ao todo, serão nove meses (com interrupção em junho, mês da Copa do Mundo).

Cronograma do curso

Março: 18, 25
Abril: 01, 08, 15, 22, 29 
Maio: 06, 13, 20, 27 
Julho: 01, 08, 15, 22, 29 
Agosto: 05, 12, 19, 26
Setembro: 02, 09, 16, 23, 30
Outubro: 07, 14, 21, 28 
Novembro: 04, 11, 18, 25
Dezembro: 02, 09, 16

O curso de extensão terá custo de R$ 180,00 mensais — ou R$ 100,00 para os que não tiverem interesse no certificado internacional da Universidade de Alicante, que está nos trâmites finais de aprovação acadêmica desta parceria.

Garanta logo a sua vaga e faça desde já a inscrição de R$ 30,00 (valor a ser descontado da primeira mensalidade a ser paga).

VEJA A EMENTA E CONTINUE A LER ESTE TEXTO EM

sábado, 4 de janeiro de 2014

A Beleza no Mundo Clássico e Medieval — Curso de Extensão do Instituto Angelicum em parceria com a Universidade de Alicante (ESP)


A COROAÇÃO DA VIRGEM, Fra Angelico

Sidney Silveira
"A beleza divina identifica-se com a luz, e esta é a fonte de todas as belezas nos entes compostos de matéria e forma".

Esta premissa, expressa aqui com palavras de minha lavra, é encontrável na obra do grande Pseudo Dionisio Areopagita. Trata-se dum pequeníssimo tira-gosto do que apresentaremos no Curso de Extensão online "A Beleza no Mundo Clássico e Medieval", a ser ministrado por mim e pelo meu querido irmão, Ricardo da Costa!

EM BREVE DAREMOS NOTÍCIA DELE!

Os participantes do curso (que terá 90 horas) terão direito a certificado internacional emitido pela Universidade de Alicante, na Espanha.

Aguardem!
P.S. A quem se interessa por enriquecer o currículo acadêmico, o certificado é convalidável no Brasil. Basta solicitar ao MEC.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013


Sidney Silveira

A felicidade humana não se faz pelo somatório de vontadezinhas satisfeitas nem se mede por projetos de vida realizados no decorrer de determinado período. Mais importante é o estado de impassibilidade espiritual nas vitórias e nas derrotas. 

Portanto, os meus votos de "Feliz 2014" implicam não o sucesso e o aplauso dos homens — que, em geral, fazem mais mal que bem à alma —, e sim a sabedoria adquirida nas derrotas, pela qual o pó que somos se alça à máxima dignidade possível.

Em 2014 desejo a todos a proximidade do ideal da grande mística do Carmelo, Santa Teresa de Ávila, enunciado num dos mais belos poemas já escritos na língua de Cervantes — do qual destaco os versos iniciais:

“ Vivo sin vivir en mí,
y tan alta vida espero,
que muero porque no muero”.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Porta dos Fundos — conhecida por dicionaristas e lexicógrafos daqui e d’além-mar como “olho do cu”



Sidney Silveira
Aprendemos nas aulas de biologia que alguns bichos, como o escaravelho, se alimentam de merda. Há espécies deles, como o popular escaravelho vira-bosta, que parecem comprazer-se sumamente em suas atividades excrementícias, pois juntam considerável quantidade de cocô alheio — não raro muito superior ao peso do próprio corpo — e rolam essas volumosas bolas de fezes até as suas tocas, onde se empanzinam de esterco ao ponto de se sentirem repletos e regalados como os mais insaciáveis glutões de que se tem notícia. Por exemplo? O rico romano Trimalcião, personagem do Satyricon de Petrônio, que, para exibir-se perante comensais devoradores de chouriços e lingüiças, manda estripar um porco à frente de todos. Em resumo, degustar dejetos é a natural apetência desse escaravelho, êxtase merdoso no qual a sua vida alcança o ápice.

Ora, que besouros esquisitos comam dejetos até a repleção, vá; assim cumprem certa função na natureza e contribuem para o equilíbrio de alguns ecossistemas. Mas que homens se empanturrem de cocô mental, encontrando nesta infausta atividade alguma graça, por menor que seja, é um mistério absolutamente irresolvível para os maiores gênios que a filosofia já produziu, desde a Antiguidade mais remota aos tempos atuais.

Refiro-me ao grupo de “humoristas” chamado Porta dos Fundos, cujo sucesso é um dos vários signos distintivos do oceano de insanidade em que o Brasil se afoga. Trata-se de jovens flagrantemente estúpidos que se imaginam intelectuais a fazer humor “crítico”, em boa parte voltado contra a religião — particularmente a católica. Pelas entrevistas de algumas dessas criaturas em programas não menos lamentáveis que o tipo de “humor” que pensam praticar, de imediato se aquilata o quanto se irmanam nestas cabeças-de-bagre duas coisas que, juntas, são sempre nitroglicerina: soberba e ignorância. O rapazola chamado Gregório Duvivier a falar sobre ateísmo, por exemplo, deixaria os ateus teóricos de antanho vexados! Certamente lhe chutariam os fundilhos e o expulsariam pela porta dos fundos do seu clube.

Infelizmente, não estou à frente de um programa de entrevistas desses, pois reduziria a pó-de-mico o discurso desses pobres-diabos, com requintes de crueldade intelectual. Mas, como isto jamais acontecerá, limito-me a fazer referência a alguns dos últimos episódios desta camarilha de ignaros pretensiosos — sobretudo o blasfemo e sacrílego especial de Natal — para dizer o seguinte: todos os advogados, juízes, representantes do Ministério Público, procuradores e desembargadores católicos em geral, gente que conhece bem os trâmites do Judiciário, têm o DEVER de encher essas pessoas com tantos processos que elas passem o próximo ano tendo imenso trabalho para responder um a um. Os crimes que cometeram, sob o falso pretexto da “liberdade de expressão”, constam do Código Penal brasileiro.

Mas não basta isto: a idéia de levar adiante campanhas de boicote aos patrocinadores dessa turma é excelente, pois a dor no bolso é a melhor medida para pôr à prova as convicções de tais personagens. Um dos patrocinadores é a Cerveja Itaipava! Sugiro que entupam os e-mails da empresa (pelo link http://www.cervejaitaipava.com.br/, onde há uma área de contato), assim como o telefone de atendimento 08007279998, alertando para o fato de que, a continuar o patrocínio, o grupo que produz a cerveja pode ter reveses jurídicos e, o que é pior, problemas com a sua imagem institucional.

Quanto a Fábio Porchat, um dos mais conhecidos da trupe, não resistiria a cinco minutos de sabatina com um bom entrevistador que questionasse o ataque sistemático que, sob a falsa capa do humor, o grupo anda fazendo à religião por cujo intermédio foram lançadas todas as bases da civilização que, por várias razões, hoje rui tendo como símbolo da queda pessoinhas como ele, culturalmente patéticas porém de um esperto senso de oportunismo. Ele passará; ela não.

Pela portinha dos fundos desse pessoal sai uma bosta que nem o mais faminto escaravelho suportaria comer...

P.S. Perdoem os amigos pela referência chula, desta vez inescapável, no título deste breve texto. A analogia pareceu-me necessária e pertinente.