segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O novo site do Instituto Angelicum



Sidney Silveira

Enfim, está no ar o site do Instituto Angelicum:


Reformatamos a plataforma digital do projeto no domínio .COM.BR — mas o nosso intuito é também manter o domínio .COM, medida esta em andamento.

A partir de agora, os e-mails devem ser enviados para contato@institutoangelicum.com.br, caixa postal eletrônica que centralizará o relacionamento com o nosso público. 

Há no site seções de artigos, livros, vídeos, cursos, indicações de leitura, etc.

Quem puder, compartilhe a informação.

Abraço a todos e obrigado!


domingo, 6 de outubro de 2013

"Lingua Latina est via certa ad sapientiam" - CURSO DE LATIM DO INSTITUT...




PARA BOTAR ÁGUA NA BOCA DE VEZ

Sidney Silveira
O idioma — qualquer idioma — é mero instrumento para a inteligência ir às coisas por intermédio de signos e alcançar a região das formas inteligíveis superiores, ou seja, extrair delas a essência imaterial. Só o esteta, ou seja, o homem mutilado espiritualmente a ponto de deter-se na instância exterior e superficial das coisas, se compraz no idioma por ele mesmo. Sim, por belo que seja, qualquer idioma é de uma miséria ontológica patente se comparado ao ser, à realidade das coisas criadas por Deus, que ele se esforça por alcançar ou traduzir, sempre de maneira assintótica, parcial, limitada. 

Em suma, aprendemos um idioma para ir além dele próprio, e não para exibi-lo como um troféu. No caso do latim, a conveniência de estudá-lo é imensa, se considerarmos, mais do que a riqueza de suas possibilidades de expressão, as grandes obras da filosofia, da teologia, do direito, da medicina, da política, etc., escritas na língua de Virgílio, muitas delas perdidas em livros bolorentos e jamais reeditadas, seja no próprio latim ou em língua vernácula. Portanto, conhecer o latim clássico é uma forma de abranger as possibilidades de conhecimento ao universo riquíssimo da alta cultura.

Obras imortais são escritas em várias línguas, e são mais importantes do que as línguas mesmas de que se valeram para expressar a beleza, a verdade, a bondade e outros transcendentais do ser. Camões não foi grande por causa do português, mas o português é que se alçou a um patamar superior por causa de Camões. Ora, uma alma hierarquizada, na qual a ordem interna que procura alcançar e manter serve como vestíbulo para a percepção acurada da realidade, entende que a língua é como o pincel e as tintas: causa instrumental, apenas, a qual serve à elevação do espírito. Querer mais que isso é transformá-la em ídolo, ou seja, interromper o caminho do sensível ao inteligível na dimensão estética, como a concebia o filósofo dinamarquês Kierkegaard: instância onde o homem não transcende devidamente ao prazer mundano, imediato, servil. 

O CURSO DE LATIM CLÁSSICO com que o Instituto Angelicum reinicia as suas atividades tem isto no horizonte: trata-se de um curso de cultura clássica que tem o latim como veículo, como instrumento. Noutras palavras: mais do que apenas aprender o latim, aprender-se-ão coisas em latim, e isto só é possível quando ele se apresenta como língua viva — o que se dá perfeitamente com o método de Hans Orberg utilizado pelo jovem professor William Botazzini, talento que temos a alegria de apresentar ao grande público brasileiro.

Este é o primeiro curso de muitos que o Angelicum, com a graça de Deus, há de levar adiante. Cursos de línguas, de filosofia e de teologia — sobretudo a tomista.

Façam as suas inscrições!

Informações com Lissandra Lopes pelos e-mails contato@institutoangelicum.com ou aiqchic@gmail.com, assim como no Facebook, em: 

sábado, 5 de outubro de 2013

Tira gosto do cuso de Latim do Instituto Angelicum — a pronúncia restituída


Sidney Silveira

A pronúncia restituída

Os alunos que já RATIFICARAM A SUA INSCRIÇÃO receberão em breve esta aula magna de apresentação ao curso COMPLETA — juntamente com o texto preparado pelo Prof. William Bottazzini.

Quem ainda está em dúvida sobre se vai participar desta iniciativa civilizacional pode ficar com água na boca... 

E inscrever-se enquanto há vagas! 

O curso começa no dia 16 deste mês.

Abraço a todos e... LEIAM, ESCREVAM e FALEM O LATIM!

Informações com Lissandra Lopes pelo e-mail contato@institutoangelicum.com, e também em: 

DVDs do Instituto Angelicum



Sidney Silveira

Anteontem, achei exemplares remanescentes da coleção de DVDs do Angelicum que iremos retomar a partir de agora.

1- "Bach e a harmonia das esferas", palestra do Prof. Carlos Nougué;
2- "A Síntese Tomista (I- O tempo e a eternidade em Santo Tomás de Aquino)", aula magna do Prof. Carlos Nougué sobre estes dois temas importantes da obra do Aquinate;
3- "A Síntese Tomista (II - Aspectos da Metafísica e da Gnosiologia de Santo Tomás de Aquino)", que são trechos de diferentes aulas minhas.

CADA DVD custa R$ 45,00 (incluído o frete).

Os interessados devem mandar e-mail para Lissandra Lopes de Oliveira, em aiqchic@gmail.com, manifestando o interesse em adquiri-los.

Assim que possível, reimprimiremos mais destes DVDs e incluiremos na série "A Síntese Tomista" o curso "Manifesto das Sombras - A Política Brasileira à luz da filosofia perene", recentemente ministrado por mim.

Desde já agradeço a todos os que apoiarem este projeto com a adquisição dos DVDs.

No momento há apenas:

>  15 exemplares de "I- O Tempo e a Eternidade em Santo Tomás de Aquino"; 
> 12 exemplares de "II- Aspectos da Metafísica e da Gnosiologia de Santo Tomás de Aquino"; e 
>  16 de "Bach e a Harmonia das Esferas".

Os compradores serão os primeiros que enviarem mensagem para o e-mail acima referido.

Quem quiser ver algo sobre esta iniciativa, que agora iremos retomar, vá ao Youtube em: 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A bondade dos distraídos e a maldade na cultura


Ao amigo Carlos Nougué
Sidney Silveira
A bondade moral não é uma espécie de brotoeja repentina — algo que surja, que irrompa, que ecloda de uma hora para outra. Não é acontecimento involuntário. Não é ação isolada. Não é distração episódica chegada a bom termo. Não é fruto da imaturidade. Não é volúpia de apetites sensitivos, embora estes tendam a bens tópicos, específicos: appetitus non est nisi boni,[1] já dizia Santo Tomás de Aquino no distante século XIII. A bondade moral é a magna vitória da inteligência e da vontade na relação do homem com o mundo. É hábito espiritual adquirido de olhos abertos, e não sem esforço continuado.

No plano metafísico, a bondade é ser; no plano ontológico, a bondade é a forma dos entes; no plano cognoscitivo, a bondade é a verdade; no plano moral, é o bem apetecido pela vontade iluminada pela inteligência; no plano artístico, é a beleza. E é graças ao bem metafísico — o ser, em sentido absoluto — que os males são possíveis nos demais âmbitos. Noutra formulação, não há males sem um horizonte de bem que os possibilite. Daí dizer Santo Agostinho, no seu estilo de rara beleza retórica usada contra os maniqueus, que mesmo os demônios, para serem maus, precisam fazer uso de faculdades boas, como as de entender e querer. E que pecado não é o apetecer uma natureza má, pois nenhuma natureza o é, mas renunciar no ato a outra superior. É usar mal do bem: malum est enim male uti bono.

O mal é, pois, privação do bem devido. Por isso qualquer maldade ou deficiência — por ínfima que seja, e do tipo que for — pressupõe a realidade metafísica, física ou moral da bondade. As formas precisam do ser, mas o Próprio Ser não está circunscrito a nenhuma forma; a cárie precisa do dente, mas o dente não necessita da cárie; um câncer é nada, sem o órgão ou os órgãos em que se dá; o hipócrita só pode ser assim chamado em razão da possibilidade mesma de ser bom e virtuoso, que ele rechaça. Tudo isso porque não há maldade onde a bondade é impossível,[2] assim como não é culpado de não fazer o bem aquele que, por alguma razão, esteja circunstancialmente impedido de fazê-lo. Em contrapartida, existe bondade onde o mal não deita raízes.

Na escala das depravações humanas, vale assinalar a existência de um tipo cada vez mais corriqueiro, a que chamamos maldade cultural. Esta se apresenta em todo o seu maligno esplendor quando aquilo que se considera “arte” perde qualquer possível conexão com duas das dimensões mais importantes da pessoa humana: fazer e contemplar. Ora, se a arte sempre foi, desde a antiguidade mais remota até a ruptura iniciada na modernidade e consumada na pós-modernidade, a reta razão aplicada ao fazer as coisas (recta ratio factibilium, nas palavras de Tomás de Aquino), é porque se tratava de uma virtude especulativa elevada, que fazia toda a diferença no cômputo final da obra feita. O artista era o detentor de um hábito operativo que, por sua vez, abarcava inúmeros conhecimentos sem os quais a sua arte não alcançaria a excelência.

Neste sentido, há mais ciência numa só escultura de Michelangelo do que em todas as “instalações” (sanitárias?) dos artistas plásticos contemporâneos, somadas. Há mais arte numa só partitura de Tomás de Victoria ou Bach do que em toda a música pop do século XX. E dizemos isto não por uma espécie de elitismo besta, mas por simples constatação empírica proveniente da comparação entre as realizações artísticas aqui referidas. E perdoem-nos os neocríticos fabricadores e adoradores de ídolos, mas digamos sem constrangimento: entre uma catedral gótica e as curvas simplórias de todos os prédios de Oscar Niemeyer existe o mais intransponível dos abismos estéticos, palpável nos distintos efeitos que causam na alma de quem os contempla. De um lado, pasmo extático de pessoas verdadeiramente arrojadas a uma instância de misteriosa beleza e supina harmonia; de outro, espasmo blasé do “entendido” baba-ovo, adulador da própria imagem projetada nos artistas que comenta.

Ah, os “entendidos”! Tantas vezes são boçais engajados imiscuídos na cultura — não obstante ostentem um que outro título universitário, adquirido sabe Deus como —, e quanto mal fazem com os seus pitacos pomposos publicados na imprensa e hoje também na internet, traduzíveis na irônica expressão castelhana que ouvi recentemente do filósofo tomista e amigo Luiz Astorga: as rebuscadas opiniões desses intelectuais da cultura são... tonterías solemnes. Trata-se da arte loquaz de criar conceitos elevadíssimos a respeito do nada, do pueril, do tosco ou mesmo do bizarro, e renegar as coisas mais óbvias que não escapam ao comum dos mortais. Pau é pau, pedra é pedra, mas não na cabeça destes ilustres senhores, e se lhes dizemos que entre a genialidade artística de Dante, Camões ou mesmo Bocage e a mediocridade pretensiosa da poesia concreta dos irmãos Campos existe galáctica distância, ofendem-nos.

Agora chega a notícia de que certo artista contemporâneo, o espanhol Gonzalo Orquín, montou uma exposição de arte com fotos de casais homossexuais a beijarem-se dentro de Igrejas católicas, diante de altares e sacrários. Ao ler a reportagem sobre este extraordinário trabalho criativo e ver as fotografias dos referidos ósculos “homoafetivos”, estalados diante de verdadeiras obras-primas da arquitetura, da escultura e da pintura sacras, não pude deixar de pensar algumas coisas:

 Acometido duma espécie de patologia coletiva em escala internacional, o homem tornou-se impermeável ao influxo da beleza, ou seja: sofreu um déficit de potência contemplativa;
 O resultado da obra de arte tornou-se obsoleto, sendo em seu lugar definitivamente entronizadas as intenções subjetivas do artista, transformadas elas próprias em “arte”, dependendo da capacidade de divulgação e convencimento das cabeças pensantes ligadas à mídia cultural, ou a ela pertencentes.
>  Da arte restou uma atitude iconoclasta e tola, o desejo — em si demagógico e midiático — de permanentemente quebrar “paradigmas”, numa espiral que promete não mais parar.

Ora, arte é, por definição, uma coisa difícil de fazer. Ou, noutra proposição: o que qualquer um faz sem maiores dificuldades não pode ser considerado “artístico” sem um grande esforço de torção semântica, se levarmos em conta as grandes realizações estéticas do homem — do momento em que começou a expressar-se artística e filosoficamente até os dias atuais. Em síntese, estamos a falar da diferença entre os rabiscos inocentes e mal-formados de uma criança que desenha na escola e os trabalhos de Rembrandt gravados em chapas de metal com buril. Esta é mais ou menos a distância entre essas bitocas sacrílegas divulgadas como "manifestação artística" e o ambiente de beleza sublime, de notável realização estética, das igrejas em que elas foram canhestramente elevadas ao patamar de arte.

Fiquei a olhar essas fotos produzidas e a conceber a seguinte situação imaginária: levado pela mão do demônio ao pináculo da beleza, para ser tentado, o homem pôs-se a contemplar o próprio umbigo. Revelou-se incuravelmente míope, por não possuir mais as precondições espirituais necessárias à percepção da bondade que existe na beleza. A luz zenital da arte transformou-se em trevas, aos seus olhos.

E onde os homens são negligentes ou distraídos na observação dos bens com que deparam, a cultura não pode senão transformar-se na mais competente difusora da corrupção do espírito.

____________________
1- "O apetite não é senão do bem".
2- No plano ontológico, a título de exemplo, uma pedra não pode ser dita má porque não vê as coisas, pois não há tal possibilidade em sua forma entitativa. No plano teológico, vale citar o exemplo dos condenados ao inferno (sejam homens ou anjos caídos): embora eles próprios estejam arrojados irremediavelmente no ódio e na maldade, o fogo que os consome e os ata é um grande bem, representativo da justiça divina. Ignis aeternus malos crucians non malus, diz Agostinho em seu “De Natura Boni”. Nesta passagem, logo após frisar que o fogo do inferno é um bem, o Bispo de Hipona usa como analogia a luz que atormenta os olhos enfermos, sem todavia ser má. Em suma, mesmo no inferno a maldade tem uma instância de bondade ontológica em que está submersa.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A profundidade da oração e a recitação dos Salmos


Sidney Silveira

O verdadeiro sentido de uma vida humana cujo propósito é elevar-se a Deus está dado pelo fato de que a mens, ou seja, o espírito, procura conformar-se devidamente à vox, entendida de acordo com a Regra de São Bento, que a concebe como palavra sagrada pronunciada na salmodia, no ofício divino. Em suma, muito mais do que um simples acordo entre mente e voz, quer dizer, entre vida interior e vida exterior — dever moral de todo homem —, trata-se de modelar a vida interior pelo Logos divino.

Noutros termos, o genuíno louvor a Deus vai além da honestidade de um homem para consigo mesmo, pois esta é apenas o pressuposto elementar, o invólucro necessário. Tal louvor consiste em o homem ir aos poucos deixando-se entranhar pelo Verbo divino que inunda as Sagradas Escrituras, compêndio das verdades amorosamente reveladas pelo próprio Deus para remi-lo. Como veremos abaixo, é óbvio ser possível um diálogo orante pessoal (feito de palavras escolhidas a dedo pela criatura racional) para com o Criador, mas para este ser fecundo deve dar-se no espírito — e sempre que possível também na letra — da Sacra Página.

Pressupor o contrário é imaginar que o homem pode encontrar o melhor caminho espiritual sozinho, elevar-se a Deus sem a ajuda de Deus, à qual os cristãos chamam graça. Implica deixar a oração depravar-se pela raiz do orgulho, fato mais comum do que a princípio se possa imaginar. Nesta matéria, a liberdade anda pari passu com o fiel seguimento da sabedoria divina, num dobrar-se ao texto sagrado contemplado como catequese batismal em forma de sentenças bíblicas. É ele, acima de tudo, a fonte na qual se destroem quaisquer vestígios de hesitação deliberativa em seguir as leis de Deus. É como ensina o salmo tão belamente comentado por Tomás de Aquino: “Regas os montes das alturas, e com o fruto da tua sabedoria a terra será saciada”.

Tais alturas não são outra coisa senão o texto bíblico mesmo, que pode e deve ser recitado, decorado, meditado. Mas tenha-se claramente em vista o seguinte: recitar salmos não é mero exercício de repetição vocal mais ou menos compreensiva, ao modo de um mantra entoado com intenções de técnica de relaxamento psicológico, mas é fazer a alma formalmente concordar com Deus, ou seja, realizar obra com o coração unido ao Todo Poderoso, num doce amplexo espiritual. E o que aqui se diz, lembremos, serve não apenas para a salmodia, e sim para toda e qualquer oração digna deste nome, que é quando a pessoa humana esvazia-se de si para preencher-se de Deus.

Ora, se uma das propriedades da prece — e considere-se aqui o proprium em seu sentido técnico, a saber, como acidente metafísico emanado da essência da coisa — é ser suplicante, ou seja, é pedir com firme esperança, é rogar com plena confiança, como dizia Santo Tomás, isto denota perfeitamente a atitude humilde a ser assumida por quem reza, pois pedir é reconhecer no ato que não se tem, e esperar de quem pode dar. Ora, quantas vezes infelizmente esquecemo-nos de seguir o ensinamento de Cristo: "O que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá". Não sejamos, pois, acanhados no pedir, pois deixar de fazê-lo é a mais triste forma de desconfiança na providência divina. Apenas não se tente a Deus com pedidos inócuos ou perversos nem se peça nada fora da reta ordenação aos bens espirituais. “Procurai primeiro o reino dos céus, e tudo vos será dado em acréscimo”.

na Didaqué encontrava-se o preceito de rezar o Pai Nosso três vezes ao dia, o que indica a importância de orar sempre tendo no horizonte as palavras expressas na Escritura, para poder fazê-lo de forma eficacíssima, e, no caso católico, sem perder de vista que a oração litúrgica é partícipe da vida eterna e é, pois, conveniente e benéfico buscar a mínima compreensão das orações que integram o ano litúrgico, em seu ritmo pneumático ascensional. Ocorre que isto não se faz sem repeti-las interior e exteriormente, até gravarem-se no coração e na mente, e ouvi-las com espírito atento na Santa Missa, na qual dia a dia vão sendo lidas. Só assim a humildade da alma suplicante revela o seu real dinamismo de subida reverente a Deus.

Estaria redondamente enganado quem supusesse que, seguindo essa disciplina psallendi, como diz São Bento no capítulo XIX de sua Regra, segundo a qual deve buscar-se a concordância entre mente e voz, aludida no primeiro parágrafo do presente texto, não se possa ou não se deva dialogar livremente com Deus, expressar-Lhe dores e conflitos intransferíveis, o que requer fazê-lo mediante palavras de cunho pessoal, não necessariamente coincidentes com o texto da Escritura. Trata-se apenas de entender que a excelência maior da oração é ser esmagamento da vontade própria — no sentido de que esta tem valor se e quando se molda à vontade divina —, e Deus não é um serviçal dos nossos caprichos e desejos, mas deve ser a meta das nossas aspirações genuínas. Em palavras simples: ainda que se peça algo específico, pessoal, tópico, este não pode não coincidir com a vontade de Deus, a qual visa aos bens superiores e à salvação da alma. E a vontade divina no tocante ao homem está expressa nas proposições escriturísticas, em forma perfeitamente adequada ao nosso modo de conhecer a verdade, que é por meio de raciocínios.

Encerremos dizendo que, se o temor de Deus é um tipo de vigilância amorosa, a maldade é, por sua vez, a pior das fadigas humanas: essa filha maldita da soberba extenua a alma naquilo que esta tem de mais excelente, a potência de querer o bem e buscar a verdade.

A maldade tolhe o acesso ao sublime, mas o tamanho desse drama existencial só o compreende quem sabe rezar, ou seja, quem entende a importância de fazê-lo tendo como referência maior os textos sagrados e o Magistério da Igreja, regra próxima e abalizada da fé.


Abalizada por um carisma inapagável.

E impagável.


P.S. Quem puder e lembrar, reze por caridade pela minha saúde.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Tomás de Aquino x Averróis


Sidney Silveira
Indicação de leitura a quem pediu textos em que Sto. Tomás combate a Averróis e ao averroísmo.

A principal obra é, sem dúvida, a densa De Unitate Intellectus, constante desta edição francesa da Flammarion, que também traz outros textos representativos da fina-flor da teoria do conhecimento do Aquinate:

Thomas d'Aquin contre Averroès