
Espaço destinado a combater a insidiosa e multiforme cultura liberal, que tem entre as suas raízes mais daninhas: uma falaciosa noção de liberdade humana; a idolatria — implícita ou explícita — da consciência individual; a separação entre natureza e moral; a contraposição entre Estado e indivíduo; a dissolução da Religião em categorias morais sem fundamento metafísico; a perda da noção de bem comum político.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Nova edição da "Ave Maria Expositio", de Santo Tomás

O Papa na Roma bombardeada

Sidney Silveira
Em 19 de julho de 1943, a cidade de Roma começou a ser criminosamente bombardeada pelos aliados norte-americanos (causando mais de duas mil mortes, ao final de todos os ataques), malgrado os apelos do Santo Padre para que as forças em litígio poupassem as populações civis e os lugares sagrados. Em vão. Na imagem acima, uma foto do Papa Pio XII (que salvou muito mais judeus do que Oskar Schindler, e não apenas não recebeu crédito nenhum por isto, como passou ignominiosa e injustamente para a história como uma espécie de covarde político) no bairro San Giovanni, na Cidade Eterna — um mês após o bombardeio, clamando aos céus por paz. Colhi-a no site do amigo Allan Lopes.
Neste link, indico um texto interessante do Memorial dos Quatro Santos Coroados sobre Pio XII, e neste outro, um vídeo com imagens do bombardeio — tanto em tomadas aéreas, como de suas conseqüências em terra. Nesse vídeo de ótima qualidade aparece o Papa no momento em que a foto acima foi tirada. Para dimensionar o estrago, vale ainda ver este outro vídeo, desta vez da cidade de Terni — na Úmbria — devastada pelas bombas aliadas em 11 de agosto do mesmo ano.
E para quem acha que no amor e na guerra vale tudo, não custa remeter-nos a um texto do Contra Impugnantes em que se mostrava o pensamento do Aquinate sobre a guerra, em linhas gerais...
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
A tentação filosófica: “ancilla malorum"
Sidney Silveira
O fim da tentação diabólica, de acordo com Santo Tomás, pode ser vislumbrado numa dupla perspectiva: o fim último, que é simplesmente induzir os homens ao pecado e afastá-los de Deus; e o fim próximo instrumental, que é saber a que vício está mais inclinado um homem, para poder arrastá-lo ao pecado pela sedução (In. II. Sent. d.21.). Numa série de questões do Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, o Aquinate demonstra que, na tentação proveniente do demônio ou do mundo, não há absolutamente nenhum pecado da parte de quem é tentado, mas a tentação da carne sempre traz consigo algum pecado — venial —, pois “não é só a carne que deseja, mas o conjunto [psicofísico humano], razão pela qual a tentação da carne [já] é pecado no que é tentado” (non enim sola caro concupiscit, sed conjunctum: et ideo talis tentatio est peccatum in eo qui tentatur). Tal doutrina do Aquinate certamente parecerá dura para a susceptibilidade do catolicismo contemporâneo*.
Não tenhamos porém excesso de escrúpulos, pois o próprio Doutor Comum nos lembra, na mesma questão, que nesta vida o homem não pode livrar-se das tentações da carne ao ponto de não ter nenhuma (homo non possit vitare tentationem carnis ita quod nullam habeat), até porque a tentação da carne implica a apreensão do bem deleitável pelos sentidos externos ou internos, e às vezes deparar com bens desta ordem é inevitável — sobretudo no mundo atual, orbitante em torno de fetiches e taras mil, às escâncaras, o que induz a imaginação a devanear. Convém, pois, neste ponto salientar que uma coisa é a tentação da carne, em sentido próprio (simpliciter), outra muito distinta são os deleites involuntários que ocorrem quando certos bens sensuais** aparecem aos olhos do cristão sem que ele os procure. Neste último caso não há sequer pecado venial, desde que logo ele desvie o olhar para fugir à tentação e não se meter em ocasião de pecado.
Assim, embora a tentação da carne (não confundida com o deleite involuntário) já traga consigo um pecado venial interior, pois implica voluntariedade em algum grau — o que aumenta a desordem da potência sensitiva interna da imaginação e predispõe ao ato exterior pecaminoso —, as tentações que visam às potências superiores da alma são muitíssimo mais deletérias e perigosas, pois se peca muito mais gravemente por soberba do que por paixão, e as tentações a que nos referiremos agora colocam-nos sob o risco de pecar por soberba — aparentando-nos, assim, ao inimigo da nossa salvação. Ora, o pecado de soberba é mais incompatível com a ação da graça do que o pecado da carne, dada a sua imensa gravidade, razão pela qual o soberbo tende a pecar habitualmente contra o Espírito Santo, e, neste caso, a remissibilidade dos seus atos é um verdadeiro milagre, de acordo com alguns dos maiores teólogos que a Igreja já produziu.
Uma dessas tentações mais sérias se dá propriamente com relação ao conhecimento, e, por conseguinte, à potência intelectiva. Chamemo-la de tentação filosófica, à qual tantos estudiosos sucumbiram. Se verificarmos bem a história da filosofia dos últimos 450 anos (mirando algumas teses dos mais famosos pensadores), observaremos até com certa facilidade como inúmeros homens doutos caíram em tentação filosófica, perpetrando verdadeiros absurdos contra a verdade e o senso comum, em geral para ser vistos como ‘originais’ aos olhos do mundo — como fica patente ao frisarem que as suas doutrinas eram novíssimas e punham abaixo o que fora feito até então: Descartes, Locke, Berkeley, Hume, Kant, Hegel, Schopenhauer, Bergson, Nieztsche, Husserl, Heidegger, Sartre, o ex-sacerdote Xavier Zubiri, etc. Algumas teses destes famosos perscrutadores das coisas filosóficas são tão abstrusas, mas tão claramente abstrusas, que não se pode chegar a elas sem algum grau de malícia ou ignorância culpável.
O Monsenhor Octavio Derisi, importante tomista argentino, demoliu muitas dessas teses em dois livros — Filosofía moderna y filosofía tomista e Tratado de existencialismo y tomismo —, mas não é o nosso propósito enumerar as suas refutações aqui, pois já o fizemos em outros textos do Contra Impugnantes. Por ora, importa-nos apenas fazer referência à tentação filosófica na mais grave das matérias em que se pode dar: nas coisas teológicas. Ora, se a matéria em que se dá o pecado é um dos fatores que especificam a sua gravidade, será tão mais grave cair em tentação filosófica quanto mais essa tentação aproxime o homem da possibilidade de dizer mentiras ou erros a respeito das coisas de Deus. É possível, neste caso, chegar até a mentira que Santo Agostinho classificara, no livro De Mendacio, como a mais nefanda de todas: a mentira religiosa — a que gera, ao fim e ao cabo, os heresiarcas inventores de falsas religiões, os cismáticos e os heréticos.
Infelizmente, com o fim do Index e com a revolução proveniente do Vaticano II, a Igreja deixou de se manter vigilante com relação a erros filosóficos — tanto assim que hoje os anátemas praticamente inexistem nesta matéria (e em qualquer outra, aliás). Quando muito, vemos uma recomendação discreta contra alguma leitura daquelas mais claramente loucas, mas a regra é ensinar nos seminários doutrinas gravemente atentatórias à fé, como se a sua assimilação acrítica já não constituísse, em si, um terrível dano para a inteligência dos futuros padres.
Não à-toa muitos sacerdotes hoje se tornam kantianos, hegelianos, bergsonianos, gadamerianos, espinosistas e até mesmo heideggerianos, tentando sintetizar em suas teses acadêmicas doutrinas contraditórias entre si, para tentar salvar algo da fé; mas os que levam as suas idéias às últimas conseqüências acabam abandonando a batina e/ou os votos de suas respectivas ordens. Ou, então, simplesmente passam a querer moldar a fé ao seu modo de vida. Ademais, como escritores ou filósofos são eles realmente incríveis: outro dia reli o texto de um ex-padre sobre Emmanuel Lévinas, e realmente ali não se dizia lé com cré. Ora, que ex-sacerdotes metidos em estudos filosóficos se tornem formalmente heréticos não é novidade, mas algo conseqüente com a sua apostasia***.
Outra coisa: este afastar-se da fé induzido por estudos equivocados ou feitos sem ordem não acontece apenas com futuros padres, mas também com os simples fiéis que estudam filosofia. Muitas vezes eles se alimentam de idéias que mais confundem a mente do que infundem nela algo de bom, e não admira mesmo tornarem-se uma espécie de sincretismo teológico ambulante — fazendo verdadeiros volteios e malabarismos lógicos para dar razões ao non sense.
Aos católicos que estudam filosofia, acima de tudo, o conselho prudencial é de que se enfronhem na obra de Santo Tomás antes de se ‘especializar’ neste ou naquele autor. Isto será um grande antídoto contra teorias engambelantes. Outra norma: se filósofos não-católicos se metem a escrever ou falar sobre as coisas da Igreja, o primeiro movimento com relação a eles deve ser de total desconfiança, é claro. A regra nestes casos é moldarem as coisas santas a seu ecletismo filosófico, e depois de certo ponto o dano será de ordem tal, que consertá-lo será quase um milagre. A filosofia de homens assim jamais poderá ser ancilla theologiae, até porque estão fora da fé — quando muito são "católicos de batismo" —, mas sim ancilla malorum, como se diz no título deste breve texto. Sobre algumas teses por eles perpetradas falaremos noutra oportunidade.
Que Deus nos livre de cair em tal tipo de tentação, cujas conseqüências são dramáticas para a alma.
Amém!
* Cito aqui Santo Tomás ipsis verbis, para não parecer que tirei tal idéia da minha cabeça. De toda forma, vale frisar que concordo inteiramente com ele neste ponto.
** A licitude ou ilicitude do gozo de um bem sensível depende, para Santo Tomás, de três coisas: da regra da reta razão, da lei natural e da lei eterna. Se o deleite proveniente da sensualitas agredir a uma destas três coisas, o gozo será ilícito.
*** O citado Xavier Zubiri, por exemplo, nos deixou textos sofiscadíssismos sobre a Eucaristia. A sua tese é a da “transubstantivação”, que segundo ele ocorre em lugar da transubstanciação definida solenemente pelo Concílio de Trento como Dogma. A propósito, num conhecido texto, lembra-nos Zubiri que São Boaventura e Santo Tomás divergiram neste ponto, e afirma que, para São Boaventura, não há presença de Cristo senão enquanto o pão é ‘alimento’, e não simplesmente no pão real — ou seja, na coisa em sua nua e crua realidade. Então discorre o pensador basco: “São Boaventura acreditava que, se um rato comesse o pão consagrado, não estaria comendo o Corpo de Cristo, pois aquele pão não teria para o roedor a ratio alimenti. Santo Tomás, por sua vez, pensou [pensou?] que a presença de Cristo é uma presença no pão enquanto realidade em e por si mesma. Modestamente, acho que São Boaventura tinha razão”. Ora, pelo amor de Deus, Zubiri!!! Santo Tomás não pensou serem as coisas assim, a menos que pensemos nós que os Dogmas são invencionices dos filósofos e podem mudar com o tempo; o fato é que a posterior definição dogmática do Concílio de Trento não deixa margem a quaisquer dúvidas, em seu Cânon 2:
“Se alguém disser que no sacrossanto sacramento da Eucaristia fica a substância do pão e do vinho juntamente com o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou negar aquela admirável e singular conversão de toda a substância de pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue, ficando apenas as espécies de pão e de vinho, que a Igreja com suma propriedade (aptissime) chama de 'transubstanciação' — seja excomungado”.
Ou seja, dizer que Cristo não está de fato sob as espécies do pão eucarístico real, mas apenas enquanto esse pão possui a ratio alimenti para o espírito, é, para dizer o mínimo, uma heresia formal que excomungaria eo ipso quem a defendesse. Na verdade, o fato é que Zubiri — em razão da influência fenomenologista da qual não conseguiu jamais escapar, ao longo de sua trajetória — rechaça como equívoco o conceito aristotélico de “substância” e acaba metendo os pés pelas mãos. São Boaventura ao menos tinha a favor de sua imprecisão teológica o fato de que, em sua época, o Dogma ainda não estava solenemente definido no tocante ao modus dessa Presença Real de Cristo na Eucaristia, mas esta desculpa não serve para o filósofo basco. No fundo, a tese zubirirana com fumos de originalidade (em matéria grave) parece distantemente inspirada na “consubstanciação” defendida por Scot e também condenada pelo Concílio de Trento. A propósito, para o Doutor Sutil não haveria razões teológicas forçosas para aceitar a transubstanciação ensinada pela Igreja, como nos recorda aqui um scotista. Pelo menos Duns Scot dizia exteriormente ‘amém’ à transubstanciação, pois naquele tempo não se ousava contrariar frontalmente o Magistério.
Em tempo: Aproveito para desejar a todos os leitores deste nosso espaço um Santo Natal, repleto do espírito do Menino Jesus.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Duns Scot: completando a crítica
sábado, 18 de dezembro de 2010
A impenitência final
Gustave Doré desenha as penas dos pecadores impenitentes, na Comédia de DanteSidney Silveira
No majestoso livro L’éternelle vie et la profundeur de l’ame, o Pe. Garrigou-Lagrange faz num dos capítulos um apanhado do que, em boa teologia, se chama impenitência final, ou seja: a total privação da graça eficaz no momento da morte, o que faz com que o pecador se perca definitivamente — e vá para o inferno. Em resumo, a alma neste estado fechou-se à reparação satisfatória que só poderia advir da contrição e dos conseqüentes atos de penitência exigidos pela sabedoria divina para que se salve.
Em sentido geral, a impenitência define-se como ausência de satisfação pelos pecados cometidos. E pode ser ela temporal, nos casos em que, no decurso da vida, o pecador habitualmente age contrariamente à lei divina, e por isso encontra-se numa situação de grave risco; ou eterna, no caso da impenitência de alguém que se mantém fechado à ação da graça no exato momento da morte. Aqui, a pessoa morre em estado de endurecimento do coração. Em todos os casos, a impenitência sempre pressupõe uma vontade aderida ao mal.
No caso da impenitência final (a que por analogia se chama eterna, citada acima), Garrigou nos aponta duas formas:
Ø A impenitência de fato, ou seja, a simples ausência de arrependimento na hora da morte. Acontece muitas vezes com pessoas colhidas pela morte súbita, ou com aquelas que simplesmente não se voltam a Deus, vivem como se Ele não existisse, e por isso não logram um ato de perfeita contrição ao morrer. Destes dizem alguns tomistas que foram surpreendidos pela morte;
Ø A impenitência da vontade, que é a resolução positiva de não se arrepender dos pecados cometidos. Neste último caso, a alma simplesmente escolhe não aceitar a Deus (sendo tal situação bem mais deletéria que a primeira, pois indica uma pena mais terrível a pagar).
Para Santo Tomás, esta última espécie de impenitência final constitui não apenas pecado de malícia, mas um enorme pecado contra o Espírito Santo. E há mais a dizer: a impenitência final voluntária comporta graus de endurecimento do coração, que são na verdade precondições psicológicas conducentes à morte em pecado. Seriam eles:
Ø O grau dos endurecidos pela ignorância culposa, que os faz preferir os bens temporais aos eternos. Se se esforçassem um pouco para saber o que deveriam (lei natural) e o que poderiam (lei eterna), não permaneceriam impenitentes. Aqui, não é ocioso lembrar que a lei natural, sendo a participação da criatura racional na lei eterna, pode não ser reconhecida pelo homem em estado de cegueira mental, por causa do pecado, não obstante a sindérese jamais se apague;
Ø O grau dos endurecidos pela covardia, que, embora mais esclarecidos (e, portanto, mais culpáveis) que os anteriores, não encontram forças para quebrar os laços da luxúria, da avareza, da ambição, etc. — e não pedem em oração a força que lhes falta;
Ø O grau dos endurecidos pela malícia, que jamais rezam e não raro se revoltam contra a Providência, após qualquer infelicidade. Muitas vezes se tornam escarnecedores dos homens, de Deus e da verdadeira religião, revoltados, blasfemadores e descontentes tanto com o bem como com o mal. Vivem, na prática, uma espécie de antecipação do agônico estado espiritual que os espera, no inferno, após a morte.
Grandes Doutores da Igreja sempre frisaram que, seja qual for o grau de obstinação no pecado, sempre há chance de salvação até o último instante de vida, pois “Deus não quer a morte do ímpio, mas que se desvie do seu caminho e viva” (Ezeq. XXIII, 14-16). Porém, no caso dos endurecidos pela malícia, a remissibilidade dos seus pecados é, como apontara o tomista Santiago Ramírez em alguns textos, um grande milagre, pois pecam eles gravemente contra o Espírito Santo.
Em síntese, a impenitência temporal voluntária predispõe grandemente à impenitência final, malgrado a salvação in extremis que Deus concede a muitos pecadores endurecidos. É famoso o caso do Santo Cura D’Ars, que, certa vez, disse à mulher de um suicida: “Senhora, o seu marido salvou-se. Acabara ele de se jogar de uma ponte quando, segundos antes da morte, a Virgem lhe obteve a graça da conversão. Lembrais que um mês antes, em seu jardim, ele colhera uma rosa e vos disse: ‘Leva-a ao altar da Virgem?' Pois bem, Ela não o esqueceu”.
Depois de citar este e outros casos, como o Santa Catarina de Sena, que convertera in extremis dois grandes criminosos, o Pe. Garrigou afirma neste capítulo do seu belo livro que bom mesmo é não adiar a conversão; e ótimo é pedir com fervor, por meio de uma Ave-Maria diária, a graça de uma boa morte.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O filósofo com os inimigos da verdade a seus pés
Santo Tomás, entre Platão e Aristóteles, subjuga AverróisDo ponto de vista espiritual, pisar, esmagar, pôr sob o escabelo dos pés, é uma imagem que em geral representa a vitória do bem sobre o mal, da verdade sobre o erro. Assim, diz-se que Maria esmagou a cabeça da serpente, por exemplo. Levando isto em conta, as iconografias acima mostram Santo Tomás literalmente pisando em Averróis, que, deitado, segura numa delas a inscrição sapientiam autem non vincit malitia (Sab. VII, 30). Nessa imagem, ao lado do Aquinate estão as quatro virtudes cardeais, chamadas pelo Angélico de principalíssimas: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança — sendo a Prudência uma virtude supracapital, na medida em que as demais não podem existir sem ela. Entre os vários significados implicados na pintura está o de que a sabedoria, se não estiver acompanhada das virtudes cardeais, não pode vencer a malícia nem os erros, razão pela qual, como se demonstrou dialeticamente noutro texto, não é lícito ao filósofo ser um boca-suja de linguagem torpe, quando se trata de refutar teses errôneas de qualquer espécie, em qualquer ocasião, fazendo uso de qualquer veículo de comunicação, em qualquer lugar — seja num programa de auditório entre rufiões ou na defesa magistral de uma tese, ao lado de grandes catedráticos. Isto porque a filosofia é uma qualidade adquirida pela alma, e não um ofício acadêmico a ser exercido em situações excepcionais...
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Efemérides vaticanas...

Sidney Silveira 