terça-feira, 9 de novembro de 2010

Educar para a virtude (II): a imitação do bem e o regime político

Sidney Silveira

“Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo”, diz São Paulo na Epístola aos Filipenses (III, 17). Com esta simples frase remete-nos o Apóstolo a uma grande verdade: no que tange às operações de suas potências superiores (a inteligência e a vontade), o homem precisa de modelos para aperfeiçoar-se. Em resumo, ninguém se faz sozinho, nem mesmo os gênios — razão pela qual tanto as virtudes intelectuais como as morais precisam de um esteio seguro, de um ponto arquimédico onde apoiar-se. Um grande matemático, por exemplo, não chega ao seu ápice sem conhecer o melhor da ciência que estuda, e, portanto, do que produziram os grandes matemáticos; um homem virtuoso não chega a sê-lo se não teve um modelo, em algum momento de sua vida. Afinal, que temos nós que não tenhamos recebido?

Tendo isso em vista, o seguinte raciocínio pode ser proposto: ou a formação intelectual e moral dos povos se dará a partir dos exemplos de virtude, ou, excluindo-se estes do horizonte, não se lhes restará senão a barbárie, em suas mais loucas e plurifórmicas manifestações. É neste contexto que vale a máxima “a corrupção do ótimo gera o péssimo” (corruptio optimi pessima est). Os ótimos, aqui, são justamente a elite espiritual que deve servir de espelho para o desenvolvimento da sociedade humana. No caso do mundo cristão, o ótimo não é outro senão a suma perfeição de Cristo, e, por derivação, a dos santos que O imitaram. É a Boa Nova projetada sobre a comunidade humana, que a orienta à excelência.

A propósito, esta é, basicamente, a diferença entre os Espelhos de Príncipes, estupendo gênero literário que educava os governantes para as virtudes, durante a Idade Média, e o Príncipe de Maquiavel, compêndio de diabólicos conselhos que ensinavam o governante a mentir para manter-se no poder a qualquer custo. Um tentava preservar o ótimo; outro o degenerou em péssimo. Se, pois, a política atual transformou-se numa invencível porcaria, onde a virtude é simplesmente impossível no plano social, é porque mesmo os melhores e mais capazes políticos são maquiavélicos, e o são, entre vários outros fatores (que não há como abordar neste breve texto), porque a democracia tende à demagogia como a seu fim próximo imediato. Corruptio optimi pessima est. Infelizmente, no mundo atual, seja à direita ou à esquerda, ninguém tem coragem de confrontar a deusa democracia, fundada numa falsa — e liberal — noção de liberdade.

Não havendo, pois, regime de governo perfeito neste mundo, dada a nossa condição de pecadores, de homo viator, de peregrinos à Pátria Celeste, é conveniente ao católico aderir a um que pelo menos não se transforme num empecilho para a realização do bem comum, tomado não apenas em sua dimensão meramente material, mas também noético-espiritual (de acesso às verdades naturais mais importantes e, também, às verdades sobrenaturais). E aqui, como se trata daquilo que os grandes teólogos da Igreja chamaram de matéria opinável — ou seja, a princípio não sujeita ao rigor do Dogma —, cada um pode muito bem apresentar as razões de sua anuência a este ou a aquele regime político. No meu caso, por princípio adiro à premissa de que apenas a Monarquia católica pode aproximar-se, embora assintoticamente, da realização de um bem comum político que sirva de instrumento para o Bem perfeito (ao qual todos nós tendemos, consciente ou inconscientemente): Deus. E se a Monarquia católica hoje tornou-se impossível no mundo, este é outro assunto. Lembro que estamos falando de princípios; a sua aplicabilidade, ou não, em dado contexto histórico é coisa distinta da que tratamos aqui. Já a abordamos em outros textos no blog.

Na Monarquia católica, o governante bem formado pelo Catecismo e pela doutrina magisterial do Evangelho custodiada pela Igreja saberá que o poder político tem os homens como mera causa material instrumental, e Deus como causa formal, pois aprendeu que “todo poder provém do Alto” (cfme. Jo., XIX, 11). O rei católico pode sem dúvida dramaticamente cair, pode corromper-se até a hediondez, por não seguir os preceitos evangélicos, o que certamente trará reflexos imediatos para o seu governo; mas ainda nestes casos saberá que peca, o que lhe deixará uma brecha para emendar-se e, assim, reorientar os atos do seu governo. É claro que estou dando aqui por pressuposta a tese de que, no homem, a corrupção dos hábitos operativos da alma (à qual Santo Tomás chama vício) acarreta um duplo declínio nas ações oriundas da razão prática: declínio ético e, por conseguinte, político*. Para provar a tese seria preciso um curso inteiro de filosofia política, em que todas as premissas fossem explicitadas, e delas extraídos os seus corolários necessários.

Certamente estamos falando de um plano ideal, eidético. De um modelo para o melhor governo possível. Um modelo que não impeça, em hipótese alguma, a educação para a virtude e a conseqüente imitação do bem — tendo este último como causa exemplar os homens que buscam a santidade. Um regime que não dê às costas ao que diz o Apóstolo, com perfeita ciência das implicações de sua afirmação: "Sede meus imitadores". Ou seja: que propicie a imitação do bem na maior escala possível, com o intuito de evitar o caos social e o aumento da maldade em progressão geométrica, fatos a que hoje assistimos atônitos.

* Nunca é demais registrar que esta premissa está a zilhões de anos-luz do leitmotiv liberal, segundo o qual a ética e a política estão formalmente separadas, como paralelas que nem mesmo no infinito se encontram. Na visão clássica de Aristóteles — seguida neste ponto de perto por Santo Tomás —, uma pessoa não se torna política para, depois, tentar ser ética, mas ao contrário: o exercício da política já pressupõe a posse habitual das virtudes éticas. Como costuma dizer o Prof. Carlos Nougué, uma Comissão de Ética no Senado, como a que há em nossa Casa Legislativa, por exemplo, só poderia tornar-se realidade num mundo loucamente liberal, para o qual a ética é questão de foro privado e a política se refere tão-somente ao exercício do poder, e das coisas a ele relacionadas.

Em tempo: Quando friso ser monarquista por princípio, quero dizer com este itálico que mesmo neste regime não creio ser possível a realização do bem comum se não se derem algumas precondições fundamentais. Um exemplo dos escolhos a evitar: sabemos que a Monarquia brasileira teve, desde sempre, ligações com a maçonaria (vejam-se os casos de Pedro I e Pedro II, e de alguns próceres dos seus respectivos governos), o que explica o fato de desde os seus primórdios trazer ela o gérmen da própria dissolução, pois embora parte da maçonaria fosse, no começo do século XIX, a favor de uma Monarquia constitucional, a outra, mais forte, era a favor da proclamação da República; esta última tinha a seu lado o peso de uma verdadeira conspiração internacional contra o Estado católico. Nisto, a propósito, consistiu a Revolução Francesa, como se pode ver nesta aula magna do Prof. Fedeli.

Quando, pois, digo Monarquia católica, refiro-me com a expressão a uma forma de governo que segue os ditames da Igreja, sem concessões a seus inimigos materiais ou espirituais.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Três breves avisos

Sidney Silveira

1- Por estes dias, devido a compromissos de trabalho e a alguns probleminhas de saúde, não apenas não escrevi para o blog, como também não tive como responder a emails. Peço, pois, aos que me escreveram um pouco de paciência. Até porque, entre outras coisas, algumas das questões levantadas demandam um apuro na resposta.

2- Com relação aos que já solicitaram os primeiros DVDs da série A Síntese Tomista, informo que na próxima segunda-feira responderei às mensagens indicando o cálculo do frete.

3- Aviso ainda que os DVDs seguintes da série abordarão dois temas específicos: a) as virtudes; b) a Política. Ambos, é claro, de acordo com a visão de Santo Tomás de Aquino.

Saudações a todos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Os primeiros DVDs da série “A Síntese Tomista”

Sidney Silveira




Enfim, dentro de uma semana estarão prontos para ser enviados os primeiros dois DVDs da série A Síntese Tomista, abaixo citados, cuja breve introdução se pode ver aqui no Youtube. São eles:


I- Aspectos da Metafísica e da Gnosiologia de Santo Tomás de Aquino (1), comigo.

II- O Tempo e a Eternidade em Santo Tomás de Aquino, com o Nougué.


O primeiro deles é uma compilação de trechos de aulas ministradas em diferentes momentos e lugares, e traz o número (1) porque, ainda sobre este tema, haverá outro DVD. Os assuntos abordados nele são:


a- A verdade segundo Tomás de Aquino

b- A vontade segundo Tomás de Aquino

c- Conhecer: movimento da potência intelectiva (I)

d- Conhecer: movimento da potência intelectiva (II); Teologia Sagrada e Teologia Natural (I)

e- Conhecer: movimento da potência intelectiva (III); Teologia Sagrada e Teologia Natural (II)

f- O Primeiro Motor Imóvel de Aristóteles (I)

g- O Primeiro Motor Imóvel de Aristóteles (II)

h- O argumento ontológico de Santo Anselmo


São ao todo 2 horas de aula — alguns trechos das quais os nossos amigos já conhecem, pois foram postados no Youtube; outros são totalmente inéditos. Na verdade, quisemos aproveitar alguns vídeos anteriores aos que estão sendo agora filmados, dado que se referem à base da teoria tomista. A idéia é, ao longo dos DVDs, propiciar uma visão orgânica do conjunto da obra de Santo Tomás.


O DVD II (O Tempo e a Eternidade) traz uma palestra ministrada pelo Nougué em um seminário localizado no Sul do país.


Cada um dos DVDs custará R$ 39,00 (na venda direta).


Pedimos aos interessados que, desde já, os reservem pelo email curso@edsetimoselo.com.br, fornecendo o endereço completo (com o CEP). A propósito, ao valor dos DVDs será acrescido o frete — por envio de Sedex — de acordo com o que é estipulado pelos Correios para cada praça brasileira.



Após calcularmos o frete, responderemos ao email informando o valor total do envio dos DVDs, a ser depositado na seguinte conta-corrente (ainda não é a do Instituto, que está sendo aberta):


CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Ag. 3106

Conta Corrente: 749-0


Operação: 001




Não consideramos estes DVDs propriamente “produtos”, mas um serviço. E um serviço que visa a nos ajudar a tornar realidade os livros já prontos e que esperam edição, assim como os próximos DVDs desta série.


Estamos cobrando por este serviço o mais baixo valor a que pudemos chegar. Adquirindo-os, vocês estarão ajudando o projeto.


Saudações a todos.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Erros da Igreja ou da Hierarquia?

[Um amigo que leu atentamente a obra teológica do Padre Calderón A Candeia Debaixo do Alqueire indaga-me se, ao falar dos erros do Magistério Conciliar, não seria equivocado dizer “Igreja”, em vez de “Hierarquia” — como eu fiz ao referir-me à mudança na doutrina multissecular da subordinação do Estado à Igreja, ao afirmar que houve uma reviravolta... “por culpa da Igreja”. Penso ser bastante útil trazer este tema para o blog, por suscitar questionamentos interessantes. Eis, com alguns acréscimos e adaptações, a minha resposta.]

Sidney Silveira

Caro,

Esta é uma questão teológica da mais alta relevância, e convém fazer alguns esclarecimentos prévios, antes de irmos ao Pe. Calderón, mencionado em seu texto.

Uma coisa é a nulidade dos atos errôneos perpetrados por autoridades da Hierarquia da Igreja, em qualquer tempo; outra é o poder de que elas estão revestidas por um caráter indelével participado por Cristo — poder que elas simplesmente não utilizam nestes casos, sem no entanto perder a sua pertença à Igreja, ou seja: sem perder o caráter eclesiástico. As exceções ficam por conta de casos, por exemplo, como o de heresia formal, ou, noutras palavras, de erro manifestamente intencional mantido com pertinácia contra uma verdade de fé.

Façamos, então, um raciocínio disjuntivo:

Ou a Hierarquia quando erra pertence à Igreja (e, neste caso, todos os erros materialmente perpetrados por ela são, por derivação, erros da Igreja militante, já que não existe separação entre matéria e forma, no caso de que se trata); ou a Hierarquia quando erra não pertence à Igreja (e, então, caímos nalguma espécie de sedevacantismo material, ainda que com o nobre propósito de preservar a santidade da Igreja).

Neste contexto, quando por exemplo eu afirmo que, em se tratando de mudança na doutrina das relações entre a Igreja e o Estado, “a culpa é da Igreja”, me refiro, sim, às autoridades, e portanto à Hierarquia, mas isto sem jamais esquecer o seguinte: simpliciter, o erro de uma autoridade eclesiástica não implica a perda do indelével caráter eclesial. Isto quer dizer o seguinte: a autoridade do ato é nula, sim, mas não o caráter eclesial da pessoa da Hierarquia que o perpetrou. Sendo assim, o simples fato de a Hierarquia perpetrar um erro não a retira (ipso facto) da Igreja — salvo em alguns casos específicos, como o de heresia formal acima citado. Assim, o termo “Hierarquia” continua sendo um predicável aplicado à instituição “Igreja”, e por isto podemos dizer, sem medo de errar, que nestes casos a culpa é da Igreja, sim — ainda que o façamos por analogia de proporcionalidade própria, tendo como ponto analogante a Hierarquia.

Noutra formulação, podemos afirmar: na pessoa de suas autoridades humanas, a Igreja pode errar, conquanto não o possa quando por intermédio delas atua in persona Christi deixando evidentes as quatro precondições de infalibilidade descritas no Concílio Vaticano I:

a) quem fala é o Papa, Vigário de Cristo;

b) ele se dirige à Igreja universal, e não a esta ou aquela diocese;

c) ele trata de fé e de costumes, e das coisas que lhes estão necessariamente conexas;

d) ele tem a manifesta intenção de obrigar os fiéis ao seguimento da doutrina (intenção expressa sem dar margem a dúvidas; daí a necessidade de às vezes os Papas e os Concílios recorrerem aos anátemas, por uma medida profilática com relação à sanidade o Corpo Mistico, pois assim são os anátemas: absolutamente indubitáveis!).

Nestes casos, o Magistério é infalível, pois, como ensina o Dogma proclamado no Concílio Vaticano I, Cristo quis prover a Igreja deste carisma para garantir que o precioso depósito da fé permanecesse até o fim dos tempos, como Arca da Salvação para os eleitos por presciência divina. Sem isto, jamais a Igreja conseguiria sobreviver aos séculos — e às mudanças que trazem — mantendo a sua unidade de doutrina (veja-se o caso dos cismáticos protestantes, que logo após a Reforma se dividiram em incontáveis facções).

Outra coisa, nobre amigo: é muito importante atentar para o fato de que, numa “disputatio”, como é o caso do livro do Pe. Calderón, muitas vezes a objeção diz apenas uma parte da verdade (e nisto reside o seu caráter insidioso!), e, na resposta magistral, essa parte é redimensionada pelo filósofo — sendo as premissas colocadas em seu devido lugar. Pois bem: no texto de A Candeia Debaixo do Alqueire por você citado, o Padre Calderón aproveita em sua resposta uma premissa da Sétima Objeção do Artigo Quarto (Se o Magistério conciliar não compromete a Autoridade de modo indireto), que frisava o seguinte: “Não se pode negar a bondade dos frutos do Concílio Vaticano II sem que isso implique necessariamente a negação da legitimidade do mesmo Concílio, quer dizer, de sua existência como ação da Igreja”. Mas na resposta a esta objeção, logo após afirmar, como você bem aponta, que “uma ação materialmente dada pela Hierarquia eclesiástica, cuja obra imediata e todas as suas derivações são más em sua substância, não pode pertencer formalmente à Santa Igreja, isto é, não pode ser considerada legítima”, referindo-se em verdade à objeção à tese refutada, ele diz o seguinte, na continuação do texto:

“Uma coisa é o vício do ato, outra o do próprio poder”.

Veja bem: estamos nesta discussão no exato limite que nos mantém fora de todos os tipos de sedevacantismo material, que são aqueles em que, entre outras coisas, se afirma que a Hierarquia atual não pertence formalmente à Santa Igreja, e portanto os seus erros não são erros da Igreja, mas apenas da Hierarquia — neste caso, a Hierarquia seria na verdade uma espécie de casca oca, ou seja: uma matéria sem o seu princípio formal de operação. Ocorre o seguinte: quem defende tal tese precisaria, entre outras coisas, dar uma prova metafísica de que é possível haver, nos entes compostos de matéria e forma, uma essencial separação entre ambas. Observe-se que me refiro aqui aos tipos de sedevacantismo material, para os quais o Papa pode até ser considerado Papa materialiter, tão-somente, mas não formaliter, e portanto a Sé estaria vacante. É a tese de Cassiacum e de seus seguidores.

Em resumo, para dizer que os erros do Magistério conciliar não são de fato da Igreja, mas apenas dos seus representantes, teríamos de aceitar os corolários desta premissa, e, levando-a às últimas conseqüências, chegar à tese de que o Supremo Pontífice (de onde teriam partido tais erros, na medida em que foram propostos num Concílio e um Concílio é a reunião dos bispos do mundo inteiro sob a autoridade do Papa) carece totalmente do caráter eclesial, e, assim, a Sé estaria vacante. Mas isto não podemos aceitar, por razões que não cabe enumerar aqui porque o assunto é se, havendo erros, estes seriam apenas da Hierarquia ou também poderiam ser ditos da Igreja, na qual a Hierarquia se insere.

Retomando, pois, a sua questão, reitero, antes de encerrar: por analogia de proporcionalidade própria — tendo como ponto analogante a Hierarquia —, podemos dizer, sim, que a Igreja pode errar, seja em matéria opinável não vinculada diretamente à fé e aos costumes, seja quando o Magistério não cumpre as precondições de infalibilidade, citadas acima. Mas isto sem jamais deixar de ser Santa e santificadora.

Sem ter a pretensão de esgotar a discussão nem de dar a última palavra, despeço-me com um cordial abraço.

Sidney

P.S. Outra distinção parece-me importante fazer. Em sentido estito (simpliciter), santidade não é o mesmo que inerrância, ou seja: uma não implica a outra com necessidade absoluta. Sem dúvida, a santidade pressupõe uma graça habitual eficaz na alma do Santo, que o leva a realizar atos meritórios sobrenaturais — como se afirmou aqui. Mas a santidade não dota o Santo de inerrância em todos os seus atos. Um exemplo: Santo Anselmo e Santo Agostinho não perderam ipso facto a santidade no exato momento em que perpetraram alguns erros ou imprecisões filosóficas; mas eles a perderiam, sem dúvida, se tais erros fossem contrários a uma verdade da fé, o que seria pecado mortal. Da mesma forma, a Igreja é Santa e santificadora em Cristo, mas não perde o seu caráter santo se porventura o Papa erra numa conta matemática de adição ou, então, numa equação de segundo grau. Mas podemos dizer mais: mesmo em se tratando de matéria de fé, ainda que o Papa caísse em heresia notória e com isto perdesse o Papado e a sua pertença à Igreja (possibilidade discutida por Doutores da Igreja, como São Roberto Belarmino, e por vários teólogos de escol), nem assim a Igreja perderia a santidade e o seu poder santificador em Cristo. Mas esta é uma longa discussão.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Magistério Pós-Conciliar: bela palestra do Nougué

Sidney Silveira
Quem puder, assista a esta aula do meu companheiro de blog, Carlos Nougué, ministrada em Belo Horizonte para os amigos do Index Bonorum, sobre o Magistério Conciliar, entendido com este nome todo o Magistério da Igreja a partir do Concílio Vaticano II. Ela tem, em parte, como base a obra do Pe. Calderón, A Candeia Debaixo do Alqueire.

sábado, 23 de outubro de 2010

Breves palavras sobre o PT

Carlos Nougué

Pode-se dividir a história humana da seguinte maneira:

1) Adão e Eva no Éden;

2.1) Após a expulsão de nossos primeiros pais do Éden, as cidades humanas se tornam pastos para os demônios: é a era do paganismo, quando, porém, a Providência prepara, com a filosofia grega e o direito romano, a constituição futura da Cristandade.

2.2) Excetua-se então o povo judeu, que, como eleito de Deus e dotado da Lei Mosaica, está para o Cristianismo assim como a criança está para o adulto.

3) Cristo se vai e nos deixa o Cristianismo, que por sua vez se divide nos seguintes períodos:

a) o período dos mártires, que vai até a conversão do império com Constantino;

b) o período de Constantino à queda do império, no qual a Igreja, por uma debilidade intrínseca do império, governa até civilmente a cidade dos homens; funda-se então a Cristandade;

c) o período superior da Cristandade, que vai da cristianização dos bárbaros até o século XIII. Este século foi o ápice da história humana, com a filosofia de S. Tomás, as catedrais góticas, as universidades, o Rei São Luís (aliás, em quase todo o Medievo o poder civil se ordena ao poder eclesiástico: os estados católicos são então parte da Igreja);

d) o longo declínio da Cristandade, desde a bofetada dada em Bonifácio VIII até a revolução francesa, passando pelos nefastos humanismo, renascimento e reforma luterana; neste período pretende-se manter o bem e a moral sem o socorro da Graça nem a direção da Igreja, segundo a simples observância natural da Lei Natural.

4) O período que se inicia com a efetiva queda da Cristandade, e que prossegue até o Concílio Vaticano II.

a) Da revolução francesa ao romantismo e ao comunismo, vive-se o tempo em que se dá a efetiva separação entre poder civil e poder eclesiástico, em que o bem e a moral se tornam assuntos de foro íntimo individual, e em que se pretende, com o romantismo, manter uma beleza (dilacerada) sem o bem universal.

b) O liberalismo e sua democracia são a pá de cal da Cristandade, e geram seus abortos mais horrendos: o comunismo, que com o auxílio do próprio capital financeiro e das democracias liberais (vide o Acordo de Yalta) chega a dominar boa parte do mundo e torna a semear a terra com o sangue de novos mártires católicos; e o fascismo e o nazismo, votados, porém, a uma pronta derrocada. É um período, apesar de tudo, de renascimento católico: grandes papas; os Cristeros no México; a guerra santa liderada por Franco na Espanha; o governo do chanceler Dreifuss na Áustria (“o inimigo público número 1” de Hitler); o cristianíssimo governo de Salazar em Portugal; os muitos e muitos missionários que devotaram sua vida à conversão de povos de terras do Oriente e da África; etc., etc., etc.

5) Entramos num tempo que, teologicamente falando, parece o da Sétima Igreja. É o tempo final da história: o grosso da hierarquia da Igreja passa para o inimigo com o Concílio Vaticano II; o comunismo enquanto tal se derrui, e se mescla com o capitalismo, com a democracia liberal e com o “é proibido proibir” do Maio de 68 francês para plasmar um mundo relativista “sem fé, nem lei, nem rei”, governado por um poder global e sustentado por uma economia igualmente global ― com a fundamental ajuda de uma Roma que diretamente contribuiu (e segue contribuindo), ela mesma, para fazer ruir o pouco que restava de Cristandade.

Pois bem, o Partido dos Trabalhadores (PT) não é senão um rebento típico deste último período. Vejamos por quê.

1) Formado originalmente por sindicalistas independentes (como Lula), pelos católicos progressistas (teologia da libertação, etc.), por partidos de extrema esquerda (parte dos comunistas tradicionais só entrará mais tarde) e por militantes do “é proibido proibir” (abortistas, gayzistas, feministas, militantes negros, etc.), veio a tornar-se uma espécie de epítome do novo mundo descrito acima, no item 5.

2) Sobretudo após a expulsão ou afastamento das correntes mais à esquerda (trotskistas, os formadores do PSOL, etc.), o PT se tornou exatamente um espelho da confluência entre comunismo e capitalismo, liberalismo e gramscismo, democratismo e populismo. Não por nada é tão louvado internacionalmente.

3) Com efeito, comunista puro o PT não é. Diga-se mais: ele está mais para uma socialdemocracia “avançada”, ao estilo de um PSOE, que para um marxismo-leninismo ao molde cubano. Querem dizê-lo marxista-leninista porque, por exemplo, segundo a maneira do centralismo democrático, expulsa quem seja contra o aborto, etc. Mas trata-se de um engano: a Igreja anatematiza e afasta de seu seio os que são contra os dogmas divinos e fomentam heresias. Imaginem se um grupo político verdadeiramente católico, como La Cité Catholique, não afastaria de seu seio quem se dissesse a favor, por exemplo, do aborto...

4) A grande maioria do PT (incluídos Lula e Dilma) não quer a revolução de massas nem a revolução por foco guerrilheiro; tampouco quer acabar com o jogo ilusório e nefando do sufrágio universal (vejam as palavras, por exemplo, de S. Pio X e de Pio XII sobre a maldade intrínseca da democracia liberal e seu fundamento, o sufrágio universal). Ao contrário, quer manter-se no poder deste mesmo regime para levar à frente seu programa real: sob o amparo do grande capital financeiro e industrial, implantar no país toda a horrenda pauta do poder mundial: aborto, fim da família, controle da natalidade, casamento homossexual, pansexualismo livre, redução da religião a assunto, no máximo, de foro íntimo, controle ideológico e político mediante os media e segundo cânones populistas (pão [bolsa-família, etc.] e circo [esporte, televisão, sexo, etc.]), um mundo bem 1984 de Orwell.

5) O que o diferencia dos PSDBs da vida? O grau de organização e de truculência, tão somente (cf. abaixo, o adendo “PSDB [quase] = PT”). Mas o PT não tem aliança com Chávez e outros que tais? Tem; mas isso não quer dizer que pretenda adotar para o país o modelo deles (internacionalmente muito minoritário). Tem-na com o Irã? Os EUA de Bush tinham (e continuam a ter) aliança com a igualmente tenebrosa Arábia Saudita. Mas o PT não é aliado de numerosos países da Europa, quer sob governo socialdemocrata, quer sob governo mais liberal? Também. E suas relações com os Estados Unidos, desde Bush, sofreram alguma fissura séria, mais do que sofreram, por exemplo, as dos países europeus com os mesmos EUA? Na mais recente tensão entre a Colômbia e a Venezuela, posicionou-se claramente o PT a favor de Chávez? Trata-se precisamente, pois, ao que parece, do que se diz mais acima: o PT é um espelho da confluência entre comunismo e capitalismo, liberalismo e gramscismo, democratismo e populismo.

6) Bem sei que até católicos sinceros têm certa simpatia pelo PT porque, de algum modo, ele combateria as injustiças sociais. Há nessa simpatia, contudo, dois erros basilares:

a) Antes de tudo, se é verdade que clama ao céu por vingança, como diz a doutrina católica, o não pagar o salário ao trabalhador e a opressão dos humildes (sobretudo órfãos e viúvas), por outro lado não é verdade que o PT queira mais uma justiça social que qualquer partido socialdemocrata, como o PSDB, ou, sobretudo, que queira uma real e efetiva justiça social, aquela que se ordena a Deus (mas este é assunto para outro[s] artigo[s]).

b) Não se deve confundir desigualdade com injustiça. O universo inteiro, dos anjos aos átomos, é harmônico porque composto de desigualdades, numa harmonia de desigualdades querida por Deus para ser um espelho, uma imagem (imago Dei) de sua mesma infinitude. É-o igualmente a Igreja, como diz São Paulo, em sua hierarquia harmônica que vai do Papa ao ínfimo fiel. E o é também a sociedade mais sã, como a medieval, com sua harmônica hierarquia que ia do rei ao ínfimo dos servos. Por outro lado, as desigualdades não terminam numa sociedade liberal ou numa comunista, muito pelo contrário: nunca houve em toda a história uma desigualdade como a que há entre Bill Gates e um lixeiro americano, nem entre Fidel Castro (o quinto homem mais rico do mundo) e um biscateiro de Havana. O servo medieval se sentava na mesma mesa de seu senhor, e pagava 10% de corvéia, enquanto hoje o brasileiro paga de impostos 45% de sua renda! E há, sim, uma profunda diferença entre a desigualdade na Cristandade e a que se dá no mundo moderno: aquela era harmônica e se ordenava a Deus, enquanto esta é desarmônica e se ordena ao inferno.

* * *

PSDB [quase] = PT

Quer-se uma prova mais que contundente de que não há nenhuma diferença significativa entre PT e PSDB? Mais ainda: que um é, em verdade, continuação do outro, sendo suas diferenças apenas diferenças (pequenas) de grau?

Pois bem, o famoso PNDH3, do PT, não é senão uma continuação do PNDH2, do PSDB. Vejam parte da apresentação deste, escrita por ninguém menos que FHC:

“O PNDH II será implementado, a partir de 2002, com os recursos orçamentários previstos no atual Plano Plurianual (PPA 2000-2003) e na lei orçamentária anual. Embora a revisão do Programa Nacional esteja sendo apresentada à sociedade brasileira a pouco mais de um ano da posse do novo governo, os compromissos expressos no texto quanto à promoção e proteção dos direitos humanos transcendem a atual administração e se projetam no tempo, independentemente da orientação política das futuras gestões. Nesse sentido, o PNDH 2 deverá influenciar a discussão, no transcurso de 2003, do Plano Plurianual 2004-2007. O Programa Nacional servirá também de parâmetro e orientação para a definição dos programas sociais a serem desenvolvidos no País até 2007, ano em que se procederia a nova revisão do PNDH.”

Alguns itens do programa tucano:

1) “Orientação Sexual

114. Propor emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual.

115. Apoiar a regulamentação da parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação da lei de redesignação de sexo e mudança de registro civil para transexuais.”

2) Regulamentação da profissão de prostituta(o):

“185. Apoiar programas voltados para a defesa dos direitos de profissionais do sexo.”

3) E quanto ao aborto?

O PNDH-2 propunha alterar o Código Penal para o “alargamento dos (casos) permissivos para a prática do aborto legal, em conformidade com os compromissos assumidos pelo Estado brasileiro no marco da Plataforma de Ação de Pequim. E falava da necessidade de “considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde para os casos previstos em lei”.

Para quem ainda tiver dúvidas, leia-se, aqui, na íntegra o Programa assumido pelo PSDB.

Não nos deixemos rebocar pelos inimigos de Deus, não importa sua fantasia do momento.

P.S.: Mais ainda: o PNDH 3, assumido pelo nefando PT, foi resultado de propostas aprovadas na 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos (2008) e por encontros estaduais preparatórios para ela. O de São Paulo, veja-se bem, foi convocado por decreto de ninguém menos que Serra quando governador de São Paulo... Ademais, como esquecer que o governador Serra fundou, no Estado de S. Paulo, a primeira escola gay para adolescentes?!... Tudo isso, nunca o percamos de vista, clama ao céu por vingança (cf., por exemplo, São Pio X, Catecismo Maior).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sobre as coisas políticas (VIII): momento de ir aos princípios

Sidney Silveira

Alguém me faz a indagação: vamos falar agora sobre a Política em Aristóteles e Santo Tomás de Aquino? Ou seja: em meio ao caos brasileiro e às vésperas de uma eleição importante? E o texto em que ela veio formulada fazia uma contraposição entre “as possibilidades mais altas do ser humano” e as “possibilidades terrenas”, dando claramente a entender que discutir a Política em suas mais elevadas concepções, quando a vaca está no brejo, é omitir-se das responsabilidades cívicas que o momento — eleitoral — exige. Nas palavras da pessoa que me enviou o email, seria mais ou menos como “ir à lua”, justo na hora do pega-pra-capar.

Ora, não atina o nobre missivista (católico) que fazer política sem saber o que é a Política é uma das principais causas da tragédia contemporânea? Não atina também o nobre missivista que, para tocar um instrumento virtuosamente, é preciso, antes de tudo, conhecê-lo, e, ademais, ter o hábito da ciência musical impregnado na inteligência? Toda vez, portanto, que se discute acerca de qualquer posição política é necessário buscar o princípio reitor da discussão; sem isso, a coisa vira conversa de bêbado... E isto é superiormente válido para o nosso tempo, em que as pessoas perderam a idéia do que seja a Política, pois ou a identificam com o Estado (como famigerada estrutura de poder), ou com os partidos e facções, ou ainda com uma mera instância mediadora dos conflitos entre os indivíduos. Mas qual é a ratio da Cidade, quais são os seus fins e, por conseguinte, os meios adequados para alcançá-los, etc., tudo isso ficou relegado a último plano, ai de nós.

A indagação veio acompanhada de outra idéia deste amigo de fé (pelo visto, um homem imbuído das melhores intenções): a de que a “moral católica”, enfim, deu a pauta da política eleitoral brasileira. Aqui residem várias confusões. Uma delas é a seguinte: diferentemente do que ele supõe, o aborto e o casamento entre homossexuais, temas a que se referia em seu texto, só têm a ver com “moral católica” acidentalmente, ou, como diriam os escolásticos, secundum quid, pois se trata antes de tudo de lei natural. No Irã, por exemplo, estas coisas são proibidas — e não o são por motivos católicos. Tal pensamento nos dá, a propósito, um fiel retrato do catolicismo pós-Vaticano II: a fé se discute nas paróquias e nos seminários (isto no melhor dos casos, é claro); extra muros, o máximo a que se chega é defender a lei natural em alguns dos seus pontos mais evidentes, mas despojando-a de sua fonte sobrenatural, já que se renunciou a pôr a Pólis sob a capa benemerente das verdades da fé.

Clemente de Alexandria, em dado trecho de uma de suas mais conhecidas obras, a coletânea de pensamentos Stromata (I, 2, 19,1), dizia com ironia: “Para supor que a filosofia é inútil, seria útil estabelecer filosoficamente a prova de sua inutilidade". Ora, algo similar se pode dizer da Política*, e justo quando as coisas mais inúteis ou aberrantes têm pleno direito de cidadania (que o diga a recente eleição do Tiririca): em todos os momentos, inclusive na hora eleitoral presente, devemos deixar bastante clara não apenas a utilidade, mas também a absoluta necessidade de buscar apoio em princípios sólidos e irrenunciáveis para cada ação política em que estivermos envolvidos; caso contrário, ficamos sempre à mercê de circunstâncias obscuras e vivemos como reféns da opinião da maioria ou, então, de grupos para os quais todas estas coisas não fazem sentido.

Da mesma forma como o mestre de obras não detém a ciência do fim da edificação, mas apenas executa, no plano material, o que lhe foi passado por engenheiros, e estes por sua vez fazem os cálculos para pôr de pé a idéia do arquiteto que projetou tudo, também na Política ocorre algo similar. Em síntese, somente com o conhecimento preciso de quais sejam os verdadeiros fins da Política se pode chegar a bom termo em qualquer discussão neste tema, e, muito mais que isso, justificar esta ou aquela posição sem cair em argumentos ora sofísticos, ora cegamente apaixonados, ora timidamente covardes.

Quando Sócrates preferiu tomar a cicuta a escapar do cárcere, conforme lhe propuseram os amigos pouco antes de sua execução, disse “sim” ao bem da Cidade e, também, ao das almas — em virtude do nobre exemplo que dera com o seu ato. Num dos mais belos escritos da história da filosofia, o Críton, de Platão, diz Sócrates que fugir do cárcere faria dele um homem indigno. E não se tratava apenas de tornar-se indigno perante as leis, que são a razão de ser da Cidade (pois uma cidade sem leis ou com leis iníquas é a “antipólis” por excelência), mas perante a divindade de onde provêm as leis. Naquele momento, fugir representaria simplesmente matar a verdade, sem a qual não há civilização. Mas, na opinião de Críton, certamente a fuga seria o "mal menor" para Sócrates.

Pois bem: hoje muitos estão matando a verdade para justificar a escolha do mal menor, porque não têm a clara visão do imenso drama do nosso momento histórico. Há, a propósito, um quê de fuga nesta escolha: a fuga da visão de que a “divina” democracia em que vivemos, com o seu ódio à excelência, levou-nos a becos sem saída. O que advirá da atual situação, só Deus sabe.

Ditas todas estas coisas, caro amigo, encerro com as seguintes palavras: se você vê como decisiva a escolha entre o capeta e o capetinha (refiro-me aqui não às pessoas, mas às correntes políticas que representam, em essência anticristãs), boa sorte. Eu, de minha parte, não tenho a mais ínfima esperança de melhora política, sequer a médio prazo. Pelo menos enquanto a Cidade estiver tão hermeticamente fechada à lei eterna — em grande parte por culpa da Igreja, que quis afastar-se decisivamente do Estado —, pois o efeito neste caso é o seguinte: constrangimento da lei natural e conseqüente criação de leis positivas humanas monstruosas.

Esta foi a caixa de Pandora aberta pelo liberalismo forjado nas lojas maçônicas do século XVIII e pelos comunismos que se lhe seguiram (como efeitos às suas causas), a partir de meados do século XIX. Todos ainda muito vivos, neste admirável mundo novo.

* A propósito, uso a maiúscula em Política”para identificar a ciência governo em vista do bem comum. E política com minúscula (ou no plural) ora para indicar tratar-se da simples aplicação de medidas de governo; ora para remeter-nos às ações de alguma facção ou grupo; ora para apontar uma total degeneração da Política que a desvie de seus fins específicos, como é o caso da política partidária em que jazemos — a qual entroniza a demagogia e induz à multiplicação dos conflitos sociais.