domingo, 4 de julho de 2010

Católicos tradicionais argentinos vão ao Parlamento em defesa da lei natural

Sidney Silveira
Católicos argentinos estão movimentando-se para fazer uma grande manifestação em frente ao seu Parlamento, no próximo dia 13/07, contra o projeto de lei que propôs, recentemente, a aprovação do "matrimônio" homossexual — como podemos ver no Stat Veritas e, também, no site da FSSPX sul-americana. Como se diz num desses links, da intangibilidade da família depende a coesão do corpo social. Por razões óbvias, iniciativas como esta podem e devem ser divulgadas por todos nós. Servem-nos de exemplo a ser seguido.

sábado, 3 de julho de 2010

Analogia/ abstração x univocidade/ intuição


Sidney Silveira
Afirmou-se
neste vídeo que a analogia é uma espécie particular de relação entre nomes, coisas e conceitos mentais. Mas ficou-se ali por dizer que todo conceito, enquanto tal, possui como propriedade mais importante a comunicabilidadepropriedade essa que transforma os conceitos em universais. Ou seja: um conceito só é universal porque expressa algo comum a muitos; caso contrário, sequer poderia ser classificado como conceito.

Assim, uma das características de qualquer conceito é a não-repugnância para estar em muitos. Em resumo, o conceito — como produto final do ato intelectivo — é fruto da abstração dos dados individuantes. Pode-se por isto dizer que o conceito tem uma natural vocação à universalidade, dado que a comunicabilidade dos conceitos é uma propriedade que pertence tão-somente à natureza abstraída da matéria, e não à natureza singuralizada na matéria. Lembremos que a etimologia mesma do vocábulo “universal” (unum versus multa) indica o seguinte: a universalidade é propriedade de algo que se comunica a muitos. E se comunica — no caso que nos interessa — justamente por ser abstraído de muitos.

Não se chega ao conceito de “homem” apenas por Sócrates (pois este é humano, mas não é a humanidade), e sim abstraindo de Sócrates as notas essenciais comuns, ou seja, o eidos que compartilha com os demais entes de sua espécie. Por aqui podemos muito bem ver a riqueza do axioma escolástico que dizia: os entes operam a partir e nos limites de suas formas; ou, noutra expressão, a forma é o princípio de operação; e a matéria, o princípio de individuação.

Se levarmos tais premissas às últimas conseqüências, veremos com clareza que a negação dos conceitos universais traz consigo, implícita ou explicitamente, a negação da teoria da abstração. Traz consigo implícita a afirmação da teoria da univocidade do ser, em metafísica, e do intuicionismo, em gnosiologia. Estes últimos são, na verdade, a herança nominalista da filosofia tardo-medieval que fez nascer a filosofia moderna, e esta, negando a gnosiologia aristotélico-tomista, acabou engendrando toda a sorte de esquizofrenias em forma das mais sofisticadas — e aporéticas — teorias do conhecimento. Marco cujo ancestral longínquo, o elo perdido, é o frade franciscano Duns Scot, o Doctor Subtilis, que se for mesmo canonizado é mais um sinal de que o fim se aproxima...

O que Étienne Gilson dizia de Kant — a saber: que a sua filosofia deve ser contemplada “à luz do patológico” —, serve para grande parte das teorias do conhecimento posteriores a Descartes. Quase todas, por infringir esse dado fundamental da gnosiologia realista, cometem o crime de lesa-senso comum, pois é evidente que conhecer, para o homem, é um processo, muitas vezes penoso, e não um ato intuitivo, não um flash da inteligência.

Ignore-se esse modo propriamente humano de conhecer, e se abrirão as portas da filosofia para toda sorte de erros e, o que é pior, mentiras e enganos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Index Bonorvm": a palestra sobre o liberalismo em BH


Sidney Silveira
Agradecemos encarecidamente, eu e o Nougué, a todo o pessoal do Index Bonorvm, de Belo Horizonte, que vem abrindo espaço para palestras e atividades em defesa da fé, e, neste último final de semana (domingo, 27/06), reuniu um bom grupo de pessoas para participar da palestra dada pelo Carlos sobre o liberalismo e suas terríveis raízes fincadas na Igreja. Vejam algumas fotos deste evento aqui; em breve, pelo que eu soube, o áudio da palestra estará disponível no próprio Index Bonorvm para os interessados. Informem-se com Frederico de Castro pelo email indexbonorvm@gmail.com. A vocês, caros amigos de BH, o nosso muito obrigado! Se Deus quiser, realizaremos muitos outros eventos como este.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Católico de direita?



Sidney Silveira
Uma das teses do catolicismo liberal — que, no Brasil, tem uma face mais ou menos homogênea, fomentada e moldada por sociedades discretas ou secretas — é a de que o católico só pode ser, por definição, um sujeito de “direita”, dada a incompatibilidade patente entre o Evangelho e os esquerdismos de todo tipo. Esses grupos, à força do poder do dinheiro e de sua notável organização, vão aos poucos disseminando e aplicando à realidade brasileira conceitos alienígenas, extraídos da política norte-americana e adaptados, por uma torção lógica, às terras tupiniquins. Uma política, obviamente, autônoma ou alheia às verdades da fé, pois outra tese muito cara a esses liberais, escrutinada numa série de textos do Contra Impugnantes, é a de que o poder material não deve prestar contas ao espiritual, dada a separação entre o Estado e a Igreja, para eles uma grande conquista do mundo moderno. A ordenação do Estado à Igreja seria acidental* ou indevida. Uma intromissão, uma usurpação de direitos.

Quando menciona em meios católicos que o socialismo foi anatematizado pelo Magistério, essa gente maliciosa omite o fato de pesar sobre o liberalismo pluriforme uma condenação ainda maior, de vários Papas. Em síntese, esses liberais eliminam um dos dois gládios da Igreja militante (o principal deles), e, assim, se sentem bem mais à vontade para defender a idéia de que o católico ou será de direita ou... anathema sit! Pura cortina de fumaça para estabelecer uma mentira insidiosa, afrontosa à fé e, por conseguinte, contrária ao Magistério.

De acordo com o ensinamento da Igreja, na prática o católico não pode ser fundamentalmente nem de direita nem de esquerda, nem socialista nem liberal, ainda que acidentalmente lhe seja lícito escolher (em matérias opináveis e em situações de extremo perigo para a configuração política) candidatos que, pelo menos no essencial, não contrariem as verdades da fé.

Outra coisa: se atualmente o Reinado Social de Cristo é na prática materialmente impossível — pois para tanto o mundo democratista precisaria ser recristianizado pela doutrina tradicional da Igreja e pelo sangue dos mártires —, isto não implica que não devamos proclamá-lo como verdade pétrea, uma espécie de cláusula inegociável.

Todo cuidado é pouco com esses lobos em pele de cordeiro! Sobretudo agora em que se aproximam as eleições e eles vão vender o seu peixe...
* Como se salientou no primeiro texto da série sobre as relações entre o Estado e a Igreja (com menção a um texto do Padre Álvaro Calderón), o Cardeal Ottaviani, ao defender a tese da subordinação do Estado à Igreja, sublinha corretamente que as relações jurídicas entre ambos devem comparar-se às relações entre o corpo (Estado, plano material) e a alma (Igreja, plano espiritual superior). Mas comete o grande Cardeal o erro de afirmar que tal subordinação é acidental ou indireta, dado que o Estado seria perfeitamente sui iuris. Aqui, como diz muito bem Calderón, Ottaviani se esquece de que uma subordinação acidental é, na prática, uma não-subordinação essencial. Um exemplo? O Papa está, acidentalmente, subordinado ao seu dentista. Mas certamente não o está em relação ao fim último de todos os homens e sociedades: Deus. E dizia eu ali: “Aqui vale fazer a seguinte ressalva: é óbvio que Calderón não considera o Cardeal Ottaviani um liberal, mas cita-o para mostrar como, mesmo entre bons defensores da Tradição, pode haver erro no tocante ao tema da política, sobretudo se se parte de critérios jurídicos como se estes fossem, de todo, descontectados dos critérios teológicos e dos ensinamentos do Magistério da Igreja”.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O materialismo da campanha da fraternidade

Sidney Silveira
Após o Concílio Vaticano II, foram ganhando o beneplácito das autoridades eclesiásticas todas as mais nefastas correntes de "pensamento" e, por conseguinte, da ação a ele conexa. O liberalismo, chegado ao topo e consagrado pelo Magistério, disseminou a babel na qual se incluem, obviamente, os marxismos mais toscos que produziram coisas satânicas como a teologia da libertação, e excrescências como os carismatismos de todos os tipos. Os reflexos continuam. Um exemplo é mais essa campanha da fraternidade — peça de um materialismo mal-disfarçado por alusões acidentais a Jesus, pecado, penitência, eucaristia, etc. As palavras de ordem são "economia", "solidariedade", "mercado", "direitos", etc. Veja-se esta curiosa pesquisa feita pelo Deus lo vult.

terça-feira, 22 de junho de 2010

"TV" Contra Impugnantes

Sidney Silveira
Disponibilizamos mais dois pequenos trechos de aulas, em que se citam de passagem o problema do mal e o Demiurgo platônico.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sobre maus conselhos e avestruzes modernistas

A oitava vala de Malebolge: maus conselheiros envoltos em chamas.
Ilustração de Sandro Botticelli

Sidney Silveira
Ensina João de S. Tomás no seu Cursus Theologicus (II, q. 22), com aquela clareza que tanto apreciamos, que o nome “verdade” exclui os conceitos de tudo o que é simulado ou vazio, pois o verdadeiro está fundado e firmado no real (fundatum et firmum in re). Com isto nos indica, como bom tomista, que a verdade diz respeito fundamentalmente à realidade das coisas, dado ser uma relação categorial-formal e, ao mesmo tempo, transcendental:


a) categorial-formal porque estabelecida por nossa inteligência, que apreende imaterialmente as formas das coisas e as classifica; e
b) transcendental porque se baseia no ente real extra mentis. A propósito, como se disse neste vídeo, as coisas não são porque “Eu penso”, pois o Cogito precisa de um cogitatum, mas “Eu penso” porque elas são. Descartes e, depois dele, Kant, cabularam essa aula metafísico-gnosiológica.

Em resumo, o ser é o princípio gnosiológico inamovível. Retire-se o ser do horizonte e nada poderá ser pensado, imaginado, categorizado pelo homem. Por isso pode-se muito bem dizer que todas as patologias da alma humana provêm, radicalmente, de um afastamento do real — nessa complexa relação da inteligência com as coisas. Portanto, sem a verdade que se funda no ente e se formaliza na inteligência não nos resta senão cair num precipício intelectual e, deste, na cegueira moral, pois como pode agir bem quem não apreende minimamente a verdade das coisas?

Lembrei-me disso a propósito de mais um email recebido de um modernista católico que padece de um sestro terrível, como sói acontecer com pessoas que voluntariamente não querem analisar um problema em toda a sua amplitude (no caso, o da crise da Igreja): multiplicar as questões antes de responder às objeções. Essa mal-disfarçada tática indica uma tremenda patologia, o não querer ver a realidade das coisas, pecado este que, antigamente, tinha o nome de acídia — a ojeriza à própria excelência, muitas vezes fomentada por uma radical covardia.

Além de tal atitude representar uma burrice sem tamanho, pergunto-me: até que ponto realmente um sujeito desses não enxerga a sua mal-disfarçada tática, o estratagema primário de adiar uma conclusão que se impõe como evidência absoluta, a saber, que os frutos do Concílio Vaticano II e do Magistério posterior a ele são terríveis e causadores diretos da imensa crise atual? Assim, a essa pessoa e aos outros seus colegas que certamente me lêem (pois os modernistas neoconservadores estão entre os maiores consulentes dos textos do blog), vai um recado: por favor, não mandem novos emails, pois não me darei o trabalho de respondê-los, a menos que vocês esbocem um argumento contra os apresentados em minha contestação. Alguns inclusive já estão devidamente bloqueados de minha caixa de mensagens. Não tenho mais a mínima vontade de dialogar com vocês; a propósito, esta foi uma das razões por que não abrimos o Contra Impugnantes para comentários.

O pior é que tais avestruzes nem tiraram as fraldas e, mesmo com tamanha dissimulação e covardia, querem meter-se em discussões filosóficas e teológicas sem cujo conhecimento aprofundado (que eles não possuem) jamais poderiam dar sequer um pitaco sobre o Magistério da Igreja. Como atenuante para essa atitude de não querer ver o óbvio, engendrando mil questiúnculas para fugir às conclusões que os assustam, está a ignorância — ainda que culpável.

Por isso, o único conselho que vale para eles é: estudem, antes de se meter onde não têm competência, para não se transformarem em maus conselheiros em matéria tão grave. Lembrem-se de que, como diz o escolástico renascentista João de S. Tomás, a verdade é fundada e firmada no real. Se querem fugir dele, por favor não contem com a minha modesta ajuda... Reitero: pelo amor da Virgem, não me escrevam mais.