terça-feira, 29 de abril de 2014

Nos estudos filosóficos, a tangente do problema moral


Sidney Silveira

A DETRAÇÃO E O INSULTO são as armas típicas das pessoas que, encafifadas no estudo da filosofia, não suportam o contraditório, a objeção. Desde os pré-socráticos até hoje, estes nefelibatas primeiro multiplicam as objeções com o propósito de sair pela tangente e não responder às que lhes são feitas, para então sacar da cartola uma dúzia de pechas que lançarão sobre a honra dos que ousaram objetar-lhes, neste ou naquele ponto. Se conseguissem olhar as próprias almas diante do espelho, morreriam de susto com o tamanho da hediondez moral em que jazem.

No Brasil, observo este fenômeno cotidianamente, sobretudo entre jovens que bradam com ar sapiencial, do alto de seus cueiros filosóficos, o que julgam ser a quintessência da sabedoria. Eles não têm maturidade para entender o abismo existente entre um polemista e um controversista. Noutras palavras, não sabem identificar os santarrões com alguma cultura filosófica e distingui-los de um Sócrates, um Platão, um Agostinho, um Alberto Magno, um Tomás de Aquino — que elevou ao ápice o procedimento dialético da disputa, método por excelência da filosofia. 

Meu conselho a muitos jovens que me procuram é: antes de se enfronharem nas questões mais técnicas e abstratas da filosofia, procurem ordenar o estudo na seguinte ordem, quase intuitivamente conhecida de antigos e medievais: 

1- domínio dos recursos expressivos próprio idioma, o que implica conhecimento da gramática e das técnicas do discurso que os antigos chamavam de retórica ou oratória;

2- desenvolvimento da capacidade dialética, ou seja: treinar raciocínios à exaustão, com vistas a pensar bem, com ordem;

3- estudo acurado dos problemas morais atinentes à condição humana; sem isto a erudição que a pessoa vier a adquirir poderá ser o seu maior algoz espiritual.

Em síntese, se o estudioso sequer tem noção do que seja, na prática, a virtude da humildade, é urgente o seu submetimento, pela mão de um mestre competente, ao mais rigoroso tirocínio moral. Ele precisa o quanto antes aprender a dobrar a espinha, a desempinar o nariz e a ter reverência para com os que o antecederam, seja nos erros ou nos acertos. Quem conhece a benemerência hermenêutica de Tomás de Aquino para com Santo Agostinho e Aristóteles entende perfeitamente o que estou dizendo.

Qualquer saber numa alma que não provou o sabor da própria pequenez, não tomou ciência da sua estatura nanica, perante os grandes sábios e santos que a antecederam na dolente caminhada sobre o pó deste mundo, se transformará em arma letal. Por isso, num filósofo digno deste nome, o desenvolvimento moral sempre precede os vôos intelectuais mais altos. 

Sem o hábito operativo do bem, chamado virtude, a alma filosófica cairá cedo ou tarde das nuvens da própria erudição nos piores vícios espirituais. E adquirirá um saber desordenado, o qual pode culminar no mais terrível tipo de cegueira, que é o esquecimento do mundo "extra mentis", o mundo real, com sua estrutura própria não assimilável completamente pela razão humana — mas apenas assintoticamente. Tal alma terá dificuldade em divisar o seguinte: entre conhecer e ser haverá sempre uma zona de sombra inabarcável pela inteligência humana.

O sujeito na situação aqui descrita está despreparado para saborear a beleza do fato objetivo de que somente uma inteligência infinita pode assimilar de maneira omnicompreensiva a ordem do ser. Mas não uma inteligência como a nossa, limitada, que precisa caminhar sobre vestígios conceptuais extraídos direta ou indiretamente das coisas, para adquirir alguma ciência.

Essa inteligência infinita é a de Deus. Nela, ser e conhecer são necessariamente a mesmíssima coisa, um só ato. Em nós, diferentemente, conhecer é mero acidente de uma potência intelectiva que luta para assimilar aspectos da ordem do ser. 

Luta entre algumas vitórias e muitas derrotas. 

O homem humilde que estuda filosofia aceita esta verdade e abre os olhos do espírito. Ou melhor: por ser moralmente evoluído e, portanto, possuir agudo senso de realidade, ele a ama de todo o coração.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A fraude intelectual da reforma ortográfica da Língua Portuguesa



Sidney Silveira

Na época do Acordo Ortográfico levado a termo durante o governo Lula, Sergio De Carvalho Pachá era Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras. 

Nesta entrevista-denúncia, ele conta a história de como nasceu este monstro lingüístico e alude às absurdidades implicadas na nova lei, que não é outra coisa senão o seguinte: uma mudança no idioma feita por decreto, algo similar ao que Mussolini tentou na Itália (como o próprio Pachá comenta).

Os intelectuais portugueses — professores, escritores, editores, etc. — já enviaram um documento ao seu parlamento, para que revogue o Acordo. 

Que os brasileiros saiam do letargo e façam o mesmo.

ERRATA: Pequenos lapsos muitas vezes acontecem no decorrer de um bate-papo. No trecho em que o Prof. Pachá se refere à função diacrítica das consoantes mudas em Portugal, o correto seria dizer "para assinalar a abertura DA VOGAL QUE AS PRECEDE" e não "DA VOGAL QUE SE LHES SEGUE". Feita aqui a correção, por indicação do próprio lexicógrafo. Nada que empane o brilho e a importância desta entrevista.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lição aprendida de um notável metafísico: o argentino Álvaro Calderón


Sidney Silveira

SÓ CHEGA AOS UMBRAIS DA FILOSOFIA o homem que compreende a seguinte ordem de coisas: a experiência é superior aos sentidos; as artes (na acepção clássica) são superiores à experiência; as ciências são superiores às artes; e a metafísica é a superior de todas ciências, pois chega ao máximo grau de abstração da matéria. 

Neste contexto lembremos o seguinte princípio: uma coisa é tanto mais cognoscível quanto mais apartada esteja da potência indeterminadora da matéria.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Brasil, conhece-te quem te viu nascer



Sidney Silveira

22 de ABRIL DE 1500: DESCOBRIMENTO 
26 de ABRIL DE 1500: ATO ESSENCIALMENTE FUNDANTE DO BRASIL

Diferentemente do que dizem alguns livretos de história, o ato fundante do Brasil foi a Missa celebrada por D. Henrique de Coimbra, no domingo 26 de abril de 1500, numa praia situada no (atual) sul do Estado da Bahia. 

Imagino o impacto, a estupefação dos índios perante o belíssimo o sacrifício ritual da Santa Missa, sucedido pela primeira vez entre nós na então chamada Terra de Vera Cruz. 

Tiremos uma idéia mais ou menos aproximada disso pelo que escreve Pero Vaz de Caminha, em sua Carta a El-Rei D. Manuel I: 

"Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo".

O famoso quadro de Victor Meirelles intitulado "Primeira Missa no Brasil" está aqui no Rio, no Museu Nacional de Belas Artes. Ao vê-lo pela primeira vez, não pude conter a comoção. Foi como se estivesse ali, de joelhos, ao lado daqueles que seriam cristianizados tempos depois pelos jesuítas.

Chorei pelas nossas potencialidades malogradas.

Mas, em bom português, agradeci a Deus, que tudo dispõe (o bem e o mal) em ordem à excelência, ainda quando não estamos capacitados a enxergá-la.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: desmascarada a vergonha


Sidney Silveira

Nesta segunda-feira (21/04) gravei uma breve entrevista com o filólogo Sergio De Carvalho Pachá, que, em 2009, era Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras (ABL) e conheceu os bastidores da reforma ortográfica mais absurda de que se tem notícia entre nós. 

Pachá foi defenestrado da ABL por ter uma opinião privada (de caráter absolutamente técnico!) contrária ao acordo. Ele viu o gramático Evanildo Bechara transformar-se, num passe de mágica, de grande crítico da reforma em seu principal garoto-propaganda — para depois, com aparente sã consciência, editar um pequeno manual da nova ortografia, trazendo para as próprias algibeiras certamente mais do que as trinta moedas com que Judas vendeu Cristo.

O ridículo argumento da "união política entre os países lusófonos", como sabíamos previamente, não se cumpriu. Quem ganhou com a coisa no Brasil foram as editoras apaniguadas da "corte", que recebem milhões do governo para imprimir livros paradidáticos.

Trata-se de um depoimento histórico, dado por pessoa abalizada tanto pelo apuro do seu conhecimento lingüístico como pelos cabelos brancos e os alquebrados olhos, que a terra há de comer. Olhos de quem, como Gonçalves Dias no "I-Juca Pirama", pode muito bem dizer:

— Meninos, eu vi. 

Reitero: entrevista concedida por uma autoridade em língua portuguesa que exercia papel importante na ABL quando da concepção do acordo ortográfico. Iniciativa esta chamada por Pachá de "fraude", sem meias palavras. 

O material será apresentado ao público em breve.

O mesmo vídeo traz um tira-gosto das questões vernáculas de que o Prof. Sergio Pachá tratará no curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, imperdível para todos os que precisamos usar bem da língua, ou seja, expressar conteúdos inteligíveis aproveitando as magníficas possibilidades do idioma de Camões. 

Aguardem! 

Enquanto isso, não percam esta oportunidade única: façam as suas inscrições na Escola Virtual do Instituto Angelicum, no seguinte link:


A língua portuguesa agradece pelo serviço que quixotescamente lhe prestamos, com o curso do Prof. Sergio Pachá.

domingo, 20 de abril de 2014

Afogados na imanência


Sidney Silveira

O DEVIR É a mais débil epifania da verdade, pois não fixa propriamente nada além do movimento. No devir a realidade liquefaz-se na imanência dos fenômenos — os quais não podem encontrar explicação suficiente em si mesmos. Dissolvido, pois, no devir que coincide com um pragmatismo suicida, não resta ao homem pós-moderno senão perder a consciência histórica. 

A razão é muito simples: a historicidade não é outra coisa senão o vislumbre de pontos estáveis em meio à torrente dos fatos.

Duns Scot contra Santo Tomás


Sidney Silveira
COM O LENTO OCASO DA IDADE MÉDIA, a reviravolta que culmina no humanismo e na filosofia moderna, com a conseqüente refundação da política em bases que, tempos depois, resultarão na funesta e assassina Revolução Francesa, tem o principal ponto de apoio na obra do frade franciscano Duns Scot, no começo do século XIV. E mais: naquilo que este pensador tem de contrário à obra do mais profundo e complexo filósofo de todos os tempos: Tomás de Aquino. 

É como diz Josep-Ignasi Saranyana, na sua (em linhas gerais péssima) obra "La Filosofía Medieval", citando a Étienne Gilson: 

"O verdadeiro destinatário das críticas do Doutor Sutil era, em última análise, Tomás de Aquino". 

Esta lição é o beabá da história da filosofia e das idéias políticas. Mas, para entendê-la, é necessário conhecer os principais vetores de ambas as obras...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mentira, morte lenta da alma


Sidney Silveira

A MENTIRA É A DISSONÂNCIA voluntária e consciente entre palavras e conceitos. Quanto mais um homem mente, mais fragmenta e deforma a própria inteligência. E sendo, pois, deformidade de uma apetência natural (a da inteligência pela verdade), a mentira jamais poderá ser enobrecida. 

Alguém pode explicá-la, compreendê-la, mas jamais conseguirá dar-lhe ares de coisa elevada e boa. Porém o mentiroso, enganando-se, passa a vida a tentar.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Vocação coletiva ao brejo das almas


Sidney Silveira

A genuína estupidez é espontânea, espécie de incompreensão instintiva com que um homem não vê as mais gritantes obviedades. Mas no Brasil contemporâneo as pessoas se tornam estúpidas por cálculo, numa crescente e misteriosa adesão macunaímica, em massa, à obtusidade estimulada pelos slogans dos donos do poder, aos quais vendem o voto e a débil consciência por um prato de lentilhas. O brasileiro tornou-se estúpido por preguiça moral, esse atávico "jeitinho" que o inviabilizou civilizacionalmente. Tolerante com o intolerável, indulgente para com a quebra de todos os princípios éticos sem os quais a vida em sociedade é quase impossível, ele tem tido notável afinco em fazer da estupidez um carnavalesco dever cívico. Caso "sui generis" na história dos povos... 

Na verdade, merecemos o PT e a oposição que temos. Merecemos os nossos governadores (escapa algum?). Merecemos todos os políticos que entronizamos, pois eles são a lídima expressão da estupidez à qual aderimos como nação — fato cujo signo-mor é ter a Srª. Dilma Rousseff como presidente da República, criatura incapaz de articular meia dúzia de frases seguidas num mesmo período sem afundar em pungentes anacolutos.

Pois bem: se há conserto para um país com tantas riquezas naturais mas também tanta miséria humana, tanta pobreza intelectual e moral, é coisa que deixo para os adivinhos, os taumaturgos ou os vagabundos resolverem. 

Enquanto isso, viva a Copa do Mundo e o Maracanã de dois bilhões de reais! Viva o recorde de assassinatos! Os desvios de verbas nos Ministérios! O mensalão! 

Mil vezes etc.!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A luz da Cruz

Sidney Silveira

A SEMANA DA PÁSCOA é o interlúdio espiritual entre a rememoração de que neste mundo as vitórias, mesmo as legitimamente conquistadas, são efêmeras (Domingo de Ramos) e a contemplação do estandarte triunfante da Cruz (Domingo da Paixão).

Em breves termos: o Domingo de Ramos é a expressão litúrgica da consciência de que as glórias outorgadas pela instabilidade do coração humano são como vento, vêm e vão; o Domingo da Paixão, por sua vez, expressa a estabilidade do verdadeiro amor, excruciante porque pressupõe entrega total, inabalável perante a dor e as traições humanas.

Trata-se de uma passagem mística de ciclo: da via iluminativa à via unitiva; das verdades assimiladas às verdades praticadas; da luz recebida à luz que se dá. 

Áspero mistério do amor que se afirma como única realidade necessária a uma vida verdadeiramente humana — pois sem amor o homem é incapaz de triunfar sobre as suas próprias debilidades.

Desejo, pois, aos amigos católicos uma Semana Santa de muita paz.

Lógica, esteio de todas as ciências


Sidney Silveira

"(...) IMPÕE-SE A NECESSIDADE da existência de uma arte da razão, pela qual o homem possa proceder, no ato de raciocinar, com ordem, com facilidade e sem incorrer em erros. ESSA ARTE É A LÓGICA, ciência da razão. E é da razão não apenas porque lhe é conformada, mas também porque versa acerca do ato mesmo de raciocinar como de sua matéria própria. 

Podemos, pois, dizer que [a lógica] é A ARTE DAS ARTES, visto que dirige o ato da razão, do qual procedem todas as demais artes".

Santo Tomás de Aquino 
(Comentário aos Analíticos Posteriores de Aristóteles, n. 2.653)


Em suma, neste breve texto o Aquinate está a salientar algo que deveria ser óbvio para todos: a lógica é disciplina propedêutica necessária ao reto desenvolvimento da inteligência. Ela é "arte auxiliar", pois está a serviço de todas as ciências. Desprezá-la seria como deixar de colocar cimento ou argamassa entre os tijolos duma parede em construção. 

Embora seja arte subalterna, a lógica é essencial. Daí o Pe. Álvaro Calderón frisar na obra "Los Umbrales da Filosofía" que se trata da ama-de-leite de todas as ciências.

domingo, 13 de abril de 2014

Justiça dos injustos: castigo dos bons


Sidney Silveira

PARA O HOMEM BOM, os bens que lhe sobrevêm são prêmios, e os males, provas de paciência, perseverança. PARA O HOMEM MAU, os males são castigo, e os bens, usurpação de um mérito que não lhes é devido. Toda noção realista de justiça consiste em dar um único vetor a esta relação: premiar os bons, castigar os maus. 

Esta é a base daquilo a que se convencionou chamar de civilização. 

Sob qualquer pretexto — seja de classe social, seja de raça, seja de ideologia, seja de preferências sexuais, etc. —, atenuar o castigo dos maus é castigar os bons; e castigar os bons acarreta a única desigualdade essencialmente injusta: a que diz respeito à distribuição de méritos e deméritos. 

As demais desigualdades podem ser boas ou más, em vista duma série de fatores.

Filosofia e escrita

Sidney Silveira

NUM FILÓSOFO, a parábola evolutiva do pensador precede necessariamente a parábola evolutiva do escritor, podendo até prescindir desta, como no caso de Sócrates. Esquecer-se disto é o primeiro passo para idolatrar a letra e matar aos poucos o espírito.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Gramática e loucura em escala social

Sidney Silveira
O VIGOR ÉTICO está para toda pujante noção de direito assim como a atenção às normas gramaticais elementares está para o pleno exercício da cidadania. Só numa sociedade demencial é difícil explicar às pessoas a necessidade de saberem concordar o sujeito com o predicado e formarem orações que encadeiem entre si pelo menos o esboço de um pensamento lógico, antes de que reclamem do governo ou adiram a um partido. 

Hordas de pessoas desarticuladas verbalmente — pessoas "anacolúticas" — não podem conformar nenhuma sociedade que não seja esquizofrênica e potencialmente homicida

E, ao fim e ao cabo, suicida.

A sintaxe psíquica garantidora da sanidade de um homem, implicada no conhecimento que tem do seu próprio universo interior e da realidade à sua volta, depende duma estruturação mínima da linguagem, a qual é organizada, codificada, ilustrada pela gramática.

Em suma: aprender a pensar e também a sentir projetando sobre os dados sensitivos a luz do intelecto natural é algo que passa pela capacidade de estruturar o discurso lógico. Só quem entende este princípio gnosiológico sabe que a gramática tem papel social preponderante e é muito mais que um mero conjunto de regrinhas de escrita.

Inscreva-se já no curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, em: 

Gramática e história pessoal

Sidney Silveira

A gramática é, fundamentalmente, o conjunto de normas inferidas do uso da língua por parte das pessoas que conhecem as ricas potencialidades de um idioma. Se um homem despreza a gramática, despreza o lastro histórico-cultural que culminou na sua própria existência.

Inscreva-se já no curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, em: 

http://institutoangelicum.edools.com/curso/a-lingua-absolvida--3

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Por que buscar conhecer as ricas virtualidades do próprio idioma?

Sidney Silveira

Vejamos se persuade esta citação de um grande clássico:

"Para a língua chamo 'uso comum' ou 'costume' o consenso entre as pessoas instruídas, como para a vida chamo 'costume' o consenso entre as pessoas de bem".
(QUINTILIANO, De Institutione Oratoria, I, 6, 44-45)

Não deixem de se inscrever no curso "A Língua Absolvida — Questões Vernáculas do Português", com o prof. Sergio De Carvalho Pachá! Trata-se de inestimável serviço prestado a um país em estado de verdadeira agonia pedagógica. 

Procure fora da universidade brasileira o que nela, hoje, se tornou pura e simples inviabilidade pedagógica. 

Faça agora a sua INSCRIÇÃO no site do Instituto Angelicum, em:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pensamento de um final de noite, após ler São Francisco de Sales



Sidney Silveira

INDIFERENÇA, ANTE-SALA DO ABISMO

A indiferença para com o próximo que passa por dificuldades — a começar pelos amigos e pela família, que são os próximos mais próximos, por assim dizer — é o primeiro sintoma de fadiga moral. Ultrapassado esse ponto, o passo seguinte é acusar o próximo pelo infortúnio que sofreu, maneira eficiente de não lhe estender a mão sem sentir culpa nenhuma, num total alheamento.

Cedo ou tarde, a indiferença transforma-se em delito espiritual irreversível, pois vai destruindo aos poucos o que um homem tem de mais excelente: a possibilidade de amor verdadeiro. Possibilidade que essencialmente o constitui.

Ser indiferente é despersonalizar-se, nadificar-se sem o saber.

Curso "A Língua Absolvida": INSCRIÇÕES ABERTAS no Instituto Angelicum


Sidney Silveira

O curso "A Língua Absolvida - Questões Vernáculas de Português", com o lexicógrafo e filólogo Sergio de Carvalho Pachá, tem por objetivo dar a conhecer as principais questões atinentes à norma culta da língua portuguesa, recorrendo para tanto aos principais gramáticos do idioma e aos grandes escritores brasileiros e portugueses.

Além de resolver dúvidas dos alunos no que diz respeito à escrita em português — assim como retirar-lhes eventuais vícios no falar que vão contra a índole do idioma —, a presente iniciativa pedagógica tem o intuito de ir além da correção gramatical e trazer dicas relevantes de estilística e do uso virtuoso da língua. 

Neste módulo inicial, o curso terá 8 meses de duração (12 de maio a 12 dezembro de 2014). O material disponibilizado aos inscritos será dividido em duas partes:

A) Uma aula semanal em vídeo gravado;

B) Textos de teoria gramatical da língua portuguesa e de estilística escritos pelo Prof. Sergio Pachá, que ficarão disponíveis no site do Instituto Angelicum no decorrer do curso.

Os alunos se comunicarão com o Prof. no Fórum do curso, onde poderão fazer perguntas que serão respondidas por escrito ou nos vídeos das aulas seguintes.

As demais informações informações no site do Instituto Angelicum, em:

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Chamada para o curso "A Língua Absolvida"


Sidney Silveira

Este meu bate-papo com o amigo Sergio De Carvalho Pachá, filólogo, lexicógrafo, escritor, dicionarista, gramático, poeta e tradutor é um pequeníssimo tira-gosto do curso "A Língua Absolvida", do Instituto Angelicum, que terá início em maio deste ano.

Todas as informações a respeito do conteúdo pedagógico a ser oferecido — assim como as atinentes a matrículas, mensalidades e outras questões administrativas — estarão disponíveis, a partir da próxima segunda-feira, no site do Angelicum (www.institutoangelicum.com.br).

Não se tratará propriamente de gramática expositiva, e sim de uma iniciativa voltada à resolução de problemas vernaculares da língua portuguesa — tratados por um notabilíssimo estudioso. 

Serão vídeos semanais em que servirei, com muita honra, de coadjuvante do prof. Sergio Pachá, trazendo-lhe questões e tecendo comentários à sua exposição. Além dos vídeos, haverá um espaço no site em que o lexicógrafo publicará textos e responderá às perguntas dos alunos.

Esta iniciativa é de PROVEITO DE TODOS, independentemente de idade, sexo, ideologia ou profissão. Em síntese, este é um projeto de resgate do instrumento básico de coesão social e identidade nacional que décadas de teorias construtivistas destruíram no Brasil: a língua portuguesa — ilustre desconhecida da imensa maioria das pessoas abaixo da faixa dos 45 anos. Entre estas, mesmo as com certo pendor para a escrita acabam por cair ou num coloquialismo fácil, que confundem com simplicidade, ou na triste postura do arrogante, em geral jovem, que envolto em cueiros enfezados pontifica sobre assuntos acerca dos quais não tem a mínima noção.

A partir de agora, apresentamos-lhes a língua sinfônica e pictórica com a qual se pode ir ao céu do pensamento abstrato, mas também às regiões abismais onde a alma freme — na alegria ou na desdita.

Amor e conhecimento



EM CLAVE TOMISTA, o amor não é impulso natural cego, mas conhecimento pletórico que arrebata a vontade. E quem poderia amar tanto o homem, ao ponto de perdoar a hediondez dos seus crimes, senão Aquele que conhece perfeitamente, desde sempre, o caráter sublime da sua criação, os bens sublimes que lhe integram natureza e o fim divinal a que ela se destina?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Inteligência, razão, lógica


"A lógica deve ser estudada para a filosofia, ou seja, para pensar-se com adequação ao real. A lógica estudada por si mesma só forma charlatães ou o pior dentro deste gênero: ideólogos".
Pe. Álvaro Calderón
("Los Umbrales de la Filosofía")
Sidney Silveira
Se o sujeito não conhece a diferença entre razão e inteligência, e mesmo assim pretende embrenhar-se nos problemas de lógica, chegando a pontificar a respeito deles como se fosse o Papa a ensinar as verdades da fé do alto de sua cátedra romana, o mínimo que podemos dizer dele deve soar como benevolente elogio: trata-se de um consumado boçal. Seria como alguém querer compor uma sinfonia sem conhecer o dó-ré-mi-fá-sol-lá-si — e isto denota, a um só tempo, elevado grau de obtusidade e uma pretensão que raia os píncaros da soberba. Acontece corriqueiramente com pessoas vocacionadas ao horizonte asnático das pedagogias feitas de encomenda para impedir que a inteligência realize a operação que lhe é própria: chegar à região dos conceitos universais, compondo e dividindo raciocínios.
O intelecto humano é três coisas: antes de tudo, potência para os inteligíveis; depois, forma imaterial da realidade entendida; por fim, operação, que é o ato de entender propriamente dito.[1] O nome dado por Tomás de Aquino ao ápice dessa operação interior da alma intelectiva é verbo, ponto de tangência por meio do qual a nossa inteligência escarafuncha a realidade naquilo que ela tem de propriamente inteligível. O verbo está para a inteligência assim como o caminhar está para as pernas, ou como o ato está para a potência. Seja como for, porque o homem não pode expressar todos os conceitos que extrai da realidade com um só verbo perfeitíssimo que os abarcasse a todos (pois neste caso seria Deus, cujo Verbo único esgota toda a inteligibilidade das coisas e todas as operações da ordem do ser), ele precisa servir-se de muitos verbos imperfeitos,[2] pelos quais expressa o que apreende por diferentes atos da inteligência e atribui predicados às coisas.
Em resumidas contas, a nossa inteligência é imaterial do começo ao fim: na radical potência para os inteligíveis, que a constitui; na assimilação da forma entendida; e no ato mesmo de entender, cujo núcleo é o verbo. Neste contexto, vale dizer que a inteligência não se identifica com o cérebro nem com os neurônios, pois estes são o substrato de que ela se vale instrumentalmente para alcançar o seu ato próprio. Materialistas e imanentistas de todos os matizes têm enorme dificuldade de compreender isto porque lhes falta o domínio dos conceitos de ato e potência, e não raro identificam a atividade da inteligência com funções neuropsíquicas — por meio das quais ela, entre outras coisas, se torna apta a resolver problemas com algoritmos. É quase impossível que vejam algo óbvio para um metafísico: pensar não é entender, raciocinar não é inteligir, entrar na posse duma verdade qualquer não é ato radicado na matéria. Neste contexto, sejamos breves: a razão é o meio de que se vale a inteligência humana para identificar-se formalmente com o ser.
Embora a razão seja o modo próprio de atuar da inteligência humana, ambos não se confundem. Por este motivo, nem todo raciocínio conduz à inteligência do real, visto ser possível racionar bem e concluir mal. Voltemos ao Aquinate, que esclarece a questão com meridiana clareza: inteligir é o ato de apreender a verdade inteligível; raciocinar é passar de um tópico a outro, com o intuito de chegar a inteligir.[3] Daqui podemos muito bem inferir que entender é o fruto maduro de uma razão que opera retamente. Não entremos na distinção tomista entre “razão superior” e “razão inferior”, pois para o esclarecimento que temos em vista basta assinalarmos a subsidiaridade da razão com relação à inteligência.[4]
Digamos por fim o seguinte: a lógica é ciência auxiliar, subalterna, na medida em que está a serviço de todas as demais. Trata-se da arte do bem raciocinar, mas que também não se confunde formalmente com o raciocínio, pois há raciocínios verdadeiramente ilógicos, ou seja, mal ordenados em suas premissas. A lógica é, pois, um ponto de apoio da razão para que labore sem grandes impedimentos, mas jamais percamos de vista que não cabe à lógica abstrair os conceitos, chegar ao verbo mental, ao conceito universal, pois este é o papel razão, servindo-se da lógica. Em suma, a inteligência humana é essencialmente abstrativa, e o meio dessa abstração é racional.
Noutras palavras: o homem intelige a realidade raciocinando ordenadamente. A partir desta imagem, podemos refazer todo o quadro dos três conceitos elementares aqui implicados, para ter a noção da funcionalidade teleológica entre eles, ou seja, verificar como um está em função de outro:
>  a lógica ordena-se à razão;
>  a razão ordena-se à inteligência; e
>  a inteligência ordena-se ao ser, que provém de Deus.
Com relação a esta proveniência metafísica (a saber: dos entes em relação ao Próprio Ser, que é Deus), vale escrever outro breve texto. Por ora fiquemos com a elementar distinção entre inteligência, razão e lógica — na falta da qual muitas vocações filosóficas perderam-se funestamente.
Ao passo que a metafísica, malgrado os seus detratores, continua de pé, iluminando inteligências.
___________________________________________
1- Cfme. Tomás de Aquino, Comentário ao Prólogo de João, Cap. I, Lectio I, n.25.
2- Cfme. Tomás de Aquino, Comentário ao Prólogo de João, Cap. I, Lectio I, n.27.
3- Cfme. Tomás de Aquino, Suma Teológica, I, q.29, a. 3, ad.4).
4- Aqui não está em tela a inteligência que é potência para os inteligíveis, porém sem raciocinar, visto que é intuitiva (a dos Anjos); nem a Inteligência pura, da qual procedem todos os inteligíveis (a de Deus).

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Esperança, virtude teologal



Sidney Silveira

O homem só conhece verdadeiramente o caráter dadivoso da confiança em Deus chamada esperança quando perdeu muito de tudo: amigos, trabalho, saúde, família. Ele então se torna apto a compreender que a esperança é presente do céu, e não um vislumbre adquirido pela argúcia humana.

Não se trata de nenhum cálculo probabilístico favorável, mas da entrega absolutamente cega a algo superior.

A esperança cristã brilha na escuridão porque é luz vinda do alto; a esperança meramente humana — deixada no fundo da caixa de Pandora —, ainda que se alimente de alguma luz nascida das aspirações dos homens, é treva.

O cristão tem plena convicção de que recebeu a esperança de presente quando ela resiste a todas as perdas. Quando se mostra como poderosa força contra tudo e contra todos.

As outras esperanças são esperas mensuradas; a esperança cristã é espera mensurante. As primeiras são medidas pela cupidez humana; a segunda mede a estatura espiritual de quem a possui porque se ampara n'Aquele que não pode ser medido.

Daí dizer São Paulo que a mensagem da Cruz, ou seja, essa inabalável espera a partir do sofrimento e da agonia, é loucura para os gentios. E de gentios podem muito bem ser chamados hoje todos os que esperam no mundo, com o mundo e para o mundo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Professor da USP é calado por militantes após criticar comunismo



Sidney Silveira

Supor que uma opinião é imutável significa transformá-la em DeusA coisa é simples: na perspectiva psicológica, opinião é justamente o estado intermédio entre a dúvida e a certeza, daí dizer Tomás de Aquino que "opinião indica o ato do intelecto que dá assentimento a uma proposição com temor de que a sua contraditória seja a verdadeira".

Ocorre que há um tipo de opinião despótica: é aquela que, nas sábias palavras do Prof. Carlos Nougué, se quer verdade sem deixar de ser opinião. Trata-se duma espécie de auto-flagelo com que alguém destrói a própria alma e costuma, por extensão, tentar destruir a de todos os que não compartilham de sua opinião. 

Meu conselho a quem mantém uma opinião durante muito tempo é básico, cristalino: mude de opinião, meu filho! Mas não a mude para colocar outra no lugar, pois isto seria estultícia. Eleve-a ao patamar de ciência — que é hábito mental da verdade e tem como efeito conseguinte a certeza. Portanto, não faça como estes jovens esquerdistas da USP do vídeo ilustrativo desta postagem, que com a agressividade típica dos imbecis munidos de iniciativa própria interromperam uma aula de Direito do Prof. Eduardo Lobo Botelho Gualazzi cantando um velho samba de Zé Kéti: 

"Podem me prender. Podem me bater. Podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião". 

Nem imaginam essas criaturinhas com muito hormônio no corpo e quase nenhum neurônio no cérebro que manter a mesma opinião e ainda por cima ficar sem comer seria, na prática, manter-se duplamente faminto: na alma, necessitada do alimento da verdade, e no corpo, sempre carente de vitaminas, proteínas, etc. Dá nisso tomar como lema de vida a tosca metáfora dum samba composto com intenções "políticas". A propósito, se perguntassem ao pobre Zé Keti o que é a política, e qual o sentido teleológico do bem comum, talvez a sua voz do morro emudecesse e ele ficasse de cócoras e atônito como um sagüi diante do enigma da Esfinge...

Por todas essas razões, respeite a sua opinião. Transforme-a em certeza epistêmica. E aceite a opinião contrária enquanto não decantar a sua. Noutras palavras, antes de querer consertar o mundo, limpe o cocô das suas próprias cuecas, cagão! Se não fizer isto, só nos restará a certeza de que você não se alçou sequer ao patamar da opinião. Mantém-se numa dúvida aflitiva que pretende impor como verdade absoluta. 

Ora, a ditadura da dúvida ou da opinião que se quer impor como verdade é totalitária e assassina. Mais dia menos dia ela destrói, no grito e a sangue frio, toda e qualquer oposição.